sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Ciência e Auto-Estima


Iniciou-se hoje o "4th Asian Congress on Autoimmunity" em Singapura, um dos maiores eventos mundiais da especialidade.

Enquanto passava os olhos pelo Programa Científico, resolvi fazer uma busca para saber quantos dos trabalhos a apresentar iriam de Portugal. Descobri que são 6, todos da autoria da mesma equipa e serão apresentados amanhã. Apesar de não estar mencionado no programa, trata-se de uma equipa formada por investigadores da ULS da Guarda, a propósito da qual já aqui tinha deixado um Post.

Tudo isto para dizer que amanhã, durante as apresentações, a Guarda será a face visível de Portugal para muitos especialistas em Imunologia, nomeadamente orientais. E que em momentos como este a nossa auto-estima se eleva e sentimos que a nossa cidade tem um imenso potencial que por vezes não é valorizado, que são aqueles que cá vivem e que diariamente dão o seu melhor ao trabalho que desenvolvem.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Livros - "A Ninfa Inconstante"


Um livrinho pequeno, quase "de bolso", que resolvi ler durante as férias passadas. Escrito por um Cubano - Guillermo Cabrera Infante - conta-nos uma história de amor (ou será de paixão?), na calma que geralmente antecede as tempestades violentas, neste caso a revolução.

É uma história feita de muitas histórias, apesar da sua simplicidade.

Claro que uma história de amor latina, num país com a riqueza cultural que tem Cuba, tem todos os ingredientes para ser bela.

Sobre a escrita, uma palavra: cativante! Mas fiquei com a nítida sensação que o livro perde (e muito!) com a tradução. Algumas passagens só fazem mesmo sentido se as traduzirmos para Castelhano enquanto lemos; apesar de um trabalho esforçado do tradutor e das notas que junta, ainda assim perde-se informação. Tanto que, logo que possa, vou comprar uma versão original e relê-lo...

O Crime! (ou gente com os nervos em franja)


Parece que a IKEA - gigante multinacional do mobiliário low-cost - mudou o tipo de letra da sua insígnia. Nada de especial, se considerarmos que a empresa tem mais de 60 anos e que é relativamente comum nos dias de hoje as empresas procederem a "refrescamentos" da sua imagem.

Mas eis que, neste caso, alguns clientes da marca deram pela "marosca" e não gostaram! E vai daí, têm protestado pelos meios à sua disposição.

Eu confesso que podia olhar 1000 vezes para a nova insígnia e não daria por nada. Mas pelos vistos há consumidores que levam o lettering das marcas que consomem muito a sério. Talvez até, um nadinha demais...

Podem ficar com uma ideia melhor do sucedido aqui.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Foguetório


Não vai ainda longe o tempo em que a vida cultural de um grande número de aldeias por todo o País consistia em 1 ou 2 festas anuais. Nestas ocasiões, quebrava-se a rotina do resto do ano - que consistia apenas em trabalho, de sol a sol, e um ou outro bailarico na tasca ao sábado à tarde - e toda a gente participava na festa. Durante os dias em que esta(s) durava(m), o povo reunia a família e amigos, cozinhavam-se iguarias, dançava-se, bebia-se. Para depois regressar á rotina.

Mas isto era há anos atrás. E, como referi, principalmente em meios mais pequenos, onde o défice de acctividades culturais dava a estas manifestações uma enorme importância para quem as vivia.

Hoje, apesar de ainda existirem festejos deste tipo um pouco por todo o país, já não têm nem a importância nem a afluência de outros tempos.

Por isso me custa um bocado perceber que se façam festejos com este figurino na Guarda: acontece no Bairro de São Domingos, na Póvoa do Mileu e no Bairro da Senhora dos Remédios (estes pelo menos são os que me lembro). Podem representar muito para quem lá vai, mas francamente acho pobre, nos dias de hoje, numa cidade com a oferta cultural como tem a Guarda, que se faça uma festa que consiste essencialmente em música, carne assada e bebidas em copos de plástico.

Porém, como só lá vai quem quer, até era suposto este ser um Post sobre um assunto que não me diz respeito! Do tipo: "Não gostas, não vais, que também não fazes lá falta nenhuma, seu pés-de-chumbo!!!". Não fora um pequeno - grande!!! - pormenor: o foguetório.

Confesso que sábado deitei-me um bocado tarde. E que gosto de me levantar lá pelas 10 ao Domingo, dormir até um pouco mais tarde. Este é de resto um prazer que invoco quando me convidam para um passeio de BTT, que geralmente são aos Domingos de manhã. E neste Domingo, acordado pelo foguetório, fui privado do meu pequeno prazer, o que me chateou um bocado. Mais ainda quando não encontro qualquer motivo para esse incómodo: era assim tão difícil fazer uma festa sem foguetes? Era assim uma mudança tão grande?

É que se nas festas das aldeias de há uns anos, como disse, eram dias em que toda a gente participava, o mesmo não acontece em nenhuma destas festas que citei: o número de pessoas da Guarda que lá vão é baixíssimo. Por que é que todos temos de levar com o barulho do foguetório logo pela manhã? E não tinha sido proibido, durante a época de fogos florestais, o uso de foguetes?

Francamente, acho muito bem que as pessoas façam as suas festas e que quem quer se vá lá divertir, se isso as satisfaz. Mas gostava que se começasse a abandonar esta coisa dos foguetes, que não tem utilidade nenhuma a não ser fazer barulho, privando alguns do descanso a que têm direito, assustando todo o tipo de animais (domésticos e selvagens) e pondo (desnecessariamente) em perigo a floresta.

Por isso, a lei que obriga a licenciar este tipo de actividade - refiro-me ao lançamento de foguetes - deve ser entendida como uma excepção à regra; e a regra deve ser respeitar as pessoas e o seu direito a usufuir do ambiente.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Estacionamento


Hoje acordei com uma notícia sobre estacionamento: parece que na sessão de ontem da Câmara Municipal foi amplamente discutida a cedência ou não de um lugar reservado para a carrinha de campanha da candidatura do PSD às autárquicas. Com muita pena minha, o pedido acabou por ser recusado. Não que eu ache que privados devam ter direitos especiais em espaços públicos. Ou mesmo instituições - ou os seus funcionários - devam ter tratamento preferencial face aos demais cidadãos na fruição de um espaço que é de todos. Não! Tenho pena porque, com o rumo que as coisas levam, vejo aproximar-se cada vez mais o dia em que eu próprio terei um espaço de estacionamento só para mim! Perguntar-me-ão: "Oh Rui! Então mas com que mérito ou direito terás tu um lugar privado de estacionamento???" E assim postas as coisas, é bem verdade que nada fiz para me tornar merecedor de tal honraria. Mas eu explico: com o rumo que as coisas têm tomado nos últimos anos, a maior parte das pessoas já tem um lugar privado de estacionamento; basta esperar um pouco mais até eu ser o único que o não tem. E nessa altura, o lugar que sobrar - seja lá onde fôr - é meu, uma vez que mais ninguém precisará dele.



PS: tudo isto é um claro exagero para dizer que discordo por completo da atribuição de lugares de estacionamento públicos; são bens de todos, construídos e mantidos com dinheiro do Estado, e como tal não acho bem estas distinções "bacocas" de atribuir lugarzinhos de estacionamento; salvo, obviamente, excepções devidamente regulamentadas: a reserva de estacionamento para pessoas com comprovadas dificuldades motoras, veículos oficiais das forças de segurança e protecção civil (carros patrulha, ambulâncias, etc) e casos verdadeiramente excepcionais.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ciência na Guarda


Foi recentemente publicado no Journal of immunoassay & immunochemistry um artigo relativo a um trabalho de investigação integralmente conduzido e produzido na Guarda, no Serviço de Patologia Clínica do Hospital Sousa Martins. O facto prova que é importante que a Guarda tenha instituições e pessoas interessadas e motivadas para produzir conhecimento (fazer ciência) e não em atingir estatísticas. E prova ainda a importância de fixar na Guarda Quadros Técnicos, que lhe dêm uma dimensão e projecção internacional.

A Guarda já foi a cidade da saúde, no contexto português; e teve, por isso mesmo, um Hospital/Sanatório de grande importância à época. Hoje, o Hospital prepara-se para crescer e é importante que sirva uma população que já hoje é bastante envelhecida - com tendência para o ser cada vez mais - mas também é importante como instrumento de desenvolvimento a vários níveis, entre eles a afirmação da região como produtor de serviços globalmente transacionáveis e de conhecimento - factores que não são sensíveis à localização geográfica.


(Declaração de Interesse: Patrícia Fonseca, uma das autoras do trabalho, é minha mulher; a importância deste trabalho tem todavia sido reconhecida a vários níveis: foi a base da tese de Mestrado que defendeu em Dezembro passado com nota máxima e foi apresentado em Congressos Internacionais de Imunologia, tendo recebido inclusive um convite para ser apresentado pelos autores)

sábado, 22 de agosto de 2009

(In?) Justiças

1. Foi por estes dias libertado, por razões humanitárias (cancro em fase terminal) um dos autores materiais do atentado de lockerbie, que havia sido condenado a prisão perpétua por um tribunal Inglês. Apesar de os nosso instintos mais primários nos poderem sugerir que alguém que comete uma monstruosidade daquelas não merece qualquer consideração (ou que merece uma morte lenta e dolorosa), manda a elevação que se reconheça que só uma democracia plena e avançada (como a Inglesa) teria aquela atitude! É obviamente "perturbador" (como referiu o Ministro Inglês da Justiça) ver alguém que cometeu tamanha ignomínia ser recebido como heroi nacional, mas essa é outra questão. Para mim, acho que é uma grande lição que o Reino Unido deu ao mundo, inclusive aos Estados Unidos, apesar das críticas do seu Presidente. Que não podemos estranhar, tratando-se de uma nação que mantém no seu ordenamento jurídico a pena de morte.
2. Ouço e leio muitos comentários, a propósito do (mau) funcionamento da nossa justiça, clamando que neste ou naquele caso, por vezes por "dá cá aquela palha", teria de ser aplicada prisão imediata. Devemos entender que no nosso sistema jurídico a privação da liberdade é a pena maior que pode ser aplicada, donde deve ser inequívoca a gravidade da situação em que pode ser utilizada. Por isso, essa atitude de "deviam era ser presos", ou "a polícia deteve-os mas o juiz libertou-os no dia seguinte e aguardam julgamento em liberdade" irrita-me um bocado e cheira-me nalguns casos ao pior que havia no regime "da outra senhora". Mas não posso compreender de todo que os responsáveis pelo tiroteio da semana passada na Rua da Corredoura (na Freguesia de São Miguel) aguardem julgamento em liberdade, com termo de identidade e residência!!! Trata-se de gente que disparou mais de 10 tiros numa das zonas mais densamente povoadas da cidade, em pleno dia; sei que várias pessoas temeram pela sua segurança (a "peripécia" foi-me contada pelos meus Pais, na primeira pessoa). Então uma pessoa que é capaz de uma atrocidade daquelas, no meio da cidade, passeia-se calmamente pela rua? Que sentimento de segurança transmite o Estado aos seus cidadão nestas circunstâncias? É este o contrato social que tem com os habitantes e transeuntes daquela zona?