
No sábado, junto à hora do almoço, ouvi num noticiário da Rádio Altitude uma peça sobre o assunto.
A jornalista falou do evento, mencionou os protestos de associações de defesa dos animais - referindo serem essencialmente nas redes sociais, o que não é inteiramente verdade uma vez que houve outras iniciativas - ouviu o diretor da Agência de Promoção da Guarda e até um historiador local, acerca da existência nos anos 20 do século passado de uma praça de touros na Guarda, para justificar aquilo que alguns chamam tradição. Da parte das tais associações de defesa dos animais, não ouvi uma palavra.
Relativamente àquilo que disse o responsável pela Agência de Promoção da Guarda, apenas algumas notas, para encerrar este (triste) assunto:
1. tentar meter no mesmo saco uma tourada, um evento automóvel ou um evento desportivo é absolutamente desprovido de qualquer sentido; há quem não goste? Admito que sim; mas quantos protestos recebeu quando organizou o evento automóvel? E o jogo de futebol? E a tourada? Decerto este será um bom indicador da diferença colossal que separa este último dos 2 primeiros. Porque mesmo que não goste de futebol - e não gosto - sei que, para além de haver muita gente a gostar, não me compadeço da bola e dos chutos que ela leva; nem das extremas solicitações mecânicas a que é sujeito um carro de rallie; já de um animal acossado, sem hipótese de fuga e que definitivamente não quer estar ali...
2. não lhe compete decidir quem pode ou não protestar; quem protesta está no seu direito, independentemente da ligeireza com que o Sr. António Saraiva avalia a sua capacidade; conheço gente que tem cães em apartamentos que todos os dias, religiosamente, quer neve quer faça sol, leva os cães à rua mais que uma vez para o necessário exercício; como conheço gente que mora em espaçosas vivendas com bons jardins que tem o cão preso pelo pescoço o dia inteiro; portanto o tamanho da casa do autor de um protesto não é, por si só, um bom indicador da qualidade de vida do(s) animal(ais) que escolheu;
3. Dizer que se não fossem as touradas as raças de touros bravos já se teriam extinto é, para além de cópia da cartilha dos lobbies pró-taurinos, um rude golpe naquilo que a comunidade de biólogos dá por adquirido; Darwin - que por acaso é o nome do cão da minha família - abriria a boca de espanto ao ouvi-lo...