"Na onde de austeridade que percorre o país, há claramente um elo mais fraco: as regiões do interior. Como sabemos, são regiões em muitos casos demograficamente deprimidas, onde o aparelho empresarial é escasso, o que as lança numa espiral de atraso relativamente às regiões do Litoral que todos temos tentado combater mas cuja receita passa mais por tentativa e erro do que por metodologias testadas e comprovadas.
No caso da Guarda – aqui visto como Concelho – os fatos são conhecidos: o último Censos indica-nos um decréscimo de população (se fosse hoje, tenho para mim que o retrato seria bastante pior), uma estrutura etária com prevalência de grupos mais velhos e qualificações abaixo da média.
Apesar de nos últimos anos se ter tentado reverter esta tendência com recurso nomeadamente ao investimento público, a verdade é que essa opção tarda em dar frutos. Se a Guarda é hoje um Concelho bem equipado – é atravessado por 2 autoestradas, tem um parque escolar com boas condições, um novo Hospital que esperamos possa brevemente entrar em funcionamento, uma sala de espetáculos moderna e funcional, infraestruturas desportivas razoáveis, quer em número quer em qualidade, Tribunais com boas condições, para citar os mais óbvios – é cada vez maior a dificuldade em fixar cá novas famílias, em fixar cá jovens qualificados. As ofertas de emprego são muito escassas e as oportunidades de negócio para os mais empreendedores esbarram muitas vezes num ambiente hostil ao estabelecimento de novas empresas. A verdade é que olhando objetivamente, a Guarda pode dar todas as condições aos jovens para se cá fixarem: oferece boas condições de vida para jovens casais criarem os seus filhos, existe boa mobilidade, está a 3 horas de qualquer uma das capitais ibéricas – ou seja, no
centro de um mercado com 50 milhões de habitantes – e aparentemente tem espaço para crescer. E digo aparentemente porque, nalguns casos, chegam-nos queixas de empresários que sentem enormes dificuldades em fazer cá crescer as suas empresas, nuns casos, ou simplesmente iniciar a sua atividade, noutros. É certo que existe um Parque Industrial, mas não existe um Parque de Negócios para empresas mais pequenas, do comércio ou dos Serviços. De resto, se calhar só eu acho que seria necessário implementar uma solução destas, já que nunca ouvi nada sobre o assunto à Associação Comercial ou ao Núcleo de Empresários, sempre mais preocupados em apresentar uma agenda própria do que em envolver-se em projetos comuns, a julgar pelo que temos visto nos últimos anos… Há espaços onde pode ser feito; há Instituições, como o Politécnico e as escolas secundárias e profissionais que têm todo o interesse em se envolver num projeto destes. Mas não vejo qualquer vontade de desenvolver um projeto destes.
Da incubadora de empresas ouço falar há anos, sem que até hoje alguém tenha conseguido levar esse projeto a bom porto. E no entanto, são estruturas que por exemplo nos países do norte da europa existem há dezenas de anos e sobre os quais ainda hoje se tentam novas abordagens e formas de atuação, não ficando a olhar para os sucessos passados para justificar a sua existência.
Volto assim a um tema que periodicamente aqui trago: a falta de estratégia. É necessário defini-la para o Concelho. Faz-nos falta, na hora de distribuir os poucos recursos que ainda vamos tendo. Faz falta ao poder, para poder fazer as escolhas acertadas e faz falta aos cidadãos para avaliarem o poder e lhe reconhecerem obra. Só poderá não fazer falta aqueles para quem a falta de memória dos eleitores é o maior ativo na hora de serem avaliados…"
Pensamentos, gostos e desgostos sobre a cidade onde nasci e escolhi morar. E outras coisas que por vezes me passam pela ideia...
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sábado, 26 de maio de 2012
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Empreender - JÁ!

De acordo com informações hoje divulgadas pela Rádio Altitude, o IPG decidiu não esperar mais pela colaboração da Câmara Municipal para a criação de uma incubadora de empresas! E decidiu, em consequência, avançar sozinho para esse projecto.
Pela minha parte, que tanto tenho falado do assunto, congratulo-me com com mais este contributo do IPG para a cidade. Ouvi as palavras do vice-Presidente onde, com sentido diplomático, explicou a decisão pela demora em obter da Câmara um compromisso palpável, que se traduzisse nalguma realização. Compreende-se que a Câmara tenha outras prioridades; não se compreende que ciclicamente traga o assunto à praça pública, anunciando locais para a sua localização, parceiros para a sua implementação, mas nunca até hoje se tenha visto uma acção concreta. Espero, como o vice-Presidente do IPG, que se possa associar ao projecto, tornando-o maior.
Outra das instituições que deveria estar num projecto deste tipo seria o NERGA; as evidências na área da dinamização de empresas inovadoras revelam que a tutoria é fundamental como factor crítico de sucesso nas empresas nascentes. E essa tutoria, nos países nórdicos, é da responsabilidade de empresários, gente que conhece o mercado e a realidade do mundo dos negócios para além daquilo que consta dos manuais de gestão. São modelos de promoção do empreendedorismo com taxas de sucesso interessantes, cujo modelo tem sido replicado um pouco por todo o mundo.
O primeiro passo está dado. Os meus Parabéns à Direcção do IPG. Espero que o projecto possa ser cada vez maior com o contributo de todos os que têm responsabilidade na área. A Guarda precisa, e há muito que merecia!
domingo, 31 de janeiro de 2010
GuardaLink

A primeira vez que ouvi falar do projecto - há uns 2 ou 3 anos, na altura ainda sem nome - fiquei muito, mas muito reticente. Primeiro porque achava, e continuo a achar, que o transporte rodoviário de mercadorias tal como hoje o conhecemos é insustentável: exerce uma grande pressão sobre o tráfego rodoviário, é ineficiente do ponto de vista dos recursos consumidos e, mais importante, só é possível num contexto de combustíveis baratos como o que (ainda) vivemos actualmente mas que começa já a dar alguns sinais de poder vir a alterar-se a médio prazo. E em segundo porque o projecto aparecia como fruto de uma estratégia de pull (com o Nerga a procurar trazer empresas para o projecto), quando a experiência me diz que raramente este tipo de projectos conhece grande sucesso, ao invés de estratégias de push, em que são as empresas a detectar a oportunidade no mercado e a conjugar esforços para a capitalizar a seu favor.
Entretanto, o projecto foi sendo desenvolvido e esta semana, através do jornal O Interior, fiquei a saber mais alguns pormenores sobre ele.
E o que li contrariou a minha opinião inicial, deixando-me até optimista em relação a ele! Afinal, o projecto conseguiu ganhar dimensão para se tornar um player com peso no mercado, ao reunir 25 empresas do sector, 18 das quais da Guarda, com um volume de negócios estimado no primeiro ano de 60 milhões de Euros. Pese embora estejamos a falar de um sector com um Valor Acrescentado Bruto relativamente reduzido, ainda assim o impacto de um projecto destes ao nível do da criação de valor e emprego é evidentemente importante para a região; além do que, uma empresa desta dimensão terá uma visão privilegiada da envolvente e estará mais preparada para evoluir o seu modelo de negócio, tendo em atenção as Ameaças que indiquei no início, do que a generalidade das pequenas transportadoras. E esta questão leva-me a comentar o outro grande mérito conseguido para o projecto: a sua gestão. Pondo de parte a lógica que costuma prevalecer em projectos baseados em estratégias de pull, de tentativa de controlo e manutanção do poder por parte dos líderes do projecto, no GuardaLink a gestão vai ser independente dos accionistas, com um Conselho de Administração verdadeiramente profissional, que naturalmente executará a estratégia dos accionistas e que a estes terá de prestar contas! Este foi o caminho que sempre defendi para a PLIE. E considero que esta só não tem hoje mais investidores por causa do modelo de gestão que foi seguido.
Assim, parece-me que o GuardaLink tem boas condições para ser um projecto de sucesso - e sabemos que, mais do que nunca, a Guarda precisa de bons projectos empresariais como de pão para a boca - estando pois de parabéns o NERGA pela forma como conduziu o projecto, discretamente mas, ao que tudo indica, de forma eficaz.
Entretanto, o projecto foi sendo desenvolvido e esta semana, através do jornal O Interior, fiquei a saber mais alguns pormenores sobre ele.
E o que li contrariou a minha opinião inicial, deixando-me até optimista em relação a ele! Afinal, o projecto conseguiu ganhar dimensão para se tornar um player com peso no mercado, ao reunir 25 empresas do sector, 18 das quais da Guarda, com um volume de negócios estimado no primeiro ano de 60 milhões de Euros. Pese embora estejamos a falar de um sector com um Valor Acrescentado Bruto relativamente reduzido, ainda assim o impacto de um projecto destes ao nível do da criação de valor e emprego é evidentemente importante para a região; além do que, uma empresa desta dimensão terá uma visão privilegiada da envolvente e estará mais preparada para evoluir o seu modelo de negócio, tendo em atenção as Ameaças que indiquei no início, do que a generalidade das pequenas transportadoras. E esta questão leva-me a comentar o outro grande mérito conseguido para o projecto: a sua gestão. Pondo de parte a lógica que costuma prevalecer em projectos baseados em estratégias de pull, de tentativa de controlo e manutanção do poder por parte dos líderes do projecto, no GuardaLink a gestão vai ser independente dos accionistas, com um Conselho de Administração verdadeiramente profissional, que naturalmente executará a estratégia dos accionistas e que a estes terá de prestar contas! Este foi o caminho que sempre defendi para a PLIE. E considero que esta só não tem hoje mais investidores por causa do modelo de gestão que foi seguido.
Assim, parece-me que o GuardaLink tem boas condições para ser um projecto de sucesso - e sabemos que, mais do que nunca, a Guarda precisa de bons projectos empresariais como de pão para a boca - estando pois de parabéns o NERGA pela forma como conduziu o projecto, discretamente mas, ao que tudo indica, de forma eficaz.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Empreendedorismo (II)
A propósito do que referi no meu post anterior, lembrei-me de um artigo que escrevi publicado no Jornal O Interior em Julho de 2007 sobre o mesmo tema. Acho interessante reproduzi-lo aqui, com o devido enquadramento: foi na sequência de uma sessão de trabalho entre empresários da região e representantes do Governo, nomeadamente o Secretário de Estado do Emprego e o Secretário de Estado da Indústria e Inovação (cito de memória). Aqui fica:
"Na semana passada, reuniram na Guarda com empresários da região, representantes do Governo, numa sessão de trabalho subordinada ao tema “Investimentos e Empreendedorismo no Distrito da Guarda”. Nesta reunião, foram auscultadas as opiniões de todos quantos quiseram contribuir com a sua intervenção e foram ainda anunciadas medidas que o Governo se propõe tomar, das quais destaco o envelope financeiro que vai (finalmente) ser disponibilizado para a PLIE e o apoio a um Centro de Incubação de Empresas, ambos projectos em que a Câmara Municipal é entidade Promotora.
Se a primeira revela o reconhecimento da valia para a região em particular, e para o País em geral, de uma estrutura que permitirá a implantação de um conjunto de empresas que pretendam beneficiar de serviços de apoio, numa lógica de localização centrada na competitividade logística, já a segunda vem na sequência de um conjunto de medidas que o Governo tem vindo a adoptar para a promoção do empreendedorismo, que só peca por tardia.
A criação na Guarda de uma Incubadora de Empresas (de base tecnológica) constitui para a região uma excelente oportunidade de ver surgir aqui um conjunto de empresas geradoras de valor e capazes de fixar e atrair quadros qualificados, numa lógica de ciclo virtuoso , no qual há muito se deveria ter apostado como motor do desenvolvimento regional.
Todavia, se para alguns, a obtenção dos apoios disponibilizados e a capacidade de colocar os projectos em funcionamento é o fim de um ciclo, outro mais desafiante se inicia: o de com estas estruturas recuperar algum do atraso da região, arrepiando caminho, numa lógica de comparação com os melhores ou, se quisermos, de benchmarking, e de adopção das melhores práticas em matéria de apoio ao empreendedorismo. E aqui, todos temos responsabilidades a assumir: entidades oficiais, instituições de ensino superior – com destaque para o IPG – mas também os empresários da região.
Em Março passado participei no “Unispin Winter Workshop” da TII (uma associação europeia para a transferência de tecnologia, inovação e informação industrial, disponível em www.tii.org), em Lausanne; das comunicações a que assistimos, destaco 2, sobre os programas de apoio ao empreendedorismo de 2 Universidades do Norte da Europa (Linköping, na Suécia e Twente, na Holanda) especialmente bem sucedidos. Tanto, que esses programas têm sido “vendidos” a outra Universidades, da Europa e dos Estados Unidos. E se houve um ponto comum às 2 comunicações que imediatamente foi possível identificar foi o envolvimento de empresários sénior, com experiência no lançamento de novas empresas e em novos mercados, como factor crítico para o sucesso destes programas.
Resulta daqui que, para além da instalação das empresas, o apoio aos empreendedores passa necessariamente por uma conjugação de instrumentos e ferramentas de gestão, onde obrigatoriamente pontificam o coaching e a tutoria.
Mas o desafio pode e deve ir ainda mais longe: fugir ao estereótipo criado à volta do empreendedor (como sendo os quadros recém-formados e professores envolvidos em spin-offs académicos) e fazer uma clara aposta na promoção de spin-offs empresariais, partilhando o risco e capitalizando a experiência e cultura empresarial destes actores, criando-se assim um ambiente dinâmico, propício ao aparecimento de novas empresas, aproveitando todas as potencialidades existentes.
Em suma, muitas portas podem ter sido abertas com os compromissos assumidos na semana passada; mas atravessá-las e ocupar os lugares disponíveis cabe a todos nós, que insistimos em viver, trabalhar e desenvolver a região da Guarda.
Por: Rui Ribeiro, P.G. Gestão de Empresas
rui.ribeiro.0@gmail.com"
Se a primeira revela o reconhecimento da valia para a região em particular, e para o País em geral, de uma estrutura que permitirá a implantação de um conjunto de empresas que pretendam beneficiar de serviços de apoio, numa lógica de localização centrada na competitividade logística, já a segunda vem na sequência de um conjunto de medidas que o Governo tem vindo a adoptar para a promoção do empreendedorismo, que só peca por tardia.
A criação na Guarda de uma Incubadora de Empresas (de base tecnológica) constitui para a região uma excelente oportunidade de ver surgir aqui um conjunto de empresas geradoras de valor e capazes de fixar e atrair quadros qualificados, numa lógica de ciclo virtuoso , no qual há muito se deveria ter apostado como motor do desenvolvimento regional.
Todavia, se para alguns, a obtenção dos apoios disponibilizados e a capacidade de colocar os projectos em funcionamento é o fim de um ciclo, outro mais desafiante se inicia: o de com estas estruturas recuperar algum do atraso da região, arrepiando caminho, numa lógica de comparação com os melhores ou, se quisermos, de benchmarking, e de adopção das melhores práticas em matéria de apoio ao empreendedorismo. E aqui, todos temos responsabilidades a assumir: entidades oficiais, instituições de ensino superior – com destaque para o IPG – mas também os empresários da região.
Em Março passado participei no “Unispin Winter Workshop” da TII (uma associação europeia para a transferência de tecnologia, inovação e informação industrial, disponível em www.tii.org), em Lausanne; das comunicações a que assistimos, destaco 2, sobre os programas de apoio ao empreendedorismo de 2 Universidades do Norte da Europa (Linköping, na Suécia e Twente, na Holanda) especialmente bem sucedidos. Tanto, que esses programas têm sido “vendidos” a outra Universidades, da Europa e dos Estados Unidos. E se houve um ponto comum às 2 comunicações que imediatamente foi possível identificar foi o envolvimento de empresários sénior, com experiência no lançamento de novas empresas e em novos mercados, como factor crítico para o sucesso destes programas.
Resulta daqui que, para além da instalação das empresas, o apoio aos empreendedores passa necessariamente por uma conjugação de instrumentos e ferramentas de gestão, onde obrigatoriamente pontificam o coaching e a tutoria.
Mas o desafio pode e deve ir ainda mais longe: fugir ao estereótipo criado à volta do empreendedor (como sendo os quadros recém-formados e professores envolvidos em spin-offs académicos) e fazer uma clara aposta na promoção de spin-offs empresariais, partilhando o risco e capitalizando a experiência e cultura empresarial destes actores, criando-se assim um ambiente dinâmico, propício ao aparecimento de novas empresas, aproveitando todas as potencialidades existentes.
Em suma, muitas portas podem ter sido abertas com os compromissos assumidos na semana passada; mas atravessá-las e ocupar os lugares disponíveis cabe a todos nós, que insistimos em viver, trabalhar e desenvolver a região da Guarda.
Por: Rui Ribeiro, P.G. Gestão de Empresas
rui.ribeiro.0@gmail.com"
Centro de Negócios Transfronteirço

Por uma questão de justiça, não posso deixar de falar do tema, apesar do atraso com que o faço (justificado no meu post anterior).
No Soito, foi inaugurado, no passado dia 20 de Junho, o Centro de Negócios Transfronteiriço. Trata-se de uma Incubadora de Empresas/Negócios, com assumida vocação transfronteiriça, que deverá servir a população do Soito e localidades vizinhas.
Tive a oportunidade de assistir à inauguração e de visitar as instalações, que decorreram em simultâneo com a Gala das Empresas do Jornal Nova Guarda e fiquei muitíssimo bem impressionado.
Pegou-se num problema existente há já algum tempo - uma fábrica de refrigerantes encerrada, num local privilegiado da localidade - e com planeamento e imaginação criou-se uma potencialidade enorme para os empreendedores de toda aquela zona, que passaram a contar com uma estrutura que lhes vai facilitar imenso o arranque de novos projectos de negócio! Estão pois de Parabéns!
A distribuição do espaço disponível permite albergar comercio, serviços e pequenas indústrias, com acessos próprios para cargas/descargas e permite a partilha de serviços de apoio, libertando as empresas instaladas de alguns custos.
Pena tenho eu que a Guarda não disponha até hoje de uma estrutura semelhante, apesar de aqui existirem outros serviços que têm todo o interesse numa estrutura como aquela: IPG, Associações Empresariais, Câmara...
Já tive oportunidade de referir que há cerca de 2 anos surgiram notícias dando conta dessa intenção, mas até hoje não conheci qualquer desenvolvimento no que seria uma infra-estrutura essencial para a Guarda fixar empreendedores e transformar potencialidades (que por si só não trazem o desenvolvimento que queremos para a Guarda) em negócios, em criação de riqueza.
Francamente, e aproveitando a "onda" eleitoral que se avizinha, gostava de ver os candidatos comprometerem-se nesse sentido.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Valhelhas - Bandeira Azul

Foi com gosto que soube há dias que a Praia Fluvial de Valhelhas foi distinguida com a conhecida bandeira azul. Esta distinção segue-se a uma boa classificação obtida há cerca de 1 mês numa análise da DECO. Ambas são garantias, para todos os que visitam Valhelhas, de que podem contar com um espaço com todas as comodidades e condições para um dia bem passado naquela Praia Fluvial, aqui mesmo às portas da Guarda.
Tenho raízes em Valhelhas e desde muito novo me habituei às tardes de Verão passadas no Rio, em pic-nics com a família - no tempo em que as famílias faziam pic-nics - ou simplesmente para um refrescante e revigorante mergulho. Assisti pois ao nascimento e evolução daquilo que é hoje a Praia Fluvial: primeiro um local onde se ia no Verão, pelo meio dos milheirais, dar um mergulho; depois, o voluntarista Sr. João Pais, empresário com máquinas de carga e movimentação de terras, durante alguns anos no início do Verão lá fazia uma pequena parede de pedras que retinham alguma água, formando assim uma albufeira que se começava a assemelhar com a estrutura que hoje vemos; mais tarde, a Junta de Freguesia construiu o Parque de Merendas e institucionalizou-se aquela parede de pedras todos os Verões; com o Parque de Campismo e a evolução dos tempos, chegámos à estrutura de betão que hoje existe. E a coisa não vai ficar por aqui. O Presidente da Junta, Paulo Carvalho - que conheço e que é um Homem empreendedor, como de resto é visível no seu percurso profissional - tem planos para a melhoria do espaço, para poder dar mais a todos os que visitam Valhelhas.
Nos próximos anos, Valhelhas deverá assim receber avultados investimentos na estrutura de apoio ao turismo que hoje tem, que espero que sejam um sucesso e dinamizem aquela pequena aldeia perdida no coração da Estrela, mas de uma grande beleza.
Confesso que gosto mais de Valhelhas nesta altura do ano: no início da Primavera, com pouca gente, com muita calma... Experimentem ir por lá um dia destes, almoçar no Restaurante "Vallecula" do inefável Luís Castro ou no "Soadro do Zêzere" do dinâmico e empreendedor Paulo Carvalho; em qualquer dos dois, poderão provar os sabores antigos em receitas absolutamente originais. Depois, para ajudar à digestão, nada melhor que um passeio no espaço da Praia Fluvial, ouvindo o cantar da água e o trinado dos pássaros.
Num quadro destes, qualquer um de nós vem de lá a sentir-se melhor pessoa!
quinta-feira, 26 de março de 2009
Ainda a PLIE
Foi esta semana publicado o "Regulamento Municipal de Atribuição de Lotes para a Instalação de Actividades Económicas". Assim, de acordo com o Sr. Presidente da Câmara (e Presidente do Conselho de Administração da PLIE), pode dar-se início à venda dos lotes de terreno na PLIE e na ALE contígua.
Reconhecendo que é um passo em frente em todo este processo, é também, em minha opinião, um enorme erro estratégico esta forma de actuação. Já tive mesmo oportunidade de o transmitir ao Sr. Presidente da Câmara...
Penso que o que as empresas procuram na Guarda não são lotes de terreno; nem para os vender seria preciso constituir uma sociedade como a PLIE! O que faz falta na Guarda são soluções de localização empresarial. Que passam naturalmente pelo terreno para implantação de edifícios, mas que vão muito para além disso.
O que deveria ser comercializado pela PLIE seriam soluções de localização empresarial: terreno, projecto pré-aprovado, entidade construtora e solução de licenciamento. Além da gestão do espaço envolvente e demais actividades decorrentes da gestão de um moderno Parque Empresarial, como sejam a captação de novos negócios na sequência do Plano de Desenvolvimento Estratégico, promoção, etc.
Assim se conseguiria ser competitivo na oferta de soluções, criar um espaço com uma identidade arquitectónica consistente e, com algum envolvimento de empresas locais, conseguir que muito do investimento fosse distribuído por empresas da Guarda (por exemplo na contratualizaçao da construção).
Mas não é nada disto que vai acontecer: vão-se vender lotes de terreno, os compradores terão de passar pelo calvário habitual da fase de projecto e licenciamento de construção, vão ser contratadas construtoras de fora que darão pequenas empreitadas aos locais, ficando eles com a parte de leão do negócio e o parque vais ser mais um igual a tantos outros, sem um elemento que o diferencie enquanto tal, já que a sua localização privilegiada, essa sê-lo-á por alguns anos...
A PLIE ainda tem condições para ter algum sucesso e a ser uma âncora empresarial importante para a região da Guarda. Mas comparada com o que poderia ser, vai ficar, pelo menos para mim, a saber a pouco...
Reconhecendo que é um passo em frente em todo este processo, é também, em minha opinião, um enorme erro estratégico esta forma de actuação. Já tive mesmo oportunidade de o transmitir ao Sr. Presidente da Câmara...
Penso que o que as empresas procuram na Guarda não são lotes de terreno; nem para os vender seria preciso constituir uma sociedade como a PLIE! O que faz falta na Guarda são soluções de localização empresarial. Que passam naturalmente pelo terreno para implantação de edifícios, mas que vão muito para além disso.
O que deveria ser comercializado pela PLIE seriam soluções de localização empresarial: terreno, projecto pré-aprovado, entidade construtora e solução de licenciamento. Além da gestão do espaço envolvente e demais actividades decorrentes da gestão de um moderno Parque Empresarial, como sejam a captação de novos negócios na sequência do Plano de Desenvolvimento Estratégico, promoção, etc.
Assim se conseguiria ser competitivo na oferta de soluções, criar um espaço com uma identidade arquitectónica consistente e, com algum envolvimento de empresas locais, conseguir que muito do investimento fosse distribuído por empresas da Guarda (por exemplo na contratualizaçao da construção).
Mas não é nada disto que vai acontecer: vão-se vender lotes de terreno, os compradores terão de passar pelo calvário habitual da fase de projecto e licenciamento de construção, vão ser contratadas construtoras de fora que darão pequenas empreitadas aos locais, ficando eles com a parte de leão do negócio e o parque vais ser mais um igual a tantos outros, sem um elemento que o diferencie enquanto tal, já que a sua localização privilegiada, essa sê-lo-á por alguns anos...
A PLIE ainda tem condições para ter algum sucesso e a ser uma âncora empresarial importante para a região da Guarda. Mas comparada com o que poderia ser, vai ficar, pelo menos para mim, a saber a pouco...
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Crónica Diária - Rádio Altitude
Em 4 de Fevereiro, foi assim:
Muito se tem dito e escrito sobre a crise que tem varrido o mundo dos negócios. São mais ou menos conhecidos os motivos que estiveram na sua origem e alguns dos seus principais protagonistas – quer tenham sido causadores quer visados. O seu epicentro foi nos EEUU, mas rapidamente alastrou a todas as regiões do Globo, com particular incidência naquelas que têm maior grau de desenvolvimento que, paradoxalmente, são também aquelas que mais dependência vieram a revelar dos sistemas financeiros. Veja-se o caso da Islândia.
Sabe-se tudo isto, mas não se sabe ainda a verdadeira dimensão da crise – quer a sua extensão, quer a sua duração. Esta dependerá em parte do sucesso das políticas que têm vindo a ser implementadas em diversas áreas.
Portugal, como Economia periférica e aberta que é, começou cedo a sofrer as agruras da crise, e a procissão ainda vai no adro, como costuma dizer-se por cá.
Independentemente do sucesso das medidas governamentais, não podemos ter ilusões: é certo que o desemprego vai subir, é certo que muitas empresas vão fechar e é certo que teremos de abdicar de uma parte – mais ou menos significativa, consoante a situação individual de cada um – do nível de vida a que nos temos habituado. Em situações como esta, a rapidez de resposta é decisiva; não é o momento de esperar para ver, é o momento de agir. Os que ficarem a ver, verão provavelmente o seu infortúnio.
Em momentos como o actual, acaba por ser evidente aquilo que todos os manuais de gestão e economia nos dizem, mas que não é visível em épocas de prosperidade: que os agentes económicos mais bem preparados continuarão a sua actividade e a sua progressão na cadeia de criação de valor, tendo os restantes tendência para acabarem por desaparecer. Na verdade, em épocas de prosperidade as economias tendem a ser menos eficientes.
Na crise a que assistimos, será decisiva a rapidez e a capacidade de resposta. Mas, inevitavelmente, alguns ficarão pelo caminho. Para estes, é preciso promover o insucesso responsável, um conceito pouco cultivado entre nós. Porque gostamos de apregoar sucessos aos quatro ventos, mas preferimos varrer os insucessos para baixo do tapete.
Todos os que estão no mundo dos negócios, sabem que uma actividade empresarial comporta riscos. Um deles, o risco de o projecto de negócio ser mal-sucedido. O insucesso responsável visa, nestes casos, que por um lado este insucesso não tenha repercussões na envolvente da empresa – clientes, fornecedores, colaboradores, etc – e por outra que desse insucesso se retirem ensinamentos que possam ser utilizados em futuros projectos. É com este conceito em mente que algumas empresas de capital de risco valorizam, na análise do perfil do candidato a operações de financiamento, o seu passado de insucessos. Porque é previsível que não se voltem a cometer erros passados. E porque só o verdadeiro empreendedor arrisca nova aventura empresarial depois de ter conhecido o insucesso.
Penso portanto que este é o tempo indicado para dar eco a este interessante conceito, por um lado porque se adivinham para os tempos mais próximos alguns insucessos, por outro porque precisamos da experiência e do espírito empreendedor daqueles que têm boas ideias de negócio, audácia e vontade para as levar à prática.
Do lado das políticas públicas, este é um momento que dificilmente se repetirá no futuro: estão hoje à disposição dos empresários – actuais ou futuros – um conjunto de instrumentos de financiamento, com uma amplitude e intensidade de incentivos que poucos pensaram voltar algum dia ver. De linhas de crédito com juro bonificado, a incentivos com ou sem reembolso, até incentivos que chegam nalguns casos a 50% do investimento, os apoios públicos actualmente em vigor abrangem a grande maioria dos sectores de actividade e necessidades de investimento das empresas. Não chegará para todos, porque muitos destes apoios estão sujeitos a regras de selectividade, ou seja, projectos mais competitivos, com maior incidência em factores dinâmicos de competitividade, apresentados por empresas financeiramente mais sólidas estarão à partida mais bem colocados para a obtenção de apoios. Convém não esquecer que quando falamos de apoios públicos, é de dinheiro dos contribuintes – que somos todos nós – que estamos a falar. E naturalmente, todos exigimos que o nosso dinheiro seja aplicado da melhor forma possível. Também não serão extensíveis a todas as necessidades, de todas as empresas. Quanto a isso, não podemos ter ilusões: não haverá nunca um sistema de apoios a empresas (ou outras entidades) perfeito, que se aplique a todas as situações, até pelo simples facto de existirem nalguns sectores restrições que nos são impostas.
O momento é de agir, de aproveitar financiamentos e fortalecer as empresas. A maior parte, senão todas, passarão por dificuldades. Mas as que estiverem mais bem preparadas sobreviverão, e tenho a certeza que sairão desta crise mais fortes. Das outras, ainda que tenham de se extinguir, tenho também a certeza de que algo se poderá aproveitar; assim todos o queiramos…
Para ouvir, clique aqui.
Muito se tem dito e escrito sobre a crise que tem varrido o mundo dos negócios. São mais ou menos conhecidos os motivos que estiveram na sua origem e alguns dos seus principais protagonistas – quer tenham sido causadores quer visados. O seu epicentro foi nos EEUU, mas rapidamente alastrou a todas as regiões do Globo, com particular incidência naquelas que têm maior grau de desenvolvimento que, paradoxalmente, são também aquelas que mais dependência vieram a revelar dos sistemas financeiros. Veja-se o caso da Islândia.
Sabe-se tudo isto, mas não se sabe ainda a verdadeira dimensão da crise – quer a sua extensão, quer a sua duração. Esta dependerá em parte do sucesso das políticas que têm vindo a ser implementadas em diversas áreas.
Portugal, como Economia periférica e aberta que é, começou cedo a sofrer as agruras da crise, e a procissão ainda vai no adro, como costuma dizer-se por cá.
Independentemente do sucesso das medidas governamentais, não podemos ter ilusões: é certo que o desemprego vai subir, é certo que muitas empresas vão fechar e é certo que teremos de abdicar de uma parte – mais ou menos significativa, consoante a situação individual de cada um – do nível de vida a que nos temos habituado. Em situações como esta, a rapidez de resposta é decisiva; não é o momento de esperar para ver, é o momento de agir. Os que ficarem a ver, verão provavelmente o seu infortúnio.
Em momentos como o actual, acaba por ser evidente aquilo que todos os manuais de gestão e economia nos dizem, mas que não é visível em épocas de prosperidade: que os agentes económicos mais bem preparados continuarão a sua actividade e a sua progressão na cadeia de criação de valor, tendo os restantes tendência para acabarem por desaparecer. Na verdade, em épocas de prosperidade as economias tendem a ser menos eficientes.
Na crise a que assistimos, será decisiva a rapidez e a capacidade de resposta. Mas, inevitavelmente, alguns ficarão pelo caminho. Para estes, é preciso promover o insucesso responsável, um conceito pouco cultivado entre nós. Porque gostamos de apregoar sucessos aos quatro ventos, mas preferimos varrer os insucessos para baixo do tapete.
Todos os que estão no mundo dos negócios, sabem que uma actividade empresarial comporta riscos. Um deles, o risco de o projecto de negócio ser mal-sucedido. O insucesso responsável visa, nestes casos, que por um lado este insucesso não tenha repercussões na envolvente da empresa – clientes, fornecedores, colaboradores, etc – e por outra que desse insucesso se retirem ensinamentos que possam ser utilizados em futuros projectos. É com este conceito em mente que algumas empresas de capital de risco valorizam, na análise do perfil do candidato a operações de financiamento, o seu passado de insucessos. Porque é previsível que não se voltem a cometer erros passados. E porque só o verdadeiro empreendedor arrisca nova aventura empresarial depois de ter conhecido o insucesso.
Penso portanto que este é o tempo indicado para dar eco a este interessante conceito, por um lado porque se adivinham para os tempos mais próximos alguns insucessos, por outro porque precisamos da experiência e do espírito empreendedor daqueles que têm boas ideias de negócio, audácia e vontade para as levar à prática.
Do lado das políticas públicas, este é um momento que dificilmente se repetirá no futuro: estão hoje à disposição dos empresários – actuais ou futuros – um conjunto de instrumentos de financiamento, com uma amplitude e intensidade de incentivos que poucos pensaram voltar algum dia ver. De linhas de crédito com juro bonificado, a incentivos com ou sem reembolso, até incentivos que chegam nalguns casos a 50% do investimento, os apoios públicos actualmente em vigor abrangem a grande maioria dos sectores de actividade e necessidades de investimento das empresas. Não chegará para todos, porque muitos destes apoios estão sujeitos a regras de selectividade, ou seja, projectos mais competitivos, com maior incidência em factores dinâmicos de competitividade, apresentados por empresas financeiramente mais sólidas estarão à partida mais bem colocados para a obtenção de apoios. Convém não esquecer que quando falamos de apoios públicos, é de dinheiro dos contribuintes – que somos todos nós – que estamos a falar. E naturalmente, todos exigimos que o nosso dinheiro seja aplicado da melhor forma possível. Também não serão extensíveis a todas as necessidades, de todas as empresas. Quanto a isso, não podemos ter ilusões: não haverá nunca um sistema de apoios a empresas (ou outras entidades) perfeito, que se aplique a todas as situações, até pelo simples facto de existirem nalguns sectores restrições que nos são impostas.
O momento é de agir, de aproveitar financiamentos e fortalecer as empresas. A maior parte, senão todas, passarão por dificuldades. Mas as que estiverem mais bem preparadas sobreviverão, e tenho a certeza que sairão desta crise mais fortes. Das outras, ainda que tenham de se extinguir, tenho também a certeza de que algo se poderá aproveitar; assim todos o queiramos…
Para ouvir, clique aqui.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Crónica Diária - Rádio Altitude
A minha primeira Crónica Diária de 2009 foi assim:
"Aproveito esta minha primeira crónica de 2009 para apresentar a minha lista de desejos para a Guarda. Alguns são pequenos equipamentos que tornarão certamente a nossa vivência na cidade mais agradável, dando-lhe até um toque de urbanidade, outros serão estruturantes para toda a envolvente; uns serão novos, outros desejos já muitas vezes repetidos, mesmo aqui nos microfones da Rádio Altitude. Mas começar uma etapa – de um projecto, da vida – sem objectivos bem definidos, faz com que possamos perder o rumo ou mesmo com que não saibamos quando realmente chegámos ao fim dessa etapa – daí a importância de fixarmos objectivos ou, no caso vertente, de formularmos desejos. Neste caso, num exercício meramente individual.
Começo por um bem simples: uma rampa para skates ou patins. È um equipamento relativamente barato e que inegavelmente faz falta aos jovens da Guarda. Seria uma forma interessante de criar nas zonas verdes do centro da cidade algo que atraísse os jovens, já que os nossos jardins manifestamente não têm capacidade para atrair quem quer que seja. Ou alguém consegue descortinar um bom motivo para passar uma hora ou duas no Jardim José de Lemos, por exemplo? Por outro lado, também todos concordarão que o passeio e acesso principal à Câmara Municipal não é o local mais digno para os nossos jovens darem largas às suas habilidades no skate… Seria pois uma forma de promover estilos de vida saudáveis, tirando os nossos jovens de frente das televisões, dando-lhes um bom pretexto para passar mais tempo ao ar livre.
Em segundo lugar, uma estrutura de que eu tenho falado muito, mas da qual tenho ouvido falar muito pouco ou nada: uma incubadora de empresas. Apresentada ainda em 2007, está até hoje por concretizar. É um equipamento de apoio à criação e fixação de empresas na Guarda que não podemos de todo dispensar por mais tempo. É necessário estimular projectos empresariais nos técnicos que todos os anos concluem a sua formação no IPG e nas escolas profissionais; é necessário dar-lhes uma estrutura de apoio, altamente profissionalizada, que faça com que seja mais fácil ficar na Guarda do que regressarem aos seus locais de origem – precisamente o contrário do que hoje se verifica. Uma incubadora é tanto mais importante quanto se confirmou, há cerca de 2 meses, através de um estudo realizado por uma docente da Universidade do Porto, que os alunos que frequentam o IPG são dos que reúnem mais características de “empreendedores” de todos quantos estudam em estabelecimentos de ensino no interior do País. A Guarda não se pode dar ao luxo de continuar a ignorar este enorme potencial e de ter um IPG a formar técnicos para engrandecer outras regiões, sendo nós meros espectadores do sucesso dos outros.
O terceiro é uma requalificação do actual Parque Industrial. Arranjo de arruamentos e passeios, ordenamento do trânsito tendo em atenção que a largura das ruas não permite que se estacione e se circule nos 2 sentidos e limpeza e vedação dos lotes devolutos são medidas urgentes para devolver àquela zona da cidade um ar minimamente urbano; ainda mais agora, que uma nova superfície comercial se prepara para abrir e a zona vais ser muito mais frequentada, é necessário dar atenção a uma zona da cidade que vai ser a porta de entrada para gente de fora da Guarda.
Em quarto lugar, desejo um verdadeiro compromisso com a requalificação do centro histórico. Que vá além de promessas vagas e se comprometa com datas. Não posso deixar de lamentar que não se tenha voltado a ouvir falar dos audio-guias; que a prometida sinalética comum para monumentos e establecimentos não exista senão no campo da fantasia; que a requalificação do centro histórico não tenha sido, nos últimos dez anos, mais do que repetidos ciclos de tira-e-põe de contentores de lixo, a renovação das infra-estruturas básicas de saneamento e electricidade, a pavimentação de 2 ou 3 ruas e a recuperação de algumas casas. Não que estes não tenham sido investimentos importantes, mas quando se fala em requalificação, espera-se algo mais. E não se espera certamente que se privatize uma parte da muralha…
Por último, desejo que 2009 seja o ano em que os empresários da Guarda vejam também satisfeitas as suas necessidades de crescimento. Falo da PLIE e da ideia que fica quando dela se fala, de que se trata de uma estrutura apenas para captar investidores no exterior. É necessário também olharmos pelos empresários da Guarda, alguns há muitos anos à espera de uma oportunidade de investimento na Região. Desejo pois, que além das 3 empresas recentemente anunciadas para se irem localizar na PLIE, se lá venham a localizar durante 2009 empresas da Guarda que, mercê do seu crescimento, necessitam hoje uma infra-estrutura industrial que contemple as diversas actividades de suporte que as modernas áreas de localização empresarial colocam ao dispor das empresas. Desejo no fundo que fique claramente demonstrado que os motivos para as críticas dos empresários da Guarda relativamente à ausência de condições para o desenvolvimento dos seus negócios possam ser finalmente eliminados e estes cumpram agora o seu papel de criadores de riqueza e emprego na região.
A Guarda precisa de muito mais do que estes equipamentos que enumerei – disso não tenho também grandes dúvidas. Mas este será certamente um bom começo…"
Pode ser ouvida aqui.
"Aproveito esta minha primeira crónica de 2009 para apresentar a minha lista de desejos para a Guarda. Alguns são pequenos equipamentos que tornarão certamente a nossa vivência na cidade mais agradável, dando-lhe até um toque de urbanidade, outros serão estruturantes para toda a envolvente; uns serão novos, outros desejos já muitas vezes repetidos, mesmo aqui nos microfones da Rádio Altitude. Mas começar uma etapa – de um projecto, da vida – sem objectivos bem definidos, faz com que possamos perder o rumo ou mesmo com que não saibamos quando realmente chegámos ao fim dessa etapa – daí a importância de fixarmos objectivos ou, no caso vertente, de formularmos desejos. Neste caso, num exercício meramente individual.
Começo por um bem simples: uma rampa para skates ou patins. È um equipamento relativamente barato e que inegavelmente faz falta aos jovens da Guarda. Seria uma forma interessante de criar nas zonas verdes do centro da cidade algo que atraísse os jovens, já que os nossos jardins manifestamente não têm capacidade para atrair quem quer que seja. Ou alguém consegue descortinar um bom motivo para passar uma hora ou duas no Jardim José de Lemos, por exemplo? Por outro lado, também todos concordarão que o passeio e acesso principal à Câmara Municipal não é o local mais digno para os nossos jovens darem largas às suas habilidades no skate… Seria pois uma forma de promover estilos de vida saudáveis, tirando os nossos jovens de frente das televisões, dando-lhes um bom pretexto para passar mais tempo ao ar livre.
Em segundo lugar, uma estrutura de que eu tenho falado muito, mas da qual tenho ouvido falar muito pouco ou nada: uma incubadora de empresas. Apresentada ainda em 2007, está até hoje por concretizar. É um equipamento de apoio à criação e fixação de empresas na Guarda que não podemos de todo dispensar por mais tempo. É necessário estimular projectos empresariais nos técnicos que todos os anos concluem a sua formação no IPG e nas escolas profissionais; é necessário dar-lhes uma estrutura de apoio, altamente profissionalizada, que faça com que seja mais fácil ficar na Guarda do que regressarem aos seus locais de origem – precisamente o contrário do que hoje se verifica. Uma incubadora é tanto mais importante quanto se confirmou, há cerca de 2 meses, através de um estudo realizado por uma docente da Universidade do Porto, que os alunos que frequentam o IPG são dos que reúnem mais características de “empreendedores” de todos quantos estudam em estabelecimentos de ensino no interior do País. A Guarda não se pode dar ao luxo de continuar a ignorar este enorme potencial e de ter um IPG a formar técnicos para engrandecer outras regiões, sendo nós meros espectadores do sucesso dos outros.
O terceiro é uma requalificação do actual Parque Industrial. Arranjo de arruamentos e passeios, ordenamento do trânsito tendo em atenção que a largura das ruas não permite que se estacione e se circule nos 2 sentidos e limpeza e vedação dos lotes devolutos são medidas urgentes para devolver àquela zona da cidade um ar minimamente urbano; ainda mais agora, que uma nova superfície comercial se prepara para abrir e a zona vais ser muito mais frequentada, é necessário dar atenção a uma zona da cidade que vai ser a porta de entrada para gente de fora da Guarda.
Em quarto lugar, desejo um verdadeiro compromisso com a requalificação do centro histórico. Que vá além de promessas vagas e se comprometa com datas. Não posso deixar de lamentar que não se tenha voltado a ouvir falar dos audio-guias; que a prometida sinalética comum para monumentos e establecimentos não exista senão no campo da fantasia; que a requalificação do centro histórico não tenha sido, nos últimos dez anos, mais do que repetidos ciclos de tira-e-põe de contentores de lixo, a renovação das infra-estruturas básicas de saneamento e electricidade, a pavimentação de 2 ou 3 ruas e a recuperação de algumas casas. Não que estes não tenham sido investimentos importantes, mas quando se fala em requalificação, espera-se algo mais. E não se espera certamente que se privatize uma parte da muralha…
Por último, desejo que 2009 seja o ano em que os empresários da Guarda vejam também satisfeitas as suas necessidades de crescimento. Falo da PLIE e da ideia que fica quando dela se fala, de que se trata de uma estrutura apenas para captar investidores no exterior. É necessário também olharmos pelos empresários da Guarda, alguns há muitos anos à espera de uma oportunidade de investimento na Região. Desejo pois, que além das 3 empresas recentemente anunciadas para se irem localizar na PLIE, se lá venham a localizar durante 2009 empresas da Guarda que, mercê do seu crescimento, necessitam hoje uma infra-estrutura industrial que contemple as diversas actividades de suporte que as modernas áreas de localização empresarial colocam ao dispor das empresas. Desejo no fundo que fique claramente demonstrado que os motivos para as críticas dos empresários da Guarda relativamente à ausência de condições para o desenvolvimento dos seus negócios possam ser finalmente eliminados e estes cumpram agora o seu papel de criadores de riqueza e emprego na região.
A Guarda precisa de muito mais do que estes equipamentos que enumerei – disso não tenho também grandes dúvidas. Mas este será certamente um bom começo…"
Pode ser ouvida aqui.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Crónica Diária - Rádio Altitude
Mais uma quarta-feira, mais uma crónica - ou umas postas de pescada, se preferirem. Fica a opinião:
"Na semana passada celebrou-se mais um aniversário da nossa cidade. O programa das comemorações contemplou este ano um conjunto de actividades que passaram pelo Desporto, Teatro, Música, para citar aqueles que mais me chamaram a atenção, culminando com a inauguração da nova Biblioteca Municipal na presença do Sr. Presidente da República.
Como referiram os responsáveis da autarquia, a inauguração da Biblioteca é o culminar de um processo de dotação da cidade de algumas infra-estruturas básicas na área da Cultura. Como sempre nestas coisas, há vozes críticas. A cultura, por ser uma área onde o intangível domina, tem por vezes pouco reconhecimento por parte do cidadão comum, que quer coisa que se veja. É pois preciso pararmos para pensar, e tentarmos perceber que o investimento na cultura é um investimento a prazo, nas pessoas, sendo mais importantes as actividades que lá se vão desenvolver que o betão que se gasta na obra. Pegando num exemplo relacionado com as comemorações da passada semana, das pessoas com quem falei e que assistiram ao espectáculo “Guarda – Rádio Memória”, nenhuma ficou indiferente à mensagem de orgulho das histórias e personagens da cidade que povoam a nossa memória. Evidentemente é necessária uma infra-estrutura com alguma envergadura para poder montar um espectáculo como “Guarda – Rádio Memória”. Por outro lado, de que nos serviria o TMG se lá não fosse desenvolvida uma programação que aproveite a capacidade ali instalada? É, por tudo isto, mais importante o que se lá faz do que o edifício em si.
Mas como sempre neste tipo de comemorações, depois dos festejos temos inevitavelmente de regressar ao dia-a-dia. E esse, segundo as previsões que temos conhecido, não se avizinham fáceis. A crise sobre a qual tanto se tem dito e escrito vai, segundo os diversos analistas, intensificar-se durante o próximo ano, o que significa para nós, consumidores, que até pelo menos 2010 vamos sofrer com ela. A juntar à crise de liquidez dos bancos, que faz com que uma grande parte dos portugueses veja aumentada a sua factura com o crédito à habitação, teremos um previsível aumento do desemprego e uma contracção da economia, ou seja, uma ausência de crescimento económico que se vai traduzir numa diminuição de rendimento e na perda de competitividade da nossa economia no sistema económico mundial.
A Guarda, naturalmente, não escapará a esta conjuntura, avizinhando-se tempos particularmente difíceis, sobretudo se pensarmos no relativamente reduzido número de empresas que por cá existem. A juntar-se à tendência que observámos nos últimos anos na fileira têxtil, temos agora o sector automóvel, ambos com empresas muito representativas na nossa região.
Será a hora de, mais uma vez, todos nos unirmos em defesa da nossa região, quer exigindo medidas que contrariem a perda de postos de trabalho, quer continuando a empreender, a inovar, a evidenciar capacidade de realização. As forças políticas locais terão um papel importante mas não exclusivo. Compete também a cada um de nós, através do exercício dos seus direitos de cidadão, contribuir para a solução dos problemas que se avizinham; se ficarmos apenas a exigir dos outros ou, pior ainda, a lamentar-nos com a nossa má-sorte, rapidamente seremos ultrapassados por aqueles que sabem que é na adversidade que se geram oportunidades irrepetíveis. Por aqueles que tiverem mais capacidade de resistência. Por aqueles que mais cedo perceberem que não se trata de ser optimista, mas sim de ser resiliente.
Será também um período onde vão ser decisivas lideranças fortes nas organizações, económicas e políticas, pelo que as escolhas que se avizinham terão uma importância acrescida para o futuro da nossa terra.
Por tudo isto, pelo muito que a Guarda precisará nos próximos tempos de cidadãos que ajam, pensem e decidam com lucidez, é importante continuarmos a investir na Cultura. Nas pessoas.
Termino desejando à Guarda – a todos nós – aquilo que é uso desejar-se nos aniversários: muitas felicidades e muitos anos de vida."
Como referiram os responsáveis da autarquia, a inauguração da Biblioteca é o culminar de um processo de dotação da cidade de algumas infra-estruturas básicas na área da Cultura. Como sempre nestas coisas, há vozes críticas. A cultura, por ser uma área onde o intangível domina, tem por vezes pouco reconhecimento por parte do cidadão comum, que quer coisa que se veja. É pois preciso pararmos para pensar, e tentarmos perceber que o investimento na cultura é um investimento a prazo, nas pessoas, sendo mais importantes as actividades que lá se vão desenvolver que o betão que se gasta na obra. Pegando num exemplo relacionado com as comemorações da passada semana, das pessoas com quem falei e que assistiram ao espectáculo “Guarda – Rádio Memória”, nenhuma ficou indiferente à mensagem de orgulho das histórias e personagens da cidade que povoam a nossa memória. Evidentemente é necessária uma infra-estrutura com alguma envergadura para poder montar um espectáculo como “Guarda – Rádio Memória”. Por outro lado, de que nos serviria o TMG se lá não fosse desenvolvida uma programação que aproveite a capacidade ali instalada? É, por tudo isto, mais importante o que se lá faz do que o edifício em si.
Mas como sempre neste tipo de comemorações, depois dos festejos temos inevitavelmente de regressar ao dia-a-dia. E esse, segundo as previsões que temos conhecido, não se avizinham fáceis. A crise sobre a qual tanto se tem dito e escrito vai, segundo os diversos analistas, intensificar-se durante o próximo ano, o que significa para nós, consumidores, que até pelo menos 2010 vamos sofrer com ela. A juntar à crise de liquidez dos bancos, que faz com que uma grande parte dos portugueses veja aumentada a sua factura com o crédito à habitação, teremos um previsível aumento do desemprego e uma contracção da economia, ou seja, uma ausência de crescimento económico que se vai traduzir numa diminuição de rendimento e na perda de competitividade da nossa economia no sistema económico mundial.
A Guarda, naturalmente, não escapará a esta conjuntura, avizinhando-se tempos particularmente difíceis, sobretudo se pensarmos no relativamente reduzido número de empresas que por cá existem. A juntar-se à tendência que observámos nos últimos anos na fileira têxtil, temos agora o sector automóvel, ambos com empresas muito representativas na nossa região.
Será a hora de, mais uma vez, todos nos unirmos em defesa da nossa região, quer exigindo medidas que contrariem a perda de postos de trabalho, quer continuando a empreender, a inovar, a evidenciar capacidade de realização. As forças políticas locais terão um papel importante mas não exclusivo. Compete também a cada um de nós, através do exercício dos seus direitos de cidadão, contribuir para a solução dos problemas que se avizinham; se ficarmos apenas a exigir dos outros ou, pior ainda, a lamentar-nos com a nossa má-sorte, rapidamente seremos ultrapassados por aqueles que sabem que é na adversidade que se geram oportunidades irrepetíveis. Por aqueles que tiverem mais capacidade de resistência. Por aqueles que mais cedo perceberem que não se trata de ser optimista, mas sim de ser resiliente.
Será também um período onde vão ser decisivas lideranças fortes nas organizações, económicas e políticas, pelo que as escolhas que se avizinham terão uma importância acrescida para o futuro da nossa terra.
Por tudo isto, pelo muito que a Guarda precisará nos próximos tempos de cidadãos que ajam, pensem e decidam com lucidez, é importante continuarmos a investir na Cultura. Nas pessoas.
Termino desejando à Guarda – a todos nós – aquilo que é uso desejar-se nos aniversários: muitas felicidades e muitos anos de vida."
Se preferirem ouvir, podem fazê-lo aqui.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Empreendedorismo
Hoje ouvi na Rádio Altitude um comentário a um estudo de uma professora da Faculdade de Economia da Universidade do Porto sobre empreendedores no ensino superior. Se bem percebi, tratou-se de estudar a predisposição dos alunos de diversas Instituições de Ensino Superior para, acabados os estudos, virem a criar o seu próprio negócio; estudou-se ainda a proporção de estudantes que criaram já, ainda na fase de estudos, um negócio.
As conclusões do Estudo revelam que, em média, 35% dos alunos do Ensino Superior desejam vir a criar o seu próprio negócio. Mas revela mais: centrando-nos nas 2 Instituições de Ensino Superior mais relevantes nesta região, percebemos que os estudantes do IPG estão claramente acima da média nacional nesta predisposição, por contraponto com a UBI, cujos alunos andam bem abaixo da média.
Isto são muito boas notícias para a Guarda: numa cidade que por vezes vemos asfixiada em termos de oportunidades de emprego, poder contar com empreendedores, que além de o serem são jovens qualificados indicia um bom futuro. Podem achar que estou a ser optimista, mas francamente não sou daqueles que acham que na Guarda está tudo perdido porque não há Indústria e o comércio e os serviços não criam riqueza. Não tenho qualquer evidência que suporte este preconceito, ainda mais nos tempos actuais, com a crescente desmaterialização de bens e serviços a que assistimos por obra e graça das tecnologias da informação e comunicação. Mais uma vez temos a prova que, mesmo não contando com apoios externos que há muito deveriam existir - onde está a há muito prometida Incubadora de Empresas? - há na Guarda gente com capacidade de inovar, de ousar fazer diferente, e isto é muito bom!
Há que reconhecer o mérito destes Jovens e darmos-lhe as condições possíveis para eles "voarem" por aqui perto. Muitas vezes, não esqueçamos, para ajudar basta não empatarmos...
Também devo dizer que sempre achei que, de há 3 ou 4 anos a esta parte, de repente passou a dar-se muita importância aos empreendedores, na óptica de criadores de um negócio, em detrimento dos outros (bons) profissionais de que o País beneficia. O tempo veio a encarregar-se de corrigir esta tendência, sendo já vulgar ouvirmos falar de "empreendedorismo por conta de outrém", ou seja, profissionais que trabalhando por conta de outrém, todos os dias se esforçam por fazer melhor, por desenvolver a organização onde trabalham, por ganhar o direito ao espaço que lá ocupam. É a prova que a excelência surge quando se alia capacidade técnica à imaginação.
O futuro da Guarda está certamente nas mãos de empreendedores, qualquer que seja a forma que assumem; não está certamente nas mãos daqueles que se limitam a verberar pelo cafés, desancando em tudo quando se faz...
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