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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Luis Sepúlveda


Ontem à noite, no programa de Paula Moura Pinheiro, Câmara Clara, o convidado foi Luis Sepúlveda. Nascido no Chile, viveu por dentro a revolução de Allende, e após conhecer as agruras da estúpida ditadura de Pinochet, tornou-se, por força do exilio a que foi votado, um cidadão do mundo.


O primeiro livro que li de Sepúlveda foi "O Velho que lia Romances de Amor", a história improvável de um homem que, nos confins da Amazónia, votava o seu tempo livre a um vício inconfessável. Uma história enternecedora que é também uma grande lição sobre o respeito pela Natureza, em todas as suas expressões! Pelo menos é assim que o recordo, uma vez que já lá vão mais de 10 anos. Se calhar era boa ideia reler... Para todos os efeitos, é um livro que recomendo, a par com "A História de um Gato e da Gaivota que o ensinou a voar", a todos, especialmente em dias como estes 3 ou 4 últimos, que puxam a "melancolia"...


A entrevista, que pode ser vista no site do programa, foi muito interessante, como o são geralmente as entrevistas a Homens com vidas tão ricas quanto este de que falo. Retive todavia 2 aspectos que me tocaram especialmente:

- a confissão de que, após o exílio, a volta é sempre muito dolorosa e acompanhada de uma sensação de não ser aquele o seu lugar de origem, pois as memórias congelam-se e não evoluem como os lugares e as gentes, ao longo dos anos; tenho pensado nisso a propósito de algumas iniciativas de "re-encontro de antigos alunos", a que dedicarei um post futuro;

- a constatação do autor de que os eventos mais significativos, a nível mundial, na área da literatura - mas que pode ser estendido a outras artes - são geralmente realizados em cidades pequenas; isso dá-lhes especial encanto, pois em comunidades mais pequenas a vivência do evento é mais generalizada a todos... Por outro lado, um evento destes, pode dar aos locais onde se realiza uma projecção com impacto muito superior àquele que daria a uma grande cidade, por exemplo uma capital.
Achei esta constatação muito importante e interessante para ser pensada e discutida numa cidade como a Guarda. Espero que outros tenham visto o programa e tido a mesma ideia.

domingo, 13 de setembro de 2009

Livros - "O rastro do jaguar"


Da autoria de Murilo Carvalho, jornalista brasileiro, é uma estória feita de estórias belíssimas.
Apesar de a beleza por vezes emergir do horror que sempre existe em cenários de guerra. Ainda assim, ancorado na busca da identidade de um Homem que sabe que é mais do que aquilo que conhece de si, é uma narrativa que prende desde o primeiro capítulo. A escrita, embora por vezes algo densa, beneficia imenso do "calor" transmitido pelo autor.
O livro encerra ainda uma perspectiva histórica importante - as guerras pela independência na América do Sul em finais do séc. XIX - que para mim era praticamente desconhecida, apesar de nalguns pontos de cruzar com a nossa própria história.
Para temperar todos estes ingredientes, a mística associada aos povos nativos que foram dizimados por sucessivas ondas de ocupação dos seus territórios.
Apesar de exigir algum tempo para a sua leitura (são quase 600 páginas), que ainda por cima não pode (ou pelo menos não deve) ser apressada, vale bem a pena o tempo dispendido ou, se quisermos, o tempo que passaremos na sua companhia.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Livros - "A Ninfa Inconstante"


Um livrinho pequeno, quase "de bolso", que resolvi ler durante as férias passadas. Escrito por um Cubano - Guillermo Cabrera Infante - conta-nos uma história de amor (ou será de paixão?), na calma que geralmente antecede as tempestades violentas, neste caso a revolução.

É uma história feita de muitas histórias, apesar da sua simplicidade.

Claro que uma história de amor latina, num país com a riqueza cultural que tem Cuba, tem todos os ingredientes para ser bela.

Sobre a escrita, uma palavra: cativante! Mas fiquei com a nítida sensação que o livro perde (e muito!) com a tradução. Algumas passagens só fazem mesmo sentido se as traduzirmos para Castelhano enquanto lemos; apesar de um trabalho esforçado do tradutor e das notas que junta, ainda assim perde-se informação. Tanto que, logo que possa, vou comprar uma versão original e relê-lo...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Livros


Nos últimos anos, as férias de Verão em família têm sido passadas na Praia. A ideia é passar o máximo tempo ao ar livre, num ambiente descontraído, sem sujeitar a pequenada a muitas viagens que os aborrecem de morte. Nesses dias, aproveito para ouvir música (alguma) e ler (muito).

Como além desses livros ainda estão os outros que vou lendo ao longo do ano, ao fim de algum tempo acabo por confundir alguns e quando me perguntam por sugestões acabo por ter alguma dificuldade. Por isso decidi que vou começar a colocar aqui as impressões com que fico dos livros que me vão passando pelas mãos. Não tenho a menor pretensão de fazer aqui crítica literária, já que me confesso incompetente para tal; serão apenas observações pessoais, a título de memória, que poderão eventualmente servir como guia para alguém que procure uma sugestão de leitura.

Feita esta introdução, aqui ficam as primeiras notas:




Título: O Milionário de Lisboa

Autor: José Norton


Trata-se de uma biografia romanceada do Conde do Farrobo; passa-se na primeira metade do Sec. XIX - uma época de grandes mudanças sociais e políticas, quer em Portugal quer no resto da Europa. O Conde era um grande amante (e intérprete amador) de Teatro Lírico, tendo sido director do São Carlos.

Trata-se de um livro escrito numa libguagem clara, em que a narrativa flui de uma forma bastante agradável; a personalidade multifacetada do biografado ajuda a construir uma cadeia de acontecimentos que nos dão uma imagem clara da forma de vida da nobreza daquele tempo. Enfim, um livro muito agradável de ler, ligeiro e com uma perpectiva histórica interessante. Uma boa aposta para férias.