segunda-feira, 26 de abril de 2010

O Filho Pródigo... ou talvez não.


Se há coisa que detesto, que me deixa fora de mim, é perceber que me estão a subestimar. Acho uma enorme falta de respeito, um atentado à minha inteligência.

Falo do assunto porque foi precisamente o que senti ao ouvir hoje na Altitude as breves palavras do Sr. Director-Geral das Artes a propósito do financiamento do TMG. Interpelado pelos jornalistas sobre o atraso nesta matéria e de já há 2 anos, também numa deslocação à Guarda, ter prometido uma solução para o problema, lá fugiu à questão com os argumentos do costume: a política prosseguida pelo Ministério, a vontade da titular e o enorme trabalho que tem desenvolvido nesta área, etc. Na verdade, do que percebi, tudo se resume a isto: estamos hoje, relativamente a financiamento de equipamentos culturais descentralizados, no mesmo ponto em que estávamos há 2 anos atrás! E isto é inadmissível. Porque eu não quero ter de ir a Lisboa quando quero ver uma Ópera. Um um Bailado. Ou uma peça de Teatro. Esse centralismo é um disparate! Quero que seja o TMG a atrair gente para vir descansar do bulício à Guarda, e que à noite possa assistir a um bom espectáculo. Mas sabemos que os cérebrozinhos da Capital não pensam assim e querem tudo à porta de casa. E os outros que andem. É assim com os Teatros Municipais; mas é assim também com o ensino especializado: se viver em Lisboa, o meu filho pode frequentar o Conservatório gratuitamente; mas se morar na Guarda, tem de pagar propinas porque o Conservatório é privado.

Bem pode o Sr. Director-Geral exortar as empresas da região a financiar o TMG, na onda moderna do capitalismo, da responsabilidade social das empresas. Nessa altura, acrescento eu, alterem a lei orgânica do Ministério da Cultura e o Sr. pode passar a ser o Director-Geral das Artes de Lisboa, uma vez que aos outros têm de ser as empresas da região a valer-lhes!

Todos sabem - o Sr. Director-Geral incluído - que a Guarda recebe bem todos os que a visitam; e que tem um carinho especial pelos seus filhos, como boa Mãe. Mas se calhar está na hora de essa Mãe passar a ser mais justa e a premiar mais o mérito, em detrimento dos sentimentos maternais. E a fazer sentir aos governantes que a educação nos faz recebê-los bem, mas que estamos descontentes com a forma como somos tratados. Não queremos tratamento de excepção: apenas o nosso direito à Cultura como os portugueses de Lisboa.

2 comentários:

Anónimo disse...

Excelente!

Anónimo disse...

O TMG bem gerido daria lucro? tem um café que era suposto ter receitas?