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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Quem dá aos pobres...


Coloco sempre reticências quando vejo alguém alardear a caridade que diz fazer. E foi exactamente com essas reticências que encarei a divulgação de mais uma iniciativa da Câmara: a de "distribuir diariamente os excedentes das refeições de três refeitórios municipais por famílias carenciadas do concelho." (Fonte: Expresso Online).
Parece-me uma iniciativa adequada, mas mal comunicada. Porque se refere à doação de "sobras"; porque mistura na mesma frase "excedentes" com "lixo"; e finalmente porque evidencia à saciedade que esta ação não é integrada num plano ou numa estratégia de combate à pobreza, mas antes resulta de uma inspiração do momento; sim, porque não é de agora que existem "sobras", nem "famílias carenciadas", para usar os termos da responsável pela comunicação desta proposta...
Por último, se é certo que "quem dá aos pobres, empresta a Deus", também não é menos certo que a verdadeira generosidade consiste em dividir aquilo que temos, não em dar aquilo que não queremos...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Escape (pouco) Livre


Em reunião de Câmara realizada ainda em 2009, os vereadores eleitos pelo PSD na Câmara da Guarda questionaram a atribuição de subsídios a entidades que alcançaram alguma autonomia financeira (com mérito próprio). A questão foi levantada a propósito da atribuição ao Clube Escape Livre de (mais) um subsídio.

Devo dizer que o princípio me parece justo e, numa lógica de escassez de recursos, ajustado. Devem apoiar-se as colectividades que mostrem ser relevantes para o Concelho (nas várias vertentes possíveis de intervenção na vida pública), nas sua fase mais crítica - a fase de nascimento - e ser progressivamente reduzida a subsidiação logo que tal colectividade alcance o equilíbrio das suas contas. Por princípio, sou absolutamente contra subsídios ad eternum, por não estimularem uma cultura de independência financeira. Como um Pai que ajuda (sustentando) um filho nos primeiros anos de vida, até ao dia em que este se veja capaz de subsistir pelos seus próprios meios. Um clube criado para receber subsídios anos e anos a fio não tem sustentabilidade e, portanto, deve ser revista a sua forma de financiamento, a não ser que apenas preste serviço público, o que não me parece que seja o caso.

Não está aqui em causa o mérito do clube, o contributo que tem dado para a divulgação da região. Esse é inegável e conhecido. Está em causa o princípio que enunciei acima.

Ora, sucede que o Clube Escape Livre, pela voz do seu Presidente da Direcção, manifestou-se muito agastado com as reservas levantadas, tendo chegado ao ponto de ser "deselegante" (veja-se aqui uma figura de estilo) com os vereadores em questão, que ali estão eleitos pelos Guardenses.
Portanto, sucedeu neste caso aquilo que sucede quase sempre: o subsídio, de tão repetido, já não é uma contribuição de ajuda ao clube, é uma obrigação por parte da Câmara.

E o que sabemos sobre o clube? Sobre as suas contas? Alguns dirão que não temos nada com isso. Pois, só temos de continuar a ver lá ser aplicado o nosso dinheiro.
Quantos sócios tem o clube? Vivo na Guarda há 37 anos e não me lembro nunca de uma campanha para angariação de sócios... Quanto do seu orçamento anual é coberto pela quotização dos sócios?
Interessam-me as respostas a estas perguntas, na medida em que, na gestão de dinheiro público, é bom que exista transparência. Nada mais...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Vai uma apostinha...?


Foi recentemente divulgado mais um escândalo no mundo do futebol. Parece que se chegou à conclusão que, em mais de 200 jogos os resultados foram previamente combinados e corrompidos jogadores, treinadores e árbitros para os obter. E quem corrompeu? Adeptos? As próprias equipas com interesse em ganhar os jogos? Não.

A origem deste esquema tinha aparentemente origem em esquemas ilegais de jogo. Ou seja, combinavam-se os resultados, apostava-se e ganhava-se! Simples, não é?

E alguém ainda se admira com isto? Não são as próprias equipas, a UEFA, as televisões, etc. que abrem as portas a todo o tipo de empresas de apostas (online e não só) no mundo do futebol? E que nem adeptos nem dirigentes têm nada a obstar, porque o que interessa é que entre dinheirinho?

Abrem-se as portas do galinheiro às raposas e admiram-se com os resultados?

Pessoalmente, acho que actualmente o mundo do futebol é um logro; os clubes são autênticos sumidouros de dinheiro, dados a todos os tipo de esquemas financeiros, onde a componente desportiva é mais do que marginal. Por isso, é um desporto que não acompanho e que francamente pouco tem de "desportivo". É apenas espectaculo para as massas. Respeito obviamente quem aprecia, mas não levanto os olhos de um bom livro para ver futebol.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Mais turismo

Um bom exemplo de empresas do sector da animação turística de que falei na anterior Crónica Diária (no meu post anterior) é a "Quebra-Águas": tem um produto inovador, que valoriza os recursos naturais de que dispomos na região, é formada por gente nova com vontade de fazer bem (diferenciando-se das demais ofertas) e é um claro - pelo menos para mim - caso de empreendedores que arriscam naquilo em que acreditam. Além do mais, tem uma óptima imagem, a começar pelo logotipo!
Desejo naturalmente que a empresa cresça e seja um sucesso dentro de pouco tempo. Quando tiverem um bocadinho livre, passem por lá...

terça-feira, 31 de março de 2009

Crónica Diária - Rádio Altitude

Já foi no dia 18 de Março; bem sei que passou muito tempo; todavia, foi assim:

A Guarda tem actualmente, em termos turísticos, alguma atractividade. Prova disso são a quantidade de estrangeiros que se vão vendo por cá, nomeadamente aos fins-de-semana, na sua maioria oriundos da vizinha Espanha. Estou convicto de que esta capacidade de atracção se deve em larga medida às condições que foram sendo criadas por investidores privados, investindo nos seus negócios e dirigindo os seus esforços de Marketing – quer este seja mais elaborado ou mais rudimentar – para a crescente internacionalização dos seus negócios. São disto exemplo alguns empresários do sector do comércio e restauração. Existe por outro lado um efeito de exposição associado ao turismo de negócios que faz com que empresários e técnicos que vêm à Guarda em viagem profissional acabem eventualmente por voltar numa óptica de turismo.
Finalmente, não serão de ignorar os efeitos de alguma campanhas de promoção da cidade que têm sido levadas a cabo por diversas entidades, públicas ou privadas.
Gostaria de aqui sublinhar os méritos dos empresários, por se tratar de um caso evidente de investimento privado cujo retorno é extensível a toda a região.
Parece-me pois que é a hora de passarmos à segunda parte do Plano; ou da cadeia de criação de valor, se quisermos: a criação de condições de cá manter durante alguns dias os turistas que conseguimos atrair. Este é um desafio que deve ser assumido. Mais do que continuarmos a ouvir dizer que a região tem um enorme potencial, é a hora de decidirmos o que queremos fazer com este potencial e começar a trabalhar para transformar potencial em negócios, já que ninguém vive do potencial, como todos estamos cansados de saber.
Tenho-me apercebido que vão surgindo novos modelos de negócios, muito interessantes, à volta do turismo de natureza, do BTT, dos passeios em todo-o-terreno, da exploração de trilhos pedestres, balonismo, parapente, etc. Estas iniciativas devem ser apoiadas pelas entidades competentes, numa estratégia de criação de um cluster regional de turismo da natureza. Mas é também importante que se promova a adopção, por parte de todos estes operadores, de um código de conduta que salvaguarde o património natural – que é a sua “galinha dos ovos de ouro” e pertence a todos nós – establecendo limites à utilização e exploração desse património, no interesse de todos.
Da parte das entidades institucionais que tutelam o turismo, é necessário que se monitorizem os fluxos turísticos, a sua permanência, as expectativas e os índices de satisfação. Esta informação é fundamental para se preparar o caminho para a progressão na cadeia de criação de valor a que já me referi.
Por tudo isto, parece-me da maior importância pôr todos os interessados neste cluster – operadores turísticos, hoteleiros, empresários da restauração, das actividades de animação turística e entidades tutelares - em sintonia, a discutir prioridades e formas de actuação. Não num Seminário ou noutro modelo de encontro muito formatado. Mas antes num modelo aberto à participação de todos os interessados, altamente informal e operativo, recorrendo apenas a mediadores para organizar o andamento dos trabalhos. No fundo, um Encontro para a Competitividade do Turismo na Região da Guarda.
O Turismo é – a par de outros sectores – estratégico para o potencial empresarial da região. Por isso deixo o desafio aos empresários do sector: em vez de esperar que sejam as entidades oficiais a organizar um encontro onde se debatam estas e outras questões relevantes para o sector, que sejam eles – em cooperação ou através das suas estruturas representativas a organizar este encontro.
Será certamente profícuo não só para eles, mas para a região.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Passeio do Pai Natal



No próximo Domingo, 21 de Dezembro, o clube "Guarda Unida Sport Club" vai organizar um passeio em bicicleta, aberto a todos quantos queiram participar. A saída será da sede do clube (Rua Francisco dos Prazeres) e será feito um percurso pela cidade. Se puderem apareçam, que é capaz de ser um programa giro para fazer, inclusive com os mais pequenos, num Domingo de manhã.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

XXXII Grande Prémio de Atletismo

Começaram na passada sexta-feira as comemorações do 809º Aniversário do Foral da Guarda. O ponto de partida foi o espectáculo "Guarda - Rádio Memória" - uma produção fantástica - seguindo-se durante a tarde de sábado um Grande Prémio de Atletismo. Neste, que na minha opinião tem todas as condições para ser um evento desportivo que envolva muita gente na cidade, acabou por se aroveitar muito pouco do potencial que encerra. E por ter havido amadorismo onde se esperaria profissionalismo, e demasiado profissionalismo onde o amadorismo teria sido bem-vindo. Contraditório? Eu explico: é "chato" haver um programa indicando que a primeira prova tem início às 14.00H e, a essa mesma hora, começarem a chegar ao local da prova os organizadores, para "montar a tenda", distribuir dorsais, erguer o insuflável da meta, etc. Aquilo que previsivelmente começaria no máximo às 14.10H ou 14.15H, acabou por começar às 14.45H...
Por outro lado, mesmo sendo importante a Guarda ter competições disputadas que atraiam atletas de todo o País, estas são um bom pretexto para se envolverem cada vez mais amadores, numa tentativa de levar a prática desportiva a cada vez mais gente. Assim, em conjunto com a última prova (absolutos), poderia ter existido algo parecido com um passeio pela cidade, uma coisa tipo "passeio pais e filhos", ou "avós e netos", ou o que quer que lhe quisessem chamar. A ideia seria a promoção de estilos de vida saudáveis. Poder-se-ia trazer os grupos que tantas vezes vemos caminhar pela periferia da cidade para encher as ruas de "passeantes". Assim, a comemoração de aniversário do foral seria extensiva a toda a comunidade da Guarda e não só a atletas!
Tive a oportunidade de participar, em Abril, na Mini-Maratona de Lisboa, e é um ambiente simplesmente fantástico correr, saltitar ou apenas caminhar no meio daquela massa humana, com toda a gente bem-disposta e a apreciar uma vista ímpar sobre a cidade de Lisboa, que só é possível a quem percorre a pé a Ponte 25 de Abril.
Aqui, salvas as devidas proporções, de participantes e meios logísticos que um evento destes sempre implica, poderia aproveitar-se o Grande Prémio de Atlestismo para fazer algo semelhante. A ideia ocorreu-me quando descia a Av. Alexandre Herculano (do liceu em direcção à Quinta do Alarcão), com a avenida praticamente deserta, e imaginei como seria "pulsante" aquela rua com grupos de gente aproveitando a vista daquelas belíssimas árvores "despidos" dos automóveis do costume...