quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Candidatos


E pronto: estão lançados os nomes que compõem as listas de candidatos à Câmara da Guarda, Juntas de Freguesia e Assembleia Municipal. Uns eram esperados, outros talvez não...

Há quem clame por outros actores, mas rien ne va plus: os dados estão lançados e é com eles que vamos jogar, que é o mesmo que dizer que são estes os candidatos entre os quais vamos ter de escolher. De entre eles, sairão os que guiarão os destinos da Autarquia nos próximos anos.

Confesso-me do lado dos indecisos: de um lado um líder forte com uma equipa fraca, do outro um líder fraco com uma equipa mais forte; depois há os que vêm só para baralhar as contas, em nome da pluralidade - e bem!

Agora, aguardam-se programas. Mas antes teremos um problema mais grave a resolver: o do Governo. E aqui as contas serão mais complicadas...

Duas notas finais: 1) tenho andado "desligado" da actualidade, por motivos profissionais, desde há 2 semanas; por isso não sabia da recusa de Ricardo Neves de Sousa em integrar a lista de deputados do PSD à Assembleia Municipal. Conheço o Ricardo, já tive oportunidade de trabalhar com ele, sei o que vale; a imprensa local reconhece que é um dos deputados cessantes com mais intervenções (preparadas, não para dizer disparates no calor do momento); e quando se sabe o que se quer, quando os planos e a ambição dependem de seriedade intelectual e credibilidade, é preciso saber qual a hora de avançar, mas também quando parar; 2) á campanha "local" está no início, mas a máquina de comunicação de J. Valente está neste momento anos-luz à frente da de C. Carvalho - e não sou eu o primeiro a dizê-lo; estará C. Carvalho a pagar por ser um independente que leva nas suas listas um número significativo de cidadãos com igual estatuto...? Ou a máquina do PSD perdeu o fulgor que lhe conhecíamos?

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Comentadores


A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) emitiu uma recentemente uma directiva que vem impedir os candidatos eleitorais de manterem espaços de opinião/debate em órgãos de comunicação social. Tudo em nome, claro está, de uma causa maior: a igualdade de oportunidades enter os diversos candidatos.
E assim se passa um atestado de menoridade aos chefes de redacção, conselhos editoriais ou quaisquer que sejam os órgãos de que os diversos media dispõem para decidir o que publicam/difundem ou não!
É nestes aspectos que o nosso Estado revela o que de pior tem: intromete-se demasiado nas escolhas individuais de cada um.
Que este tipo de limitação exista nos media controlados pelo Estado, ainda posso aceitar; agora em meios de comunicação privados, em que devem prevalecer as escolhas individuais, já não compreendo. Não acho aceitável que o Estado possa interferir na escolha de quem pode ter ou não voz num meio de comunicação que eu só ouço ou leio se quiser.
Obviamente que quando um editor decide convidar ou publicar determinada pessoa é porque reconhece que as suas opiniões interessam ás pessoas a quem chegam; se não o faz em relação a outras pessoas, é porque não lhes reconhece essa capacidade. Sucede porém que hoje existe, mesmo à escala regional, uma quantidade de rádios, jornais, etc. que assegura um mínimo de concorrência. Que faz com que fique assegurada a tal igualdade de oportunidade. Não acredito que uma pessoa com opiniões e dotes que lhe permitam participar em programas de debate ou opinião seja ostensivamente impedido de manifestar as suas opiniões nos diversos órgãos de comunicação social que chegam a determinada região!
Trata-se de mais um caso, infelizmente ainda frequente na nossa Democracia, em que se entende que igualdade é tratar de forma igual realidades diferentes. Com desprezo pela diferença a que todos temos direito!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Disponível

Uma das originalidades da nossa política, é a "disponibilidade" dos seus actores. O que é isso da "disponibilidade"?
Eu explico: sempre que algum político quer muito ocupar determinado cargo, não diz simplesmente, em público ou dentro do seu partido "Olhem, eu gostava muito de ser Presidente da Câmara"; tenho uma série de projectos que gostava de concretizar, tenho as ideias x e y para o município, e teria muito gosto em as colocar em prática". Não! Isto seria ser demasiado cândido. Tanto, que provavelmente as pessoas desconfiariam de ocultas segundas-intenções. Então é aí que entra a disponibilidade. Com o pretendente a candidato a declarar-se publicamente "disponível" para determinado cargo ou, ainda mais discretamente, "disponível" para os combates políticos que se avizinham.
É que assim, fica na posíção de prestar um grande favor a quem o escolhe como candidato e quiçá mesmo a quem o elege. Como se de um sacrifício pessoal se tratasse!
É assim, que Crespo de Carvalho e Joaquim Valente começaram por "estar disponíveis"; depois de os Partidos muito insistirem com eles, lá acederam à maçada de serem candidatos à Câmara da Guarda. Claro que esta é uma situação que se verifica em todo o lado, não é só por cá...
Não seria mais claro e honesto dizer claramente às pessoas as suas intenções? A política tem mesmo de ser este jogo de meias-palavras que toda a gente sabe o querem dizer, mas que ninguém se compromete a dizê-las?

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Falar Claro


Folheando um exemplar atrasado do jornal "O Interior", dei de caras com uma entrevista a uma Psicóloga Escolar, na rúbrica "Falar Claro".

À pergunta "O que faz uma Psicóloga Escolar", a Senhora respondeu: "A Psicóloga Escolar desenvolve as suas actividades de acordo com o preconizado pelo Decreto-Lei nº 190/91 de 17 de Maio".

Isto sim, é falar claro. Eu até diria mais: quem assim fala não é gago!

Associação Comercial da Guarda


Acabo de ver no "Terras da Beira" de hoje a notícia que dá conta que a Associação Comercial viu os seus bens serem penhorados por dívida a um ex-funcionário. É uma notícia que me deixa triste, porque dá uma ideia do estado a que chegou a capacidade financeira e a credibilidade de uma Instituição centenária, com um Património - não físico, mas de realizações e memórias - vasto.

A Associação Comercial (ACG) foi o meu primeiro empregador "a sério". Digo "a sério" porque os que tive anteriormente apenas serviram para saber o que não queria fazer e o que é trabalhar sem gosto naquilo que se faz. Por isso, guardo óptimas recordações do tempo que lá trabalhei.

Quando lá cheguei, em finais de 1996 encontrei uma equipa fantástica, das melhores que conheci até hoje! E quem tem a mínima noção do que é a gestão de organizações sabe bem do que falo quando digo que um dos maiores desafios actualmente é precisamente a constituição de equipas que funcionem como tal, que se possam ver como um "ente" autónomo de cada uma das pessoas que o compõem. Tive o privilégio de, por algum tempo, fazer parte dessa equipa cujo valor era reconhecido nas Instituições nacionais com quem nos relacionávamos: CCR (actualmente CCDR), Direcção-Geral do Comércio, Confederação do Comércio de Portugal, para citar as mais frequentes.

A ACG contava nessa altura com a capacidade analítica e conhecimento da realidade empresarial do Rui Vila Flor, com a competência em matéria de Formação Profissional do Fernando Marques, com a entrega na organização de eventos do Luis Salvador, com o rigor na gestão e estratégia do Dr. Pina Coelho; mas também com o apoio inestimável da Estela e do Sr. Ivar. Era esta a equipa que levava o barco para a frente e que, com o apoio das Direcções esteve na génese da Escola Profissional, da requalificação do aparelho comercial da zona histórica do PROCOM (que apenas abrangeu as empresas, já que os investimentos públicos que a Câmara Municipal se comprometeu a fazer estão até hoje à espera de serem feitos, apesar de ter tido apoios de vulto contratualizados que entretanto perdeu), de milhares de horas de formação ministrada a empregados e desempregados, de concursos de montras, animações de rua, recuperação do edifício da antiga Escola Comercial onde passou a ser a sede da associação, entre outros projectos levados a cabo.

Atrevo-me a dizer que, face à minha experiência dessa altura na representação da ACG, esta tinha muito mais crédito fora da Guarda do que por cá! Mas isso se calhar não é de estranhar...

Havia um princípio estratégico, imposto pelo Secretário-Geral e sempre secundado pelas Direcções, que estava na base de todas as decisões que se tomavam: não se avançava com a realização de qualquer projecto sem estar assegurado o seu financiamento. Desta forma, apesar de por vezes haver atraso nos recebimentos e consequente atraso em pagamentos, a situação nunca chegava a ser preocupante e era aceite pelos fornecedores.

Mas a partir de determinada altura este princípio deixou de ser aplicado: fizeram-se avultados investimentos cujo financiamento não estava garantido; usou-se para isso financiamento para outras actividades, que ficaram por sua vez "descobertas", o que acabou por gerar as enormes dificuldades de tesouraria que hoje a ACG conhece. Ao mesmo tempo, os responsáveis mostraram-se incapazes de motivar ou sequer manter em funcionamento a fantástica equipa de que dispunham. Tudo isto, como uma bola de neve, redundou num conjunto de dificuldades sucessivas até chegarmos ao ponto em que hoje a associação se encontra... É triste para a cidade, para os seus comerciantes; mas especialmente para mim e, tenho a certeza, para todos os que lá trabalharam com imenso esforço, mas um orgulho ainda maior.

Penso que, numa atitude de reflexão no mínimo responsável, caberá hoje perguntar a quem serve a ACG. Se faz sentido ainda a sua existência no contexto actual. Quais serão as saídas para a situação que vive.

Dos órgãos eleitos fazem parte cidadãos/empresários considerados na Guarda. Deles não se espera outra atitude que não seja a de esforço na busca de soluções para aquele imenso património. Mas todos os comerciantes, principalmente os associados, devem reflectir no que querem fazer da ACG, que é sua por direito.

Ao que chegámos...


Pacheco Pereira, em artigo publicado no "Público" a 11 de Julho fez uma caracterização do que significa hoje pertencer a um Partido Político. Em tom bastante duro!

Depois de ler o artigo, reconheço que concordo com muito do que Pacheco Pereira diz, com a reserva de ser sempre muito injusto generalizar comportamentos, principalmente para aqueles que pautam a sua actuação, na política como na vida, pela rectidão na observação de princípios.

Recordo que após alguma proximidade com uma das "jotas" no final da adolescência, cedo me desencantei e percebi que fazer intervenção cívica naquele ambiente era extremamente redutor, e que claramente os jogos de interesses, agendas de poder pessoal e a cultura de "carreirismo" se sobrepunham claramente a opções ideológicas e à procura de soluções para melhorar a democracia... Por isso mesmo, quando há pouco tempo me sondaram sobre a disponibilidade para colaborar com um Partido, a minha resposta foi imediatamente negativa. Estarei sempre disponível para apoiar projectos em que acredite, promovidos por Partidos ou outras entidades, mas no estado actual de coisas, não posso em consciência comprometer-me com um Partido, qualquer que ele seja.

Estranho que o artigo de Pacheco Pereira não tenha sido comentado na Praça; para mim, a sua frontalidade e mesmo violência merecem reflexão. Todavia, ou passou despercebido ou por qualquer estranho motivo todos olharam para o lado e assobiaram, que isto não é nada conosco...

O artigo pode ser lido no Blog de José Pacheco Pereira, aqui.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Ainda a Beirartesanato



Na semana passada, 2 entrevistas a outros tantos jornais locais sobre este evento: Pedro Tavares, Presidente do Nerga e Lurdes Saavedra, Presidente da Pró-Raia confirmam nas respectivas entrevistas aquela que foi a minha impressão sobre a feira e consideram que a actual localização é uma aposta ganha, devendo ser mantida esta opção.

Esta é também a minha opinião, expressa no meu anterior Post.

Das 2 entrevistas, recheadas dos já habituais lamentos, há um outro ponto que me permito destacar: quando Pedro Tavares diz que é necessário investir na criação de um evento que pela sua dimensão contribua para a afirmação da Guarda no plano regional, com a ambição de evoluir para o plano nacional - dando como exemplo o Festival Internacional do Chocolate em Óbidos - estou inteiramente de acordo com ele! Não acredito é que esse evento possa ser nos moldes em que tem sido feita a Beirartesanato...

Espero que a equipa do Nerga consiga evoluir nesse sentido, porque é de algo assim que a Guarda precisa para aparecer e se afirmar.