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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Obras

Já num post anterior aqui falei do IN Guarda. Mantenho a minha opinião sobre este empreendimento: a sua pertinência, a capacidade de atracção que acredito que terá, a audácia empresarial que revela. É em suma um investimento bem-vindo, pela parte que me toca.
O que não posso é compreender o que se passa "à volta" da obra! É que as máquinas e camiões que entram e saem da obra deixaram várias ruas do Parque Industrial num estado vergonhoso. Primeiro foi a lama que foram largando e espalhando por todo o lado. Agora que o tempo vai mais seco, essas ruas mantêm-se escorregadias, de tanta terra que têm por lá espalhada! Concordo que a obra é necessárias, constitui um incómodo necessário e temporário, e que devem ser dadas todas as facilidades a quem vem investir na nossa terra. Mas uma coisa é facilitar, outra muito distinta é sermos subservientes. Um miserável equipamento de lavagem de pneus à saída do estaleiro não é de certeza absoluta algo que empresas da dimensão das que estão lá a operar não possam suportar...
O perigo que representam aquelas ruas para a circulação justifica, por si só, que alguém olhe por esta situação! Mas parece que ninguém está para se chatear...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Crónica Diária - Rádio Altitude

A minha primeira Crónica Diária de 2009 foi assim:

"Aproveito esta minha primeira crónica de 2009 para apresentar a minha lista de desejos para a Guarda. Alguns são pequenos equipamentos que tornarão certamente a nossa vivência na cidade mais agradável, dando-lhe até um toque de urbanidade, outros serão estruturantes para toda a envolvente; uns serão novos, outros desejos já muitas vezes repetidos, mesmo aqui nos microfones da Rádio Altitude. Mas começar uma etapa – de um projecto, da vida – sem objectivos bem definidos, faz com que possamos perder o rumo ou mesmo com que não saibamos quando realmente chegámos ao fim dessa etapa – daí a importância de fixarmos objectivos ou, no caso vertente, de formularmos desejos. Neste caso, num exercício meramente individual.
Começo por um bem simples: uma rampa para skates ou patins. È um equipamento relativamente barato e que inegavelmente faz falta aos jovens da Guarda. Seria uma forma interessante de criar nas zonas verdes do centro da cidade algo que atraísse os jovens, já que os nossos jardins manifestamente não têm capacidade para atrair quem quer que seja. Ou alguém consegue descortinar um bom motivo para passar uma hora ou duas no Jardim José de Lemos, por exemplo? Por outro lado, também todos concordarão que o passeio e acesso principal à Câmara Municipal não é o local mais digno para os nossos jovens darem largas às suas habilidades no skate… Seria pois uma forma de promover estilos de vida saudáveis, tirando os nossos jovens de frente das televisões, dando-lhes um bom pretexto para passar mais tempo ao ar livre.
Em segundo lugar, uma estrutura de que eu tenho falado muito, mas da qual tenho ouvido falar muito pouco ou nada: uma incubadora de empresas. Apresentada ainda em 2007, está até hoje por concretizar. É um equipamento de apoio à criação e fixação de empresas na Guarda que não podemos de todo dispensar por mais tempo. É necessário estimular projectos empresariais nos técnicos que todos os anos concluem a sua formação no IPG e nas escolas profissionais; é necessário dar-lhes uma estrutura de apoio, altamente profissionalizada, que faça com que seja mais fácil ficar na Guarda do que regressarem aos seus locais de origem – precisamente o contrário do que hoje se verifica. Uma incubadora é tanto mais importante quanto se confirmou, há cerca de 2 meses, através de um estudo realizado por uma docente da Universidade do Porto, que os alunos que frequentam o IPG são dos que reúnem mais características de “empreendedores” de todos quantos estudam em estabelecimentos de ensino no interior do País. A Guarda não se pode dar ao luxo de continuar a ignorar este enorme potencial e de ter um IPG a formar técnicos para engrandecer outras regiões, sendo nós meros espectadores do sucesso dos outros.
O terceiro é uma requalificação do actual Parque Industrial. Arranjo de arruamentos e passeios, ordenamento do trânsito tendo em atenção que a largura das ruas não permite que se estacione e se circule nos 2 sentidos e limpeza e vedação dos lotes devolutos são medidas urgentes para devolver àquela zona da cidade um ar minimamente urbano; ainda mais agora, que uma nova superfície comercial se prepara para abrir e a zona vais ser muito mais frequentada, é necessário dar atenção a uma zona da cidade que vai ser a porta de entrada para gente de fora da Guarda.
Em quarto lugar, desejo um verdadeiro compromisso com a requalificação do centro histórico. Que vá além de promessas vagas e se comprometa com datas. Não posso deixar de lamentar que não se tenha voltado a ouvir falar dos audio-guias; que a prometida sinalética comum para monumentos e establecimentos não exista senão no campo da fantasia; que a requalificação do centro histórico não tenha sido, nos últimos dez anos, mais do que repetidos ciclos de tira-e-põe de contentores de lixo, a renovação das infra-estruturas básicas de saneamento e electricidade, a pavimentação de 2 ou 3 ruas e a recuperação de algumas casas. Não que estes não tenham sido investimentos importantes, mas quando se fala em requalificação, espera-se algo mais. E não se espera certamente que se privatize uma parte da muralha…
Por último, desejo que 2009 seja o ano em que os empresários da Guarda vejam também satisfeitas as suas necessidades de crescimento. Falo da PLIE e da ideia que fica quando dela se fala, de que se trata de uma estrutura apenas para captar investidores no exterior. É necessário também olharmos pelos empresários da Guarda, alguns há muitos anos à espera de uma oportunidade de investimento na Região. Desejo pois, que além das 3 empresas recentemente anunciadas para se irem localizar na PLIE, se lá venham a localizar durante 2009 empresas da Guarda que, mercê do seu crescimento, necessitam hoje uma infra-estrutura industrial que contemple as diversas actividades de suporte que as modernas áreas de localização empresarial colocam ao dispor das empresas. Desejo no fundo que fique claramente demonstrado que os motivos para as críticas dos empresários da Guarda relativamente à ausência de condições para o desenvolvimento dos seus negócios possam ser finalmente eliminados e estes cumpram agora o seu papel de criadores de riqueza e emprego na região.
A Guarda precisa de muito mais do que estes equipamentos que enumerei – disso não tenho também grandes dúvidas. Mas este será certamente um bom começo…
"

Pode ser ouvida aqui.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Crónica Diária - Rádio Altitude

Há algumas semanas atrás, a Rádio Altitude teve a gentileza de me convidar a contribuir para o seu espaço "Crónica Diária". É um espaço de opinião, que está no ar diariamente após o jornal das 9:00, com reposição após o jornal das 17:00. Primeira reacção: "Oh Rui, tu nunca sequer entraste num estúdio de rádio, quanto mais falar aos microfones... Não irás afastar os ouvintes aos senhores?".
Mas confesso que após este choque inicial, não fiquei indiferente à ideia da minha intervenção cívica - da qual este blogue é apenas um exemplo - poder ter maior projecção. E resolvi aceitar. Por isso fica o texto que serviu de suporte à primeira destas crónicas:

"Sabe-se quando adquirimos um equipamento novo, que além do custo da aquisição temos inevitavelmente de considerar o da manutenção, por forma a assegurar que vamos usufruir desse equipamento durante o máximo tempo possível e nas melhores condições. É assim nomeadamente com as nossas casas e carros, para citar 2 exemplos bem conhecidos. Todavia, é certo que nalguns casos a fúria de "ter" cega-nos ao ponto de nos fazer esquecer a tal manutenção...
Vem isto a propósito do que se passa actualmente no Parque Industrial. Não no novo, que será integrado numa Plataforma Logística e cujo arranque tem sido sucessivamente adiado, mas no actual. Que ainda serve e servirá nos próximos anos muitas empresas. Diz o povo que "o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita" e no caso do Parque Industrial é bem verdade. Depois de todas as atribulações por que passou durante a construção e início de actividade, ainda hoje o que se lá passa só merece um adjectivo: Vergonha!
Para os empresários, porque na Beira gostamos de receber bem e naquele Parque Industrial um empresário não tem condições de receber condignamente um convidado. E para muitos empresários vindos de fora, aquele espaço é o primeiro contacto que têm com a Guarda. Edificante...
Para a Autarquia, porque é responsável pela manutenção dos espaços públicos na cidade e aquele tem-o completamente abandonado: não limpa os passeios, não obriga os proprietários de lotes devolutos a limpar o mato e a vedar convenientemente os terrenos, o pavimento é uma autêntica manta de retalhos, o trânsito e o estacionamento são completamente desordenados, para citar os casos mais flagrantes. Chegados ao Parque Industrial, ficamos com a ideia de ter entrado num cenário terceiro-mundista.
Por último, para as autoridades policiais porque, nomeadamente no estacionamento , existe uma total ausência de regras: estaciona-se à direita, à esquerda, nos passeios, nos cruzamentos, etc., como se de "terra sem lei" se tratasse... Dizem-m
e que está em preparação uma candidatura ao QREN para requalificar o espaço. Pergunto-me se será mais um caso em que se faz a obra atendendo aos apoios disponíveis, independentemente daquilo que verdadeiramente faz falta para resolver os problemas daquele espaço… Pergunto-me se será necessário esperar por uma candidatura ao QREN para definir de que lado das ruas se pode estacionar, evitando que os camiões tenham de fazer verdadeiras gincanas no meio dos carros? Ou para elaborar um plano de circulação, com vias de sentido único, que permita uma circulação fluída ao mesmo tempo que se ordena o estacionamento? Ou mesmo para fazer cumprir os regulamentos já existentes que impedem que se utilize o passeio defronte dos lotes como prolongamento dos armazéns? Ou se use a estrada como parque de contentores?
O Parque Industrial é hoje uma ferida na paisagem da Guarda. Dá uma imagem negativa da capacidade empresarial da cidade, que nos prejudica a todos, e que não tem correspondência na capacidade da maior parte das empresas lá instaladas. Não podemos apenas olhar para o futuro Parque Industrial e esquecer que o actual existe e tem problemas graves por resolver. É urgente a sua manutenção.Com firmeza e vontade de requalificar, podem desde já ser dados os primeiros passos para devolver alguma dignidade ao Parque Industrial. Todos teremos a ganhar com isso…"


A crónica pode ainda ser ouvida aqui.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Parque Industrial da Guarda

Um destes dias tive a oportunidade de passear um pouco a pé pelo Parque Industrial, enquanto fazia um compasso de espera para um encontro. E nesse olhar mais demorado e atento, dei-me conta que existem muitas razões para considerar aquele espaço como "uma desgraça", mais um aspecto negativo da cidade. As ruas têm o pavimento em mau estado e sujo, os passeios que não servem de estacionamento têm tanto mato que é difícil andar por ali, a maior parte - felizmente não todos - dos edifícios apresenta algum estado de degradação e o espaço, no seu todo, é francamente feio. Tudo razões para nos indignarmos com políticos e demais responsáveis por este estado de coisas.
Por outro lado, custa a crer como é que uma cidade como a Guarda, com a sua história e a sua (cada vez menor) importância administrativa há tantos anos não dispõe de uma área de localização empresarial. Este é de resto, na minha opinião, o maior pecado que os decisores políticos com responsabilidade na gestão do território cometeram nos últimos 25 anos, no que ao desenvolvimento da Guarda diz respeito!
Mas regressando ao Parque Industrial, penso que ainda não é chegada a hora da sua morte. Não é um caso perdido. Tem de ser visto como uma oportunidade. Por 2 motivos fundamentais: o primeiro, porque tem lá localizadas empresas de grande qualidade, com óptimas equipas, que dignificam o nome da cidade onde quer que cheguem os seus negócios - e acreditem que alguns têm chegado bem longe; o segundo são as potencialidades que apesar de tudo a localização do parque tem, nomeadamente a sua proximidade do centro da cidade e dos acessos a 2 importantes eixos viários, A23 e A25.
É urgente re-definir uma estratégia para aquele espaço, com responsabilidades de gestão partilhadas por Município e empresários. Recuso-me pura e simplesmente a acreditar que o facto de todos os lotes estarem vendidos, apesar de muitos estarem devolutos, possa ser invocado como razão do estado de coisas naquele local. Se há espaços com utilidade pública inquestionável, aquele tem de ser um deles, pelo que pode representar para a cidade. E nem o argumento de que está para breve o arranque da PLIE pode ser invocado, pois esta terá uma vocação que vai para além de área de localização empresarial.
Têm de ser feito esforços e recuperar a posse dos lotes devolutos, para poderem ser criteriosamente disponibilizados para projectos de instalação de empresas em sectores de relevante intensidade tecnológica que contemplem a criação de emprego qualificado. Que fixem jovens quadros na região. É preciso um projecto de requalificação de todo o espaço, reordenando o trânsito, definindo zonas de estacionamento, devolvendo-lhe a dignidade que um parque empresarial deve ter. Gostava de ver autarquia e empresários mobilizados para este desígnio; pelo menos pensem nisso, pode ser?