sexta-feira, 1 de abril de 2011

Crónica Diária - Rádio Altitude

A minha crónica de 30 de Abril:


"De entre a catadupa de más notícias que ultimamente temos recebido, foi quase sem surpresa que soubemos na semana passada que o chefe de Governo apresentou ao Presidente da República a demissão. Em qualquer país democraticamente evoluído, isto criaria nos cidadãos apreensão e preocupação, levando-os a envolverem-se. Como já nos tinha sido anunciada tantas vezes e há tanto tempo, a notícias chegou-nos sem grande surpresa. Como o fim de uma longa espera, que percebemos com alívio. O cenário mais provável é o de eleições antecipadas; e neste, atrevo-me a antecipar – ou pelo menos desejar – que as pessoas se mobilizem para votar em massa, para fazer uma opção clara, contrariando os elevados níveis de abstenção que se têm verificado em eleições anteriores. Mesmo sabendo que as eleições legislativas são das que mais mobilizam os eleitores… Mesmo não tendo sido divulgadas ainda propostas concretas, é importante que elas sejam conhecidas, discutidas, clarificadas. Porque há escolhas importantes para fazer. A situação das nossas finanças públicas é, como se sabe, muito delicada; exige que se tomem medidas musculadas, quanto mais depressa melhor. Sabemos que Portugal tem vivido acima das suas possibilidades e isso não era dramático num cenário de crescimento da economia mundial, porque existiam recursos financeiros abundantes e baratos que podíamos ir utilizando para sustentar os nossos vícios. Sabemos também que muitos desses recursos financeiros baratos que fomos utilizando eram, afinal, enormes bolhas especulativas. Que quando rebentaram percebemos terem afinal muito menos substância que aquela que o seu invólucro permitia adivinhar… E foi quando se percebeu que os tais recursos financeiros não eram assim tão abundantes que eles deixaram de ser baratos, como sempre acontece na economia real. E ao deixarem de ser baratos, demo-nos finalmente conta que os nossos vícios nos estão a sair demasiado caros e que teremos de passar sem eles; ou, pelo menos, sem alguns… Claro que falo aqui em vícios em sentido figurado, pois muitos deles são indispensáveis para as nossas vidas, como sejam a saúde, o direito à reforma, à educação, etc. O facto de lhes chamar vícios tem mais a ver com a forma como estão organizados do que com a substância em si, que nenhum de nós hesitaria em considerar importante. Assim, as escolhas a fazer serão quanto à forma de moderarmos o nosso apetite – e digo nosso enquanto nação – pelos nossos vícios. Não basta dizermos que temos de gastar menos e melhor; que temos de ser mais criteriosos a aplicar o nosso dinheiro. É preciso perceber exactamente como tornar esses desígnios em realidade, porque será com esta que teremos de passar a conviver no nosso dia-a-dia. Temos de exigir que tudo isto nos seja devidamente explicado, para podermos fazer as nossas opções de forma esclarecida, de acordo com aquilo que achamos que será o melhor caminho para o nosso país. Costuma dizer-se que os momentos de crise acabam por se revelar boas oportunidades de mudança, para quem vê as oportunidades que surgem com as dificuldades. E eu espero que este seja o momento em que de alguma forma os cidadãos se possam reconciliar com a política e se voltem a envolver nela, a participar. Não basta ficarmos à espera que a moralizem, que a elevem, que façam o que quer que seja. Tudo isso está nas nossas mãos; basta chegarmo-nos à frente, envolvermo-nos e darmos a cara pelas nossas opções. Isso sim será o melhor contributo para a moralização e a elevação da política. Deitemos-lhe as mãos!"

terça-feira, 29 de março de 2011

Investimentos...


Devo aqui ao blogue alguns textos, nas últimas semanas, que hei-de repôr muito brevemente. Mas ao saber da mais recente aquisição da Câmara da Guarda, não podia de aqui deixar algumas questões que o tema me coloca.
Falamos de uma Câmara que está actualmente fortemente limitada na sua capacidade de actuação pelas dificuldades financeiras que atravessa; que, segundo dizem alguns, deve muito dinheiro a fornecedores que não podem falar publicamente porque senão acabam os negócios com a Câmara (imagino então que sejam proveitosos...); que deve à banca muitos milhões de Euros, pelo que deduzo que terá actualmente encargos financeiros que pesarão cada vez mais, face à tendência de subida das taxas de juro que veremos nos próximos anos.
Perante este cenário, e com o produto da venda do edifício do hotel de turismo, não seria sensato amortizar alguma dessa dívida; deixar as vindouros um ónus menos pesado? Parece não ser este o caminho que o executivo quer seguir, ao ter anunciado a compra do edifício conhecido como "bacalhau", onde funciona a escola profissional da Guarda.
Obviamente nada me move contra o projecto; daquilo que conheço, é um projecto bem sucedido e que tem dado o devido contributo para que a Guarda possa oferecer aos seus cidadãos mais opções na hora de optar por uma via de formação. Mas existem concerteza outras opções. Existem sempre outras opções.
Se o património da Câmara tem crescido à custa de financiamento bancário para lá do desejável e, provavelmente muito em breve, do suportável, não estará na hora de ponderar a hipótese de tornar esse património mais operacional? Adequá-lo à sua real capacidade financeira?

domingo, 27 de março de 2011

Crónica Diária - Rádio Altitude

Crónica de 16 de Março:

"Notícias recentes na imprensa regional dão conta que a reorganização da rede escolar pública deverá, já no próximo ano, fazer mais algumas vítimas entre as poucas escolas que restam nos meios mais rurais do Distrito.
Sendo o primeiro a concordar com que se dê a todos os jovens oportunidades de aprendizagem em ambiente propício, quer ao nível das condições físicas dos edifícios, quer ao nível da sã convivência entre os alunos, preocupam-me as consequências que o encerramento de escolas vai ter nas aldeias do Distrito.
Se pensarmos que só o Concelho da Guarda tem 55 freguesias, que destas certamente mais de 90% são aldeias, com uma média de 2500 pessoas, rapidamente se conclui a importância que uma simples escola adquire em comunidades tão restritas. Se a isto juntarmos o perfil demográfico dos residentes – evidenciando uma população bastante envelhecida – não é difícil antever a aceleração do processo de morte de algumas destas aldeias.
Com o fecho das escolas, a fraca atractividade das actividades agrícolas na nossa região e a escassez de emprego nas nossas aldeias, os custos de por lá ficar a viver serão brevemente incomportáveis, não restando outra solução aos activos residentes senão a de procurar melhor vida nas vilas ou cidades, num movimento migratório que ditará o fim de muitas dessas aldeias.
Apesar de tudo isto ser mais ou menos evidente, não vejo da parte das autoridades com responsabilidade no planeamento territorial grandes preocupações.
Entre amigos, costumo dizer que o último governante a preocupar-se com a ocupação de todo o nosso território foi D. Sancho I – o que lhe valeu o cognome de O Povoador – e que depois dele poucos foram os que se debruçaram e fizeram esforços nesse sentido.
Razão pela qual hoje temos quase ¾ da população concentrados junto à faixa Litoral, com os custos que daí advêm – assimetrias regionais graves, custos na qualidade de vida das pessoas, custos ambientais, para citar os mais óbvios.
Com a intensificação da migração e o desaparecimento natural dos mais velhos, em menos de 20 anos a maior parte das nossas aldeias ficarão completamente desertas. Cabe-nos pois, reflectir se é este o destino que queremos para elas. E como queremos o nosso Concelho daqui a 20 anos.
A isto chama-se planeamento estratégico e é coisa que não estamos habituados a fazer. São as Comissões de Coordenação Regional que o fazem por nós. Mas participar nas suas decisões, nas Consultas Públicas, é um acto de cidadania. E divulgar essas consultas – ou quaisquer outras forma de participação – é um acto de boa gestão política.
Voltando ao início desta minha crónica, defendo para as crianças uma escola que lhes dê conhecimento e ajude a integrá-las na sociedade. E essa escola não funciona com 10 ou 12 alunos.
Defendo que o nosso Concelho mantenha e tire partido da ruralidade que lhe é característica. E isso faz-se com gente com formação. Que aproveite as condições que o mercado global apresenta para novos modelos de exploração dessa ruralidade.
Vale a pena pensarmos se queremos ter 100 aldeias, a maior parte delas moribundas, ou 30 núcleos de aldeias com gestão conjunta e com vitalidade própria.
Tudo isto de que falo é um processo que está em marcha e há muito se iniciou. Não vai ser possível pará-lo para tomar decisões colaterais. Mas as que forem tomadas condicionarão certamente o resultado final. Por isso, deixo o desafio a agências de valorização territorial e organismos com competência na valorização da envolvente para rapidamente promoverem uma discussão que possa dar resposta a pelo menos algumas destas questões. O Concelho, a suas gentes e a desejável coesão sairão certamente beneficiados."

quarta-feira, 2 de março de 2011

Crónica Diária - Rádio Altitude

Ouço dizer cobras e lagartos do Facebook. Mesmo aqui, aos microfones da rádio, tenho ouvido algumas opiniões muito críticas acerca do fenómeno, que obviamente respeito. Parece-me até natural que tal aconteça, tal é a mudança de paradigma de relacionamento que as ditas redes sociais – das quais o facebook é a mais popular, pelo menos no nosso País – vêm trazer.

Pela minha parte, confesso que gosto imenso das possibilidades que as redes sociais me dão de comunicar. De re-encontrar amigos, de reatar elos quebrados, de enviar facilmente uma palavra – um sinal – de que uma pessoa, uma frase, um pensamento chegam a mim, ainda que esse sinal seja um “Like”. Há todavia um princípio básico que uso desde sempre: estou no Facebook como na vida. Dou a cara pelas minhas opiniões, respeito as opiniões diversas, esforço-me por cumprir o que prometo.

Tudo isto vem a propósito da manifestação contra a introdução de portagens realizada na passada segunda-feira na sessão da Assembleia Municipal.

Já aqui havia referido, logo na minha primeira crónica da actual temporada, que considero a introdução de portagens na A23 e na A25 uma traição feita à Guarda. Não concebo como é que responsáveis do Partido Socialista disseram na Guarda que não haveria introdução de portagens nestas 2 vias, foram eleitos com os votos dos cidadãos da Guarda, e agora, perante a anunciada introdução dessas mesmas portagens, assobiam para o lado como se não fosse nada com eles. Como se fosse algo que não lhes diz respeito. Do seu silêncio, apenas posso concluir que este caso passará sem consequências…

Assim sendo, não poderia deixar de me associar ao protesto. O convite surgiu via Facebook. Não sei se devido à facilidade de disseminação da mensagem pelo efeito de networking, se por questão de moda. Não respondi logo, porque tratando-se de uma segunda-feira de manhã, não poderia assumir o compromisso de estar presente sem antes avaliar se no meu local de trabalho teria condições de me ausentarr. Reunidas essas condições, lá me dispus a juntar-me ao protesto logo que me foi possível. Ouvi no caminho, pela rádio, o seu principal dinamizador referir que tinha mais de 200 confirmações no facebook, pelo que previa uma afluência razoável.

Depois de entrar na sala da Assembleia Municipal com ligeiro atraso – embora não tanto como certamente mais de metade dos deputados municipais – apercebi-me de quão poucos eram os manifestantes. Muito longe dos tais 200 esperados. E lembrei-me que de facto é mais fácil clicar em “Vou estar presente” no conforto da sala de estar numa noite de fim de semana e pôr o assunto para trás das costas, do que passar a manhã de segunda feira a correr, para poder dispor de algum tempo para me juntar ao protesto, tempo que no final do dia tive de compensar, que o controlo biométrico de presenças não perdoa.

Uns diziam que, por ser dia de trabalho, muita gente não tinha podido ir; outros falavam na falta de divulgação; entre outros motivos apontados para a baixa afluência. Por mim, só encontro uma explicação: desinteresse. Falta de cultura cívica. A mesma que justifica a elevada abstenção nas útlimas eleições. Ou que estejam presentes 5 ou 6 sócios em assembleias gerais de associações ou clubes com centenas, às vezes milhares, de sócios. Sócios esses que têm sempre uma opinião pronta sobre o que deveria ser feito e ninguém faz.

Não compreendo como numa cidade como a Guarda não se encheu completamente a Galeria pública da sala da assembleia; abro aqui um parêntesis para confessar que, ingenuamente, era esse o meu receio ao chegar atrasado: já não caber na sala. Não percebo porque não foram essas 200 pessoas protestar; ou 100, que fosse… Porque continuo convencido que a maior parte das pessoas é contra as portagens. Não estão é para se maçar por isso!

O séc. XX foi um século de grandes conquistas civilizacionais; que custaram muita energia, às vezes vidas. E hoje, que o mais difícil está feito, parece que já nada consegue mobilizar as pessoas.

A geração dos meus pais, filhos da beira, passou por muitas privações: de educação, cultura, até de alimento; a minha, foi criada com muito mais abundância, embora ainda com a preocupação em gerir com olhos postos no futuro. A dos meus filhos, francamente, não sei que futuro terá. Duma coisa tenho a certeza: colherão aquilo que nós lhes deixarmos semeado. E isso preocupa-me imenso…

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Crónica Diária - Rádio Altitude

Crónica na Rádio de 16 de Fevereiro:
"Em tempos difíceis, exige-se-nos que sejamos duplamente criteriosos na hora de aplicarmos o nosso dinheiro ou, de forma mais abrangente, os nossos recursos. E são difíceis os tempos que vivemos…
Por isso, custam-me entender algumas opções de investimento que têm sido tomadas na Guarda. Estradas irrepreensivelmente arranjadas em locais que qualquer um de nós considera como ermos, e um parque industrial com vestígios de alcatrão nalgumas das suas ruas são apenas um exemplo. Não é que as pessoas que vivem em meios mais rurais não tenham direito ao progresso. Que a visão humanista da distribuição de recursos deve também estar presente na hora do seu rateio. Mas nalguns casos, mais do que atender a factores de mobilidade, o que se verificou foi uma verdadeira perversão da ruralidade de sítios que são, quer queiramos quer não, eminentemente rurais. E preocupa-me essa perversão, bem como o ónus que fica para o futuro com a manutenção dessas vias alcatroadas. Sim, que uma coisa é manter um caminho em bom estado de circulação, outra muito diferente é manter uma estrada alcatroada, com os rigores invernais que açolam a nossa região.
Também o sistema de iluminação pública deveria ser revisto. Com a nomeação de uma Comissão Técnica, que estude o sistema existente, as suas falhas e, admito, excessos, e proponha ajustamentos, soluções de poupança, melhorias na relação custo/benefício. Existem hoje sistemas de iluminação variável, em função da detecção de movimento, que permitem enormes poupanças. Existem novos tipos de sistemas de iluminação mais eficientes. Este é um caminho que muita gente, à escala da sua possibilidade, tem vindo a fazer. Impõe-se também que a autarquia, que suporta custos monstruosos com o sistema de iluminação pública, se esforce por aplicar melhor os parcos recursos de que dispõe. E que tem tanto por onde aplicar.
Sem grandes obras estruturais em curso, seria porventura a altura propícia para se proceder a uma reorganização interna – um caminho que diversos organismos e mesmo empresas privadas estão actualmente a seguir. Não sou dos que dizem que na Câmara da Guarda tudo funciona mal, mas conheço o suficiente para estar convicto de que há espaço para melhorias, que se traduzirão em poupança do lado de lá, e mais transparência e acessibilidade do lado de cá.
E por falar em obras estruturais, foi com muita satisfação que tomei conhecimento do início das obras do Centro de Remo no Pocinho, em Vila Nova de Foz Côa. No enclave norte do Distrito, Foz Côa tem a sua identidade dividida entre a Serra e o Rio. Um Património riquíssimo do ponto de vista arqueológico. Mas também do ponto de vista do património paisagístico.
Conheço a dinâmica que o remo tem tido na Barragem do Maranhão, onde diversas selecções de países do norte da Europa treinam frequentemente. O Pocinho, com este investimento e com a adequada cobertura hoteleira – que importa assegurar – ficará com condições fantásticas para ambicionar ser uma referência num mercado de nicho, altamente especializado e profissional. Do ponto de vista do turismo, essa característica distintiva fará toda a diferença na hora de concorrer com outras regiões, com outros empreendimentos. E isso, por si só, poderá representar para Foz Côa um novo fôlego, a juntar ao recente Museu Arqueológico.
O Distrito da Guarda tem hoje um conjunto de pontos de referência turística que, de forma isolada, têm já alguma capacidade de atracção. Que uma política articulada de promoção conjunta pode elevar fortemente. Pelo que faz cada vez mais sentido que os diversos parceiros se reúnam debatam entre si estratégias comuns de promoção, nacional e internacional. Um fórum do turismo no Distrito, promovido pelos investidores e com a participação das entidades oficiais faz pois todo o sentido. Devem ser os privados o motor de tal iniciativa, como forma de sinalizar claramente a vontade de aproveitar todo o potencial do Distrito em matéria de Turismo. Não ficando, como em tantas outras ocasiões, à espera que sejam as entidades públicas a promover o debate, ficando depois os privados reféns dessas iniciativas.
Há condições na Guarda para sermos melhores. Basta jantarmo-nos e caminharmos em conjunto.
"

À mulher de César não basta ser séria!


O Presidente da República, Cavaco Silva, mandou divulgar publicamente ter abdicado do seu vencimento de Presidente da República (no valor de 7.415 Euros mensais), ficando apenas a auferir duas pensões de reforma (uma de catedrático da Universidade Católica e outra da actividade que exerceu no Banco de Portugal, totalizando ambas 10.042 Euros mensais). Tendo sido uma "opção" que foi obrigado a fazer por força da publicação da Lei de Orçamento de estado para 2011, que acaba com a possibilidade de acumular pensões com vencimentos do Estado. Cavaco Silva optou assim pela situação que para ele é mais vantajosa economicamente.

Sucede porém que todos os políticos em idênticas condições tiveram de fazer igual escolha. Entre eles, o Governador Civil da Guarda. Só que neste caso, a postura foi diferente.

De acordo com o Jornal "Nova Guarda", Santinho Pacheco optou por receber o vencimento de Governador Civil, apesar de este ser mais baixo que a pensão de reforma das suas actividades profissionais que auferia. Diz o Governador Civil que está nas funções "(...) com muito gosto, com muita honra (...)", e que "Onde todos pagam nada é caro.".

Perante situações idênticas, duas posturas diferentes. Porque na política, a ética e sentido de serviço público escasseiam cada vez mais, não podia deixar de assinalar o exemplo dado pelo Governador Civil da Guarda.

Não basta bater no peito e proclamar respeitabilidade e honorabilidade; à mulher de César, não basta ser séria!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Em autogestão...?


Enquanto me dirigia hoje pela manhã para o meu local de trabalho, aproveitei, como na maior parte dos dias, para ouvir as notícias.

Das notícias de hoje, a que teve maior destaque foi a greve do pessoal da CP - a empresa pública de transportes ferroviários. Não conheço muito sobre esta empresa; sei que tem uma exploração deficitária, que se mantém no pressupostos da prestação de um serviço público, e pouco mais...

Mas do que ouvi, 2 aspectos merecem o meu reparo e a minha preocupação:

1. um tribunal arbitral decretou serviços mínimos, que os trabalhadores da empresa não cumpriram; segundo um representante do sindicato dos ferroviários, não foram cumpridos os serviços mínimos decretados porque o sindicato entende que o acórdão do tribunal arbitral não apresenta fundamentos para a decisão tomada e eles não concordam com ela;

2. na linha Sintra-Cascais a CP instruiu os maquinistas ao serviço para pararem em todas as estações, mas constatou-se ao longo do início da manhã que essas instruções não estavam a ser cumpridas pelos referidos maquinistas.

Portanto, os trabalhadores da CP não concordaram com o Tribunal arbitral nem com a própria empresa, pelo que fizeram aquilo que eles acharam ser correcto.

É impressão minha ou reina por lá alguma falta de autoridade...?