terça-feira, 24 de abril de 2012

Festival de Música da Beira Interior

A Scutvias e as Câmaras de Abrantes, Castelo Branco e Guarda organizaram este ano a VII edição do Festival de Música da Beira Interior. Trata-se de um festival que proporciona a todos os que quiserem assistir alguns momentos musicais da responsabilidade de escolas de música das regiões envolvidas. No caso da Guarda, é o Conservatório que faz as despesas da programação.
O festival teve início no dia 24 de Março, com atuações em Abrantes. A seguinte é já no próximo sábado, dia 28 de Abril, em Castelo Branco, onde haverá atuações a cargo do Conservatório da Guarda e da Academia de Música e Dança do Fundão, às 21.30 no Cineteatro Avenida.
As entradas são livres, mas suponho que sujeitas a reserva prévia.
Fica a sugestão para um final de sábado com música e dança, por um preço simpático.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Crónica Diária - Rádio Alttude

Crónica de 24 de Janeiro:

"Os constrangimentos a que as medidas de austeridade em curso no nosso país nos obrigam podem e devem servir para aprendermos a viver de forma diferente, alterando alguns hábitos por forma a gastarmos mais criteriosamente os recursos de que – ainda – dispomos.
Um dos hábitos a que me refiro é o de passarmos a preocupar-nos mais com a origem dos bens que consumimos. E a privilegiar nas nossas compras tudo o que seja local.
Estamos obviamente limitados a grupos de produtos muito restritos, mas ainda assim penso francamente que este princípio aplicado por grande número de consumidores pode fazer alguma diferença. Nos restantes produtos, cuja origem tem de ser forçosamente exterior à nossa região, também devemos privilegiar a compra local, ou seja, adquiri-los a comerciantes da nossa região. Numa altura de recessão como a que atravessamos, atitudes como estas podem fazer a diferença num mercado de reduzida dimensão e cujas fragilidades são bem conhecidas de todos.
Sabendo que previsivelmente em 2013 a Balança Comercial portuguesa será, pela primeira vez em muitos anos, favorável a Portugal, é hora de nos preocuparmos com a nossa região e pensarmos nela, em termos de mercado, da mesma forma que temos pensado em Portugal. Existem por cá bastantes produtos com potencial de mercado; alguns serviços transacionáveis que poderemos aproveitar e que, no conjunto, podem contribuir fortemente para a consolidação do nosso mercado regional.
Bem sei que uma campanha como esta deveria ser feita, em primeiro lugar, pelos empresários ou, pelo menos, pelas estruturas que os representam. Mas essas, aparentemente, estão mais preocupadas em gerir as suas atividades subsidiadas pelo Estado; ou então, acham mesmo que este não é um tema que mereça grande atenção, ao contrário de mim, obviamente.
Uma segunda nota para comentar a mais recente boutade de Cavaco Silva, quando se lamentou quanto aos seus rendimentos não serem suficientes para as despesas que tem. É certo que veio já esclarecer que não queria com as suas palavras pôr-se de fora daqueles que terão de fazer sacrifícios. E com este esclarecimento, demonstrou claramente uma de duas coisas: ou não percebeu que o que indignou as pessoas foi alguém que recebe mais do que a larga maioria dos portugueses vir a público queixar-se dos seus rendimentos; ou percebeu isso claramente mas resolveu ignorar o coro de protestos que se tem feito ouvir na imprensa e nas redes sociais, porque a sua pretensa superioridade moral deve ser ser, no seu entendimento, suficiente para afastar qualquer pessoa que ouse criticá-lo.
O que é triste é que Portugal tem um Presidente da República tão cheio de si que, numa altura difícil, se acha um exemplo para os seus concidadãos. Logo ele, que toda a vida foi funcionário do Estado, por via direta ou indireta. E que, independentemente dos seus méritos, viveu nos últimos 20 anos rodeados de privilégios a que poucos podem ter acesso! Não perceber isto, é não perceber o país em que vive: um país em que o salário mínimo não chega a 500 Euros e em que mais do que um em cada dez trabalhadores não encontra emprego!
Voltando ao início da minha crónica, deixo aqui um apelo aos ouvintes: comprem local. Vamos tornar a nossa economia mais resistente às dificuldades; e para este desígnio, todos não seremos muitos. E devemos perceber que não podemos contar com os de fora para nos desenvolvermos; temos de ser nós a valer-nos uns aos outros, estimulando o sentido de comunidade e mostrando que se cá continuamos, não é por mera teimosia. É porque acreditamos em nós!"

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Água vai...

Logo pela manhã, ouvi nas rádios a notícia que deu conta de uma grande quantidade de peixes mortos na albufeira da Barragem do Caldeirão, mesmo aqui às portas da cidade. Ouvi no carro, muito de passagem, mas a ideia com que fiquei foi de que o assunto estava a preocupar as autoridades.
Foi só no final da tarde que pude voltar a ouvir falar do tema. E o que ouvi deixou-me deveras preocupado.
Os jornalistas informaram que efetivamente os bombeiros, proteção civil e uma equipa do SEPNA (Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente da Guarda Nacional Republicana) estiveram no local a recolher amostras, que estão em análise.
Tratando-se do local onde é feita a captação de água que é, depois de tratada, distribuída na rede pública da Guarda, é uma notícia preocupante. Sou aquariófilo há anos suficientes para perceber que algo de muito errado se passa num biótopo onde, de um momento para o outro, acontece um fenómeno como o descrito.
Mas o que ouvi a seguir deixou-me perplexo, para não dizer mais.
Comecei por ouvir o Delegado de Saúde dizer que não havia motivo de preocupação, que a água tem aspeto límpido e portanto pode ser consumida sem receios. Isto, vindo de qualquer profissional de saúde, é grave - até de um auxiliar hospitalar, que tem a obrigação de perceber a alarvidade que isto representa; dito por um médico, é ainda mais preocupante; mas dito pelo Delegado de Saúde é um escândalo. Sem fazer a mínima ideia do que aconteceu naquelas águas - pois tanto quanto consegui apurar não há ainda disponíveis resultados de análises conclusivos - transmitiu à população a ideia de que é seguro o consumo da água. E pergunto eu: e se afinal não fôr? E se adoecerem pessoas e as Urgências entupirem? É que das duas uma: ou realmente aquilo que o Delegado de Saúde fez é de uma negligência atroz, ou as análises cujos resultados se aguardam não servem para nada e só se fazem por... digamos... fazer?
A seguir foi a vez de um representante da Câmara Municipal declarar que alarme social nunca foi forma de resolver problemas e que as análises de que dispunha têm resultados negativos. Embora estejamos habituados aos lapsos de comunicação do executivo, constatamos que mais uma vez não deixaram os seus créditos por mãos alheias. Não me parece que o caso seja para menos do que recomendar às pessoas contenção no consumo da água até se ter a certeza do que ali sucedeu. O alarme social não resolve os problemas nem visa resolvê-los; visa, isso sim, evitar mais problemas em cima dos que já existem. Sobre as análises a que o Sr. se refere, trata-se de parâmetros básicos, cujos resultados negativos nada garantem sobre a qualidade da água.
Espero que as pessoas aproveitem a noite para refletir nas suas opções e o dia lhes traga uma clarificação daquilo que devem preservar acima de tudo - a saúde pública. E já agora que lhes traga também melhor humor...

Regresso

As últimas semanas têm sido de atividade mais intensa que o normal.
A ponto de praticamente ter abandonado o blog e os que o lêm (alguém?), e até ter estado menos disponível para a família.
Espero um regresso a níveis de atividade mais compatíveis com as minhas atividades lúdicas - entre elas escrever aqui.
A emissão segue, pois, dentro de momentos...

quinta-feira, 1 de março de 2012

Bacalhau

Por estes dias, a atualidade política tem sido alimentada pelo caso do Bacalhau. Refiro-me obviamente à intenção de compra, por parte da Câmara Municipal do edifício conhecido como "Bacalhau" na rua comandante Salvador do Nascimento.
Que o negócio tem contornos que politicamente me levantam interrogações, tem! Nomeadamente como é que uma  autarquia em situação financeira difícil, com muitas dificuldades em cumprir os compromissos assumidos, assume mais este, num contexto de crise nacional. Num momento em que tantos fazem esforços por encontrar soluções criativas que lhe permitam ultrapassar as suas necessidades momentâneas, a Câmara opta pela mais fácil: adquirir património, onerando ainda mais o futuro da edilidade.
Mas o que me deixou verdadeiramente perplexo foi a explicação do sr. presidente sobre como vai ser financiada a aquisição: respondendo a uma pergunta de um jornalista de uma rádio local, lá foi explicando, candidamente, que os pagamentos vão ser feitos à medida das possibilidades da autarquia!!!
E eu pergunto: mas alguém acredita nisto? Alguém vende o que quer que seja nestas condições, sem saber quando vai receber?
Quando alguém vende um imóvel, quer, no mínimo, saber exatamente quando vai receber a quantia devida; será que neste caso, o vendedor aceitou que uma Câmara que tem muitos meses de renda em atraso, pelo arrendamento do mesmo edifício, lho compre e lho vá pagando à medida das suas possibilidades?
Sendo o vendedor quem é - empresário conhecido na nossa praça - eu não acredito. 
Alguém acreditará?

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Crónica Diária - Rádio Altitude

A crónica de 11 de Janeiro, a primeira de 2012 foi:


"Quando iniciamos um novo ano, fazemo-lo sempre com a esperança que seja melhor que o anterior. Pela parte que me toca, este ano não é assim. Encaro com preocupação o que aí vem. E como adivinho um ano difícil, decidi desde já que tudo vou fazer para que valha a pena. Para que, no fim do ano, possa olhar para trás e perceber a realização de algo importante, que um ano é muito tempo para se desperdiçar! Quando os recursos são escassos – ou pelo menos, mais escassos do que o habitual – é importante planear para os aproveitar o melhor possível, para não perdermos de vista os nossos objectivos e não nos dispersarmos com entusiasmos momentâneos. É isto que fazem as grandes organizações para responder aos momentos difíceis que têm de atravessar; e é isto que a Guarda tem de fazer: concentrar esforços, energia e recursos em objectivos verdadeiramente estratégicos. Quando falo da Guarda, falo obviamente de todos nós, que cá moramos e cá trabalhamos; que nos esforçamos todos os dias por construir uma cidade melhor. Mas obviamente cabe às instituições que gerem a cidade criar o consenso necessário para que todos possam dar o seu contributo. Na minha opinião, existem 3 vectores fundamentais de atuação para que a Guarda possa nos próximos anos desenvolver-se por forma a criar condições quer para os que cá vivem e fazem negócios, quer para aqueles que necessariamente terá de cativar a virem para cá. O primeiro é a imagem. É necessária uma política de imagem sobre a qual assente toda a comunicação. Quer passe pela neve, pelo frio, pela montanha, pelo arroz doce ou por qualquer outro atributo, é urgente uma definição e passar a trabalhar em cima dela. A comunicação de eventos que atingiram já alguma projeção nacional – o julgamento do galo, nos eventos de rua, a programação do TMG na área cultural ou a Invernal de BTT no Desporto são alguns exemplos de atrações que só terão a beneficiar de um denominador comum em termos de imagem! O segundo vetor é o ambiente para os negócios. Há falta de iniciativa privada na Guarda. O que abre as portas aos tentáculos do poder político, que a tudo chega. É necessário inverter esta lógica e a melhor forma é permitir aos empresários que façam aquilo que sabem fazer – negócios – num ambiente de transparência. Regras claras, bem definidas e prazos razoáveis para a apreciação de pedidos é tudo quanto é preciso. Não se podem esperar meses por uma licença para realizar obras; nem semanas para pedidos que são renovados anos e anos a fio. Criem-se as regras, divulguem-se e façam-se aplicar em prazos curtos e que sejam sempre, mas sempre cumpridos. Dêem-se sinais claros de que na Guarda, o cidadão ou o empresário que cá queira investir, sabe exatamente com o que conta. Porque hoje não é assim e a falta de estabilidade, a incerteza, é algo que afasta quem quer investir. Havendo investimento haverá a criação de postos de trabalho e de riqueza, que é do que todos precisamos para uma cidade melhor. O terceiro vetor é iberização da cidade; embora este possa em muito cruzar-se com o primeiro que enunciei, pela sua importância estratégica merece o devido relevo. Neste ponto devo dizer que, para fazer justiça, têm sido dados passos importantes na afirmação da Guarda como Hub ibérico ao nível económico, mas também ao nível cultural. É necessário que esse trabalho seja mais bem divulgado e explicado aos cidadãos e que se continue a apostar nele como forma de afirmação da região numa realidade cada vez mais aberta a novos conceitos territoriais. Se somos a cidade portuguesa mais central da península, é importante capitalizar esse activo. E isso faz-se transformando esse atributo em oportunidades de negócios e em ações que melhorem as condições de vida da sua população. A aposta deve pois ser em projetos com impacto nestes 3 vectores. Tudo o resto, ainda que sejam oportunidades, apenas servirá para desviar recursos daquilo que, no futuro, poderá diferenciar a Guarda das outras cidades do País. Está pois na hora de dizer, como no jogo: Cavalheiros, façam as vossas apostas!"

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Hotel de Turismo


Falei do tema há já algum tempo (aqui).

Embora na altura já tivesse mais ou menos a mesma opinião de hoje sobre este negócio, achei que ainda assim o assunto merecia, da minha parte, o benefício da dúvida.
Mas hoje já nem isso dou: o negócio da venda do Hotel de Turismo da Guarda ao Turismo de Portugal foi um mau negócio para a Câmara, para o Estado e para a Guarda.
Para a Câmara porque não rentabilizou um Património ao nível do seu verdadeiro potencial (à altura da venda; hoje as contas são outras, apesar de terem passado escassos meses...); e porque a falta de transparência no negócio afeta seriamente a sua credibilidade.
Para o Estado, porque assumiu um compromisso e numa altura em que não tem capacidade financeira para investir vê-se na obrigação de cumprir o acordado com a Câmara da Guarda, ficando na posse de um Património em que dificilmente investirá nos próximos tempos - como era sua intenção à altura da aquisição (pelo menos quero acreditar que sim...).
E para a Guarda, por que verá um Património, arquitetónico e afetivo, degradar-se à medida que o tempo passa, numa zona da cidade de grande nobreza dignidade.
Sejamos claros: nos dias de hoje, com a oferta de que a Guarda dispõe a nível hoteleiro, já não fazia qualquer sentido a Câmara da Guarda manter a exploração do Hotel, ainda por cima com prejuízos de exploração crónicos. Da mesma forma que não faz sentido que agora essa exploração passe para o Estado.
Há obviamente a salvaguardar um Património importante da Guarda: o edifício do hotel e aquilo que ele representa em termos de memórias para a cidade. Mas isso poderia ser salvaguardado contratualmente.
O processo de alienação deveria ter passado por um concurso público, com regras claramente definidas, onde qualquer interessado pudesse fazer a sua melhor oferta. 
Era necessária a salvaguarda da traça do edifício? Impusesse-se essa condição! Vejam, a título de exemplo, o magnífico trabalho de recuperação de um edifício histórico convertido em Hotel nos casos do Palácio da Lousã ou, num segmento mais exigente, no Palácio do Freixo!
Era estrategicamente relevante a Escola de Hotelaria? Veja-se como essa valência coexiste com a iniciativa privada neste caso.
Em todo o caso, dever-se-ia ter preferido a iniciativa privada à solução adotada, que não se sabe muito bem no que irá dar... E, ao que se sabe, candidatos até foi havendo: José Luís Almeida, com investimentos na hotelaria bem sucedidos foi o primeiro de que ouvi falar; mas também um grupo de empresários da cidade, entre os quais Pedro Tavares, se mostraram interessados no negócio sem que, ao que dizem, a Câmara tenha valorizado o seu interesse...
Agora, a meio-caminho de passar para as mãos de um proprietário sem capacidade de investimento, sem vocação para esse investimento e que é provavelmente o proprietário que pior trata o seu Património em Portugal, quase que me apetece que se cumpra o pedido de Álvaro Amaro a Pedro Passos Coelho, quando este passou pela Guarda na última campanha eleitoral: que "NÃO PAGUE!!!".
Talvez assim o negócio se desfaça e a Câmara ainda vá a tempo de emendar a mão e fazer o negócio como deve ser: impondo as condições que salvaguardem o interesse da cidade num concurso público onde quem demonstre ter mais e melhor iniciativa possa tomar conta do Hotel e devolver-lhe a dignidade que ele merece!