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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Concorrência

1. Em 2 praças da Guarda estão instalados ecrâs gigantes de video para as pessoas assistirem aos jogos do Europeu de Futebol; em ambos há esplanadas de bares; num caso foi um bar que pagou a instalação; no outro, foi a autarquia; acham que ambos concorrem em idênticas condições?

2. em 2 ginásios da Guarda o nº de clientes tem baixado devido à subida do IVA e ao agravamento das condições de vida que todos experimentamos; num deles, os gerentes têm de manter os pagamentos a fornecedores, fazer promoções e mesmo baixar o preço das mensalidades para poder subsistir; noutro, o preço consegue ser mais baixo que no primeiro, mas é explorado pela autarquia; acham que ambos concorrem em idênticas condições?

Se há áreas em que o investimento público é fundamental para assegurar o acesso a determinados serviços que não são financeiramente sustentáveis - o TMG é disso um claro exemplo e uma aposta da Câmara à qual reconheço um enorme mérito; outro será o complexo de Piscinas Municipais - outras há em que o investimento público desvirtua o mercado e faz concorrência desleal aos operadores privados. 
Por isso, é importante que se revejam os critérios exploração de atividades económicas por parte da Câmara.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

MORTE

De novo a morte vai ser espetáculo na Guarda.
Quando nos mais diversos sítios do globo temos notícia de serem dados passos para o fim do espetáculo repugnante e lamentável que são as touradas, na Guarda parece que cada vez se investe mais nelas!
E de novo aí está mais um destes tristes eventos: a Câmara, através da Agência de Promoção da Guarda, vai organizar uma tourada no âmbito da Feira de São João.
No que a mim diz respeito, será um dia negro para a nossa cidade. Um dia em que se vai celebrar a morte de animais, montando à sua volta um espetáculo que considero repugnante e incompatível com valores do nosso tempo.
Costumo divulgar os eventos que por cá se vão realizando - no entrudo, no feriado municipal - e tenho convidado familiares e amigos para visitarem a Guarda nessas ocasiões. Fá-lo-ia também a propósito da Feira de São João - uma iniciativa que tem sido um bom exemplo de atração turística nos últimos anos - não fora esta desgraçada ideia de agora lhe pespegar uma tourada. 
No que se refere aos patrocinadores, não irei comprar um alfinete que seja a qualquer um deles durante este ano! Será a minha forma de protesto. Espero que outros se juntem a mim.
Uma última nota para dizer que espero das associações de defesa dos animais da nossa cidade uma posição clara sobre a realização deste evento.

Atualização em 10-6-20112: para além de patrocinadores, o cartaz do evento anuncia também um conjunto de media partners, entre eles a Rádio Altitude, com quem mantenho uma colaboração quinzenal. Informei já o diretor da Altitude que, a título de protesto, não gravarei a minha próxima crónica, que deveria ir para o ar em 13-06-2012.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Bacalhau

Por estes dias, a atualidade política tem sido alimentada pelo caso do Bacalhau. Refiro-me obviamente à intenção de compra, por parte da Câmara Municipal do edifício conhecido como "Bacalhau" na rua comandante Salvador do Nascimento.
Que o negócio tem contornos que politicamente me levantam interrogações, tem! Nomeadamente como é que uma  autarquia em situação financeira difícil, com muitas dificuldades em cumprir os compromissos assumidos, assume mais este, num contexto de crise nacional. Num momento em que tantos fazem esforços por encontrar soluções criativas que lhe permitam ultrapassar as suas necessidades momentâneas, a Câmara opta pela mais fácil: adquirir património, onerando ainda mais o futuro da edilidade.
Mas o que me deixou verdadeiramente perplexo foi a explicação do sr. presidente sobre como vai ser financiada a aquisição: respondendo a uma pergunta de um jornalista de uma rádio local, lá foi explicando, candidamente, que os pagamentos vão ser feitos à medida das possibilidades da autarquia!!!
E eu pergunto: mas alguém acredita nisto? Alguém vende o que quer que seja nestas condições, sem saber quando vai receber?
Quando alguém vende um imóvel, quer, no mínimo, saber exatamente quando vai receber a quantia devida; será que neste caso, o vendedor aceitou que uma Câmara que tem muitos meses de renda em atraso, pelo arrendamento do mesmo edifício, lho compre e lho vá pagando à medida das suas possibilidades?
Sendo o vendedor quem é - empresário conhecido na nossa praça - eu não acredito. 
Alguém acreditará?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Hotel de Turismo


Falei do tema há já algum tempo (aqui).

Embora na altura já tivesse mais ou menos a mesma opinião de hoje sobre este negócio, achei que ainda assim o assunto merecia, da minha parte, o benefício da dúvida.
Mas hoje já nem isso dou: o negócio da venda do Hotel de Turismo da Guarda ao Turismo de Portugal foi um mau negócio para a Câmara, para o Estado e para a Guarda.
Para a Câmara porque não rentabilizou um Património ao nível do seu verdadeiro potencial (à altura da venda; hoje as contas são outras, apesar de terem passado escassos meses...); e porque a falta de transparência no negócio afeta seriamente a sua credibilidade.
Para o Estado, porque assumiu um compromisso e numa altura em que não tem capacidade financeira para investir vê-se na obrigação de cumprir o acordado com a Câmara da Guarda, ficando na posse de um Património em que dificilmente investirá nos próximos tempos - como era sua intenção à altura da aquisição (pelo menos quero acreditar que sim...).
E para a Guarda, por que verá um Património, arquitetónico e afetivo, degradar-se à medida que o tempo passa, numa zona da cidade de grande nobreza dignidade.
Sejamos claros: nos dias de hoje, com a oferta de que a Guarda dispõe a nível hoteleiro, já não fazia qualquer sentido a Câmara da Guarda manter a exploração do Hotel, ainda por cima com prejuízos de exploração crónicos. Da mesma forma que não faz sentido que agora essa exploração passe para o Estado.
Há obviamente a salvaguardar um Património importante da Guarda: o edifício do hotel e aquilo que ele representa em termos de memórias para a cidade. Mas isso poderia ser salvaguardado contratualmente.
O processo de alienação deveria ter passado por um concurso público, com regras claramente definidas, onde qualquer interessado pudesse fazer a sua melhor oferta. 
Era necessária a salvaguarda da traça do edifício? Impusesse-se essa condição! Vejam, a título de exemplo, o magnífico trabalho de recuperação de um edifício histórico convertido em Hotel nos casos do Palácio da Lousã ou, num segmento mais exigente, no Palácio do Freixo!
Era estrategicamente relevante a Escola de Hotelaria? Veja-se como essa valência coexiste com a iniciativa privada neste caso.
Em todo o caso, dever-se-ia ter preferido a iniciativa privada à solução adotada, que não se sabe muito bem no que irá dar... E, ao que se sabe, candidatos até foi havendo: José Luís Almeida, com investimentos na hotelaria bem sucedidos foi o primeiro de que ouvi falar; mas também um grupo de empresários da cidade, entre os quais Pedro Tavares, se mostraram interessados no negócio sem que, ao que dizem, a Câmara tenha valorizado o seu interesse...
Agora, a meio-caminho de passar para as mãos de um proprietário sem capacidade de investimento, sem vocação para esse investimento e que é provavelmente o proprietário que pior trata o seu Património em Portugal, quase que me apetece que se cumpra o pedido de Álvaro Amaro a Pedro Passos Coelho, quando este passou pela Guarda na última campanha eleitoral: que "NÃO PAGUE!!!".
Talvez assim o negócio se desfaça e a Câmara ainda vá a tempo de emendar a mão e fazer o negócio como deve ser: impondo as condições que salvaguardem o interesse da cidade num concurso público onde quem demonstre ter mais e melhor iniciativa possa tomar conta do Hotel e devolver-lhe a dignidade que ele merece!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Azeite!


Na sequência do evento que durante o fim de semana passado decorreu em Aldeia Viçosa - a maior lagarada do mundo (quiçá mesmo de Portugal, diria eu...) - ouvi hoje o Presidente da Câmara nos microfones da Rádio Altitude dizer que lhe parece uma boa ideia promover um produto de qualidade - o azeite do vale do Mondego - e que faria todo o sentido pensar-se num "Centro de Interpretação do Azeite", para ajudar na tal promoção.

Depois de ouvir as palavras do Autarca, de as digerir, e de tentar perceber o seu alcance, pensei: um dos dois tem demasiado "azeite"!
Existe algum produto que possa ser denominado "Azeite do Vale do Mondego"? Existe algum produtor ou engarrafador com quantidades suficientes para fazer uma abordagem séria ao mercado na promoção desse produto? Tanto quanto sei, ambas as perguntas têm resposta negativa.
Portanto, a não ser para gastar mais em "betão", não estou a ver para que servirá o tal Centro de Interpretação, ou a subjacente estratégia de promoção do produto.
O azeite do vale do Mondego é efetivamente um produto de qualidade, que todos os Guardenses conhecem e valorizam convenientemente. Devemos adoptá-lo nos nossos padrões de consumo, por diversos motivos: é um produto de boa qualidade, da nossa região, com benefícios para a saúde. A Câmara pode perfeitamente fazer o mesmo nas suas Cantinas: privilegiar os produtos regionais nas suas aquisições e nas ementas disponibilizadas.
Quanto ao betão, Sr. Presidente, veja onde ele nos levou...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Quem dá aos pobres...


Coloco sempre reticências quando vejo alguém alardear a caridade que diz fazer. E foi exactamente com essas reticências que encarei a divulgação de mais uma iniciativa da Câmara: a de "distribuir diariamente os excedentes das refeições de três refeitórios municipais por famílias carenciadas do concelho." (Fonte: Expresso Online).
Parece-me uma iniciativa adequada, mas mal comunicada. Porque se refere à doação de "sobras"; porque mistura na mesma frase "excedentes" com "lixo"; e finalmente porque evidencia à saciedade que esta ação não é integrada num plano ou numa estratégia de combate à pobreza, mas antes resulta de uma inspiração do momento; sim, porque não é de agora que existem "sobras", nem "famílias carenciadas", para usar os termos da responsável pela comunicação desta proposta...
Por último, se é certo que "quem dá aos pobres, empresta a Deus", também não é menos certo que a verdadeira generosidade consiste em dividir aquilo que temos, não em dar aquilo que não queremos...

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Hotel de Turismo - que futuro...?


Pelo que tenho ouvido nos últimos meses, o estado actual do Hotel de Turismo está para se manter.
Só o Presidente da Câmara diz que acredita que o projecto vai para a frente dentro em breve; diz que acredita, embora eu duvide que ele acredite realmente...
E o Hotel está entregue à sua sorte porque tem o pior proprietário que um edifício pode ter em Portugal: o Estado. Se o Estado fosse multado pelo Património que tem em más condições, nem 10 Troikas nos valeriam!
Numa altura em que quase todos os investimentos públicos foram parados, em que não há capacidade de tesouraria para cumprir compromissos, só mesmo alguém muito ingénuo acredita que a obra de recuperação do Hotel seja prioritário ao ponto de ser excepção neste movimento de congelamento de novos investimentos. Ingénuo ou mal-intencionado...
Espero francamente que não venha, por necessidade do Estado em realizar alguma liquidez no meio desta enorme crise financeira, a cair nas mãos de um qualquer especulador que acabe por o deixar chegar ao ponto de irrecuperável.

terça-feira, 29 de março de 2011

Investimentos...


Devo aqui ao blogue alguns textos, nas últimas semanas, que hei-de repôr muito brevemente. Mas ao saber da mais recente aquisição da Câmara da Guarda, não podia de aqui deixar algumas questões que o tema me coloca.
Falamos de uma Câmara que está actualmente fortemente limitada na sua capacidade de actuação pelas dificuldades financeiras que atravessa; que, segundo dizem alguns, deve muito dinheiro a fornecedores que não podem falar publicamente porque senão acabam os negócios com a Câmara (imagino então que sejam proveitosos...); que deve à banca muitos milhões de Euros, pelo que deduzo que terá actualmente encargos financeiros que pesarão cada vez mais, face à tendência de subida das taxas de juro que veremos nos próximos anos.
Perante este cenário, e com o produto da venda do edifício do hotel de turismo, não seria sensato amortizar alguma dessa dívida; deixar as vindouros um ónus menos pesado? Parece não ser este o caminho que o executivo quer seguir, ao ter anunciado a compra do edifício conhecido como "bacalhau", onde funciona a escola profissional da Guarda.
Obviamente nada me move contra o projecto; daquilo que conheço, é um projecto bem sucedido e que tem dado o devido contributo para que a Guarda possa oferecer aos seus cidadãos mais opções na hora de optar por uma via de formação. Mas existem concerteza outras opções. Existem sempre outras opções.
Se o património da Câmara tem crescido à custa de financiamento bancário para lá do desejável e, provavelmente muito em breve, do suportável, não estará na hora de ponderar a hipótese de tornar esse património mais operacional? Adequá-lo à sua real capacidade financeira?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Empreender - JÁ!


De acordo com informações hoje divulgadas pela Rádio Altitude, o IPG decidiu não esperar mais pela colaboração da Câmara Municipal para a criação de uma incubadora de empresas! E decidiu, em consequência, avançar sozinho para esse projecto.
Pela minha parte, que tanto tenho falado do assunto, congratulo-me com com mais este contributo do IPG para a cidade. Ouvi as palavras do vice-Presidente onde, com sentido diplomático, explicou a decisão pela demora em obter da Câmara um compromisso palpável, que se traduzisse nalguma realização. Compreende-se que a Câmara tenha outras prioridades; não se compreende que ciclicamente traga o assunto à praça pública, anunciando locais para a sua localização, parceiros para a sua implementação, mas nunca até hoje se tenha visto uma acção concreta. Espero, como o vice-Presidente do IPG, que se possa associar ao projecto, tornando-o maior.
Outra das instituições que deveria estar num projecto deste tipo seria o NERGA; as evidências na área da dinamização de empresas inovadoras revelam que a tutoria é fundamental como factor crítico de sucesso nas empresas nascentes. E essa tutoria, nos países nórdicos, é da responsabilidade de empresários, gente que conhece o mercado e a realidade do mundo dos negócios para além daquilo que consta dos manuais de gestão. São modelos de promoção do empreendedorismo com taxas de sucesso interessantes, cujo modelo tem sido replicado um pouco por todo o mundo.
O primeiro passo está dado. Os meus Parabéns à Direcção do IPG. Espero que o projecto possa ser cada vez maior com o contributo de todos os que têm responsabilidade na área. A Guarda precisa, e há muito que merecia!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Transportes Públicos - actualização

Decorreu ontem na Câmara Municipal a apresentação, como previsto, da reformulação da rede de autocarros urbanos da Guarda - ou Rede de Transportes da Cidade da Guarda. Não estive presente mas já tive acesso a alguma informação.
Foram reformuladas as linhas, que passam a ser 6; antes não sei quantas eram, nem sei se alguém sabia... Foram apresentados também os respectivos horários, que estão disponíveis aqui.
Ainda não tive muito tempo para me debruçar sobre eles ou sobre as linhas, pelo que não tenho outra opinião que não seja "Pelo menos alguém dedicou tempo e energia para encontrar uma solução para um problema que, de tão óbvio, vinha sendo esquecido há anos!".
Depois de analisar melhor, verei se vale a pena ou não comentar.
Para já, do que vi do mini-site dos transportes, há neste capítulo muita margem para melhorar...
Mas pelo menos, horários já há!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Transportes Públicos - Breaking News


Há cerca de 2 meses queixava-me por aqui por ser difícil saber quais os horários dos autocarros urbanos da Guarda, por nem um simples horário estar afixado em qualquer uma das paragens espalhadas pela cidade.

Pois bem, hoje a Câmara da Guarda fez chegar aos destinatários da sua mailing-list um convite para a apresentação pública da denominada "Rede de Transportes da Cidade da Guarda", que segundo julgo saber é a nova denominação dada aos autocarros urbanos - esqueçam lá interfaces modais, hubs e outras modernices do género.

Segundo informações não confirmadas, em causa estará a apresentação de uma nova imagem, uma reorganização total das carreiras urbanas e horários mais convenientes. Se fôr assim, a notícia, de tão boa, só peca por tardia. Mais do que nunca, faz falta à Guarda um sistema de transportes urbanos moderno, que pode aliviar muitos do uso obrigatório de viatura própria com um passageiro apenas, com os custos - económico, mas também ambiental - que isso acarreta. É uma medida muito mais eficaz do que a reserva de lugares no centro da cidade para carregamento de carros movidos a electricidade, por exemplo.

Aguardo pois, com expectativa, as novidades que vamos ter nesta matéria. E espero que se tenham lembrado de afixar os itinerários das carreiras e respectivos horários nas paragens...


Nota: imagem retirada do blog "Sol da Guarda".

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

É Carnaval...


Pela minha parte, começo a levar um bocado a mal...

A Câmara vai organizar novamente, no Carnaval, um desfile com os Jardins de Infância e escolas da cidade... na rua. Parece que não bastou no ano passado terem tido que adiar o desfile previsto quase até à Pascoa para perceber que não é lá grande ideia organizar desfiles de rua em Fevereiro na Guarda. Que levassem as crianças para o Rio de Janeiro, ainda vá lá....

Todos sabemos que o Inverno na Guarda é rigoroso, com muito frio, nevoeiro, chuva e neve. E nestas condições, francamente, não acho muito sensato planear desfiles pelas ruas da cidade de crianças entre os 3 e os 10 anos. Eu até sou dos que acho que as crianças devem habituar-se a andar na rua, gosto que os meus filhos brinquem na neve e quantas vezes os não obrigo a largar o quentinho e a televisão para sairem um pouco, nem que seja meia-hora e caminhar na rua. O que é muito diferente de passarem uma tarde inteira de Fevereiro a andar pelas ruas da cidade em marcha-lenta...

Penso que têm de se encontrar novas formas de celebrar o Carnaval na Guarda; acho muitíssimo bem que a Câmara promova esta celebração e um desfile onde se juntem as crianças da nossa cidade, mas das duas uma: ou escolhe outra altura (mais Primaveril) e com outro pretexto, ou outro "figurino" para a celebração (num sítio coberto).

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Escape (pouco) Livre


Em reunião de Câmara realizada ainda em 2009, os vereadores eleitos pelo PSD na Câmara da Guarda questionaram a atribuição de subsídios a entidades que alcançaram alguma autonomia financeira (com mérito próprio). A questão foi levantada a propósito da atribuição ao Clube Escape Livre de (mais) um subsídio.

Devo dizer que o princípio me parece justo e, numa lógica de escassez de recursos, ajustado. Devem apoiar-se as colectividades que mostrem ser relevantes para o Concelho (nas várias vertentes possíveis de intervenção na vida pública), nas sua fase mais crítica - a fase de nascimento - e ser progressivamente reduzida a subsidiação logo que tal colectividade alcance o equilíbrio das suas contas. Por princípio, sou absolutamente contra subsídios ad eternum, por não estimularem uma cultura de independência financeira. Como um Pai que ajuda (sustentando) um filho nos primeiros anos de vida, até ao dia em que este se veja capaz de subsistir pelos seus próprios meios. Um clube criado para receber subsídios anos e anos a fio não tem sustentabilidade e, portanto, deve ser revista a sua forma de financiamento, a não ser que apenas preste serviço público, o que não me parece que seja o caso.

Não está aqui em causa o mérito do clube, o contributo que tem dado para a divulgação da região. Esse é inegável e conhecido. Está em causa o princípio que enunciei acima.

Ora, sucede que o Clube Escape Livre, pela voz do seu Presidente da Direcção, manifestou-se muito agastado com as reservas levantadas, tendo chegado ao ponto de ser "deselegante" (veja-se aqui uma figura de estilo) com os vereadores em questão, que ali estão eleitos pelos Guardenses.
Portanto, sucedeu neste caso aquilo que sucede quase sempre: o subsídio, de tão repetido, já não é uma contribuição de ajuda ao clube, é uma obrigação por parte da Câmara.

E o que sabemos sobre o clube? Sobre as suas contas? Alguns dirão que não temos nada com isso. Pois, só temos de continuar a ver lá ser aplicado o nosso dinheiro.
Quantos sócios tem o clube? Vivo na Guarda há 37 anos e não me lembro nunca de uma campanha para angariação de sócios... Quanto do seu orçamento anual é coberto pela quotização dos sócios?
Interessam-me as respostas a estas perguntas, na medida em que, na gestão de dinheiro público, é bom que exista transparência. Nada mais...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Mau tempo no Canil...


Na Guarda, estamos cansados de ser notícia apenas por maus motivos. Há algum tempo atrás diversos órgãos de comunicação social deram eco a um facto que já se comentava em fóruns e outras comunidades virtuais - o bom exemplo que constituía o Canil Municipal usar uma rede social - o Hi5 - para divulgar as suas actividades e potenciar o número de adopções, como forma de reduzir os abates necessários à prossecução dos seus objectivos em matéria de saúde pública, nomeadamente o controlo da população de animais errantes. Já em 2007 era possível ler nos jornais notícias relacionadas com o sucesso destas iniciativas (por exemplo aqui, no mês de Outubro). Todavia, como já havia referido, as coisas alteraram-se: a pretexto de uma reestruturação, acabou-se com a divulgação no Hi5, pasando esta a ser feita apenas num canto esconso do sítio da Câmara Municipal na Internet, que muito raramente é actualizado e sem nenhuma possibilidade de interacção; algo que está para a Internet, como um barco a remos está para as viagens intercontinentais...

E eis que o Canil volta a ser notícia pelas piores razões: hoje, a SIC passou uma peça sobre a forma como os animais são tratados no Canil Municipal. Que de resto já tinha sido dada a conhecer, nas semana anteriores pelo Jornal O Interior, aqui, aqui e aqui.

A subscritora da carta publicada pelo O Interior há 2 semanas é entrevistada dizendo aquilo que já tinha escrito. Até aqui, nada de novo para quem conhece a forma como o Canil tem funcionado. Mas quando confrontados com as denúncias de Luisa Campos, o tratador e o Director do Canil dizem que os animais são retirados das boxes quando estas são lavadas e que alguns cães se molham porque se deitam na água que lhe colocam para beber. Quanto à retirada dos cães, ainda bem que assim é: representa uma melhoria; mas a ser verdade, só muito recentemente se adoptou este procedimento, porque todos aqueles que conhecem o Canil e sabem como as coisas por lá funcionam sabem perfeitamente que as denúncias de Luisa Campos são inteiramente verdadeiras e, a pecarem, será por defeito... Quanto à segunda parte, ao ouvir o Sr. Director do Canil lembrei-me logo daqueles detidos que tantas vezes insistem em não confessar os seus crimes e, por azar, caem das escadas nas instalações das polícias, aparecendo com equimoses! Afinal, com os cães passa-se um fenómeno parecido...

Também me choca que o Director do Canil refira, a propósito de não existirem meios para tratar uma simples ferida, que o Canil não é um hotel e que esses "mimos" competem à sociedade civil! Veria o Sr. Director com bons olhos que eu agora aparecesse no canil com um veterinário para tratar os animais que lhe estão confiados? E que enquanto lá permanecem devem ser tratados com um mínimo de dignidade? A ser assim, por que raio o Director tem de ser um médido Veterinário...???

Mas enfim, nem só de más-notícias se trata: parece que a percentagem de adopções é de 75% e que no mês passado foram abatidos apenas 3 animais. A ser assim, as boxes cheias na campanha de adopção realizada no dia 1 de Dezembro (por uma associação de defesa dos animais) devem ter sido impressão minha... E o facto de, numa campanha de adopção autorizada pelo Canil, não ser permitido aos adoptantes levar os animais, podendo fazê-lo apenas passados 7 (!!!) dias também nunca deve ter acontecido.

Enfim, tristes notícias para aqueles que gostam de tratar e ver tratados os animais com respeito.

Por fim, uma palavra de louvor para a iniciativa de todas as pessoas - entre as quais Luisa Campos, mas que não é a única - que se têm empenhado em divulgar este estado de coisas e contribuir para a sua mudança, optando por dedicar algum tempo a esta causa e deixando de lado a indiferença, por oposição a outros que preferem "estar de bem com Deus e o Diabo", numa estratégia de coexistência pacífica que, no fundo, acaba por ser de inteira submissão...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Logística


Em posts anteriores tenho-me mostrado crítico relativamente à gestão que se tem feito do processo "Plataforma Logística". Não é que tenha sido mal gerido - não tenho informação suficiente para concluir por esta tese - mas entendo que, face à potencialidade que tem e que esteve na base da decisão de a criar, o processo tem sido mal conduzido.

A minha principal apreensão tem sido pelo que os responsáveis - o Presidente da Câmara que é também Presidente do Conselho de Administração - revelam conhecer da área da Logística. Nas intervenções que tenho ouvido ou lido, frequentemente a Logística é confundida com Distribuição, sendo esta uma parte (pouco significativa, de resto) daquela.

Algumas definições importantes e artigos interessantes sobre o tema podem ser vistos aqui.

Mas o que me levou a voltar ao assunto foi a resposta da Presidente da Associação Portuguesa de Operadores Logísticos à pergunta "Que balanço faz da rede de plataformas do Portugal Logístico (...)?".

Respondeu Carla Fernandes que a preocupação principal na criação desta rede foi a de disponibilizar infra-estruturas físicas, e que a principal definição de logística assenta "(...) nos fluxos de informação.". Diz ainda que, "mais importante que as infra-estruturas físicas são os conhecimentos utilizados para desenvolver a actividade e também os sistemas de informação. É com estas duas ferramentas que se coneguem agilizar os processos da logística integrada. Isso é muito mais importante do que qualquer tipo de infra-estrutura física."

Para quem acompanhe o assunto, estas declarações não constituem qualquer novidade. Mas contradizem os discursos que temos ouvido sobre o assunto e a sua importância para a Guarda.
Assim, mantenho e reforço a minha opinião de que, no imediato, o que assume maior importância a curto prazo para o desenvolvimento da cidade e a criação de postos de trabalaho é a Área de Localização Empresarial, sendo a PLIE um projecto estratégico que demorará a dar frutos e que requer uma gestão especializada, nomeadamente no que toca à captação de investidores, promoção no mercado global, etc. São necessários instrumentos de planeamento que suportem todas as decisões relativamente a este processo. Sob pena de se tornar, como promete, e com muita pena minha, um "elefante branco"...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Novo Executivo Camarário


Apesar de a tomada de posse ter sido durante a semana passada, só há alguns dias tive a oportunidade de ouvir na Rádio uma pequena reportagem sobre o assunto: as pessoas, os pelouros, as prioridades de cada um, etc.

Fiquei com a ideia de que o Presidente da Câmara, desta vez, acumulará muitos pelouros. E das duas uma: ou terá de distribuir tarefas por muitos acessores para conseguir coordenar tantos assuntos, ou na verdade o número de pelouros é excessivo face à carga de trabalho que representam. E fico com a ideia de que é precisamente este último o caso. Que os vários pelouros poderiam ser concentrados em 4 ou 5...

Por outro lado, ouvi pela primeira vez que é estratégica a divulgação da Guarda. Tendo essa responsabilidade sido entregue a uma profissional na área da comunicação, e por aquilo que conheço dela, fico com grandes expectativas em relação a esta matéria. Assim ela seja capaz de, aliada à sua capacidade profissional, "furar" a lógica aparelhística, dos "instalados" do sistema, e fazer pela Guarda aquilo que há muito deveria ter sido feito: divulgar o que de bom tem para oferecer, não só aos turistas - que às vezes parece que são os salvadores da terra! - mas também a todos os que cá vivem!

Termino desejando a todos os membros do executivo que governará a Câmara Municipal nos próximos 4 anos muitas felicidades no desempenho das sua funções.
(foto do Jornal Nova Guarda)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Turismo


Após o regresso de um breve período de férias, tive hoje a oportunidade de ouvir alguns excertos do debate na Rádio Altitude, com elementos de algumas das candidaturas à Câmara da Guarda, sobre o tema do Turismo. Confesso que não ouvi na íntegra, porque geralmente só tenho oportunidade de ouvir rádio enquanto ando de carro.

Do que ouvi, existem coisas com as quais concordo e outras que nem tanto.

A ideia do Parque, confesso que me deixa um bocado confuso: não sei exactamente o que se pretende. Além de que, do que ouvi a Rui Quinaz, se trata de uma ideia numa fase muito embrionária. Dizer-se que tem de se procurar um parceiro é estar numa fase prévia ao pré-projecto! Não me parece adequado trazer um tema destes para uma campanha na fase em que está. Trata-se de um mercado muito restrito a nível mundial, com 4 ou 5 players de peso. E trata-se de um mercado que está inteiramente nas mãos de privados...

Nas acessibilidades à Serra da Estrela, cujas potencialidades todos reconheceram que a Guarda não está a aproveitar, existe a ideia que o que a Guarda precisa é uma estrada de acesso à Serra - presumo que se queiram referir ao maciço central - para não termos de depender dos acessos por Gouveia ou pela Covilhã. E aqui, devo dizer que discordo completamente desta ideia. Só num País com os hábitos de rico como o nosso esta ideia continua a vingar! Ainda não se percebeu que as acessibilidades são commodities, ou seja, algo que qualquer um pode ter, e que por si só não consituem factores diferenciadores. Acho que é mais uma questão de orgulho em termos a "nossa" própria estrada. Um orgulho que custa muito caro! E que faz com que qualquer dia, com o rumo que as coisas estão a tomar, os turistas que sobem ao maciço central apenas consigam ver... alcatrão! Estradas e mais estradas, por todo o lado, para todo o lado. Com os impactos negativos que isso traz a uma reserva com as características da da Serra da Estrela. Sou mesmo dos que acha que nas zonas mais elevadas, o trânsito automóvel deveria ter fortes restrições, e não ser encorajado. Por que é que em vez de estradas, não pensamos em aproveitar as tais potencialidades da Serra? É que isso faz-se transformando essas oportunidades em negócios rentáveis; as potencialidades, por si sós, não sendo exploradas, não têm qualquer utilidade. O papel da Câmara aqui deve ser o de implementar uma estratégia de comunicação que faça da Guarda uma porta de entrada na Serra; o de afirmar a cidade como uma cidade de montanha, oferecendo serviços nesse cluster. A mim não me interessa por que estrada é que as pessoas vêm e vão, se passam em Gouveia ou na Covilhã; interessa-me que seja criado um ambiente favorável aos negócios em torno do montanhismo, da natureza, da Gastronomia, etc.

O papel da Câmara deve ser aquele que indicou no debate Leopoldo Mesquita a propósito do Hotel de Turismo: o de fazer com que haja turistas - eu seria ainda mais abrangente: que haja gente! - na Guarda. Depois disso, tudo o resto virá pelas mãos de quem deve: os empresários. Virão hoteis, empresas de transporte, de animação, etc.

A vocação da Câmara não é de empresário; é de fazer com que estes tenham as melhores condições para aqui se fixarem e aqui desenvolverem os seus negócios, criando e distribuindo riqueza.




PS: no jornal da hora do almoço, a propósito da Campanha da candidatura do PSD, ouvi um dos elementos da lista dizer qualquer coisa como "aderi a este projecto sem reservas, e por isso convido-vos a aderir também..."; esta falta de concordância entre verbo e sujeito fica mal a todos os que são (ou pretendem vir a ser) figuras públicas; mas fica ainda pior a um professor de literatura...!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Onde pára o Canil...?


As coisas têm andado relativamente sossegadas por cá; deve ser de estarmos na fase final da campanha eleitoral para as legislativas: diz respeito a toda a gente, o País atravessa um momento delicado, e o Governo que sair das eleições do próximo Domingo terá uma tarefa complicada, quer para fazer Portugal sair definitivamente da crise, quer para continuar as reformas necessárias para que o estado seja mais eficiente - e o País mais competitivo.

Mas nas últimas semanas tem vindo a público um caso com contornos curiosos: a reestruturação do Canil Municipal.

Desde há cerca de 3 anos (mais ou menos), o Canil conheceu uma dinâmica muito interessante: de mero serviço municipal que se limita a cumprir "os mínimos", ou seja, a sua missão de recolha de animais abandonados ou doentes, na maior parte das vezes para serem abatidos (a palavra geralmente usada é occisão), passou a ser um serviço com uma componente educativa, ambiental e de respeito pela vida animal exemplar. Foi criada uma página numa rede social onde disponibilizadava muita informação sobre o canil (regras, localização, etc.), mas também apelos, com fotos, de animais que ao invés de ser abatidos poderiam muito bem ser adoptados.

Pelo que sei, enquanto tal página esteve online, foram muitos os casos de sucesso.

Retirando alguns casos de comentários desadequados (nalguns casos a raiar o mal-educados), aquela página representava um óptimo trabalho em prol dos animais e no fomento de uma cultura ambientalmente responsável. Só que, como muitas vezes nestas coisas, tudo isto era fruto de um enorme voluntarismo - neste caso, de uma única pessoa. Falei com essa pessoa 2 ou 3 vezes e, francamente, não fiquei com qualquer simpatia por ela. O que não me impede de reconhecer o bom trabalho que vinha desenvolvendo. Embora a necessitar de alguma "netiquette", o princípio era bom.

Só que, há algumas semanas, algo deve ter ocorrido: a Câmara decidiu fazer com que a referida página deixasse de ser representativa do Canil, passando a ter uma página própria, num processo a que chamou de reestruturação.

Entretanto, essa página já viu a luz do dia. E só apetece perguntar como Ricardo Araújo Pereira e Manuela Ferreira Leite: "Mas que brincadeira vem a ser esta?".

O responsável pela mudança, certamente, nada entende de comunicação sobre canais web! Arrisco mesmo dizer que nunca viu a anterior página nem a dinâmica que ela tinha! E que isto só pode ser para desviar atenções no momento particular que vivemos... Trata-se de uma página estática, com 4 fotos (pequenas), sem qualquer informação complementar sobre os animais. Quase anedótico, não fora o facto de estas manobras terem repercussões ... na suas vidas. Circulam alguns emails sobre este assunto, o Sr. Presidente da Câmara já fez algumas declarações aos jornalistas, mas de concreto, apenas vejo que se deitou por terra um bom trabalho, sem qualquer intenção de o manter, quanto mais de o melhorar! Triste, muito triste.
Já se sabe que é sempre mais fácil destruir que construir; mas que há nesta história muita incompetência, mesquinhez e interesses pouco claros, disso não tenho dúvida.

Deixo o desafio: se descobrirem a página do Canil Municipal, digam o que vos parece.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Candidatos


E pronto: estão lançados os nomes que compõem as listas de candidatos à Câmara da Guarda, Juntas de Freguesia e Assembleia Municipal. Uns eram esperados, outros talvez não...

Há quem clame por outros actores, mas rien ne va plus: os dados estão lançados e é com eles que vamos jogar, que é o mesmo que dizer que são estes os candidatos entre os quais vamos ter de escolher. De entre eles, sairão os que guiarão os destinos da Autarquia nos próximos anos.

Confesso-me do lado dos indecisos: de um lado um líder forte com uma equipa fraca, do outro um líder fraco com uma equipa mais forte; depois há os que vêm só para baralhar as contas, em nome da pluralidade - e bem!

Agora, aguardam-se programas. Mas antes teremos um problema mais grave a resolver: o do Governo. E aqui as contas serão mais complicadas...

Duas notas finais: 1) tenho andado "desligado" da actualidade, por motivos profissionais, desde há 2 semanas; por isso não sabia da recusa de Ricardo Neves de Sousa em integrar a lista de deputados do PSD à Assembleia Municipal. Conheço o Ricardo, já tive oportunidade de trabalhar com ele, sei o que vale; a imprensa local reconhece que é um dos deputados cessantes com mais intervenções (preparadas, não para dizer disparates no calor do momento); e quando se sabe o que se quer, quando os planos e a ambição dependem de seriedade intelectual e credibilidade, é preciso saber qual a hora de avançar, mas também quando parar; 2) á campanha "local" está no início, mas a máquina de comunicação de J. Valente está neste momento anos-luz à frente da de C. Carvalho - e não sou eu o primeiro a dizê-lo; estará C. Carvalho a pagar por ser um independente que leva nas suas listas um número significativo de cidadãos com igual estatuto...? Ou a máquina do PSD perdeu o fulgor que lhe conhecíamos?

quarta-feira, 22 de julho de 2009

XIX Beirartesanato



Na semana passada decorreu no espaço do Parque Urbano do Rio Diz mais uma edição da Beirartesanato.

Confesso que quando soube da mudança de localização - costumava realizar-se no Jardim José de Lemos - fiquei bastante reticente: achei que retirar o evento do centro iria pejudicar a sua visibilidade e com isso fazê-la perder visitantes, porque a zona da Estação ainda é relativamente periférica. Nem fiquei muito convencido quando ouvi o Sr. Presidente da Câmara dizer que a cidade é hoje policêntrica e que o que se fez foi aproveitar esse facto e mudar a feira para uma das outras "centralidades" da cidade. Não fiquei nessa altura, nem o estou agora, que constatei o sucesso da mudança de localização da feira. Que muito se deve ao programa de animação da feira, que foi na minha opinião o principal motivo para o sucesso - em termos de número de visitantes - que ela teve. Desloquei-me lá 3 ou 4 noites e em qualquer delas pude verificar que havia muita gente. Não tenho conhecimento do número estimado de visitantes, mas do que vi parece-me que há-de ter sido superior ao de anos anteriores, o que traduzido em potencial de negócio traz um incremento importante ao evento. Por outro lado, o facto de se tratar de um espaço amplo, bem tratado e com bastante estacionamento também há-de ter contribuído para o sucesso da edição deste ano.
Mas constatei também que a zona que geralmente denominamos "centro da cidade" esteve praticamente deserto durante o tempo em que o evento decorreu, o que contraria o tal policentrismo...
Assim, parece-me previsível que a localização se mantenha em próximas edições, com benefício para visitantes, expositores e organização, e sem os prejuízos na circulação de automóveis e estacionamento que a realização da feira no centro da cidade sempre traz. Parabéns à Organização pela iniciativa e, mais importante, por continuarem o seu esforço na melhoria da organização da feira.