Pensamentos, gostos e desgostos sobre a cidade onde nasci e escolhi morar. E outras coisas que por vezes me passam pela ideia...
domingo, 19 de dezembro de 2010
Repúdio
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Nobel da Paz
Crónica Diária - Rádio Altitude
Acredito que nem toda a gente a tenha admirado desta forma, mas se há coisa sobre a qual já não tenho ilusões é a capacidade de a nossa sociedade gerar consensos; mais ainda quando se trata de bens públicos.
Que a neve também traz transtornos; atrasos; nervos que vêm da nossa recorrente incapacidade em lidar com um fenómeno ele próprio recorrente na nossa cidade. Mas ainda assim, há quem, como eu, insista em dar ao lado mais belo e positivo do fenómeno a relevância que ele merece e que aqui me permito sublinhar.
Do lado negativo, temos de reflectir sobre ele para podermos mitigar os seus efeitos. Em dias como os da semana passada, tudo o que faz parte da rotina nos falha: os transportes, as escolas dos nossos filhos, a nossa mobilidade dentro da cidade, para citar os mais óbvios. Se do lado das entidades competentes em matéria de protecção civil, todo o esforço físico dispendido por muitos homens e mulheres o é por vezes em vão, essencialmente por falta de um planeamento que permita mais rapidez na detecção e actuação de casos previsíveis, o mesmo se pode dizer de cada um de nós, cidadãos. A maior parte das pessoas que conheço, eu próprio incluído, sente-se por vezes perdido nas decisões que tem de tomar em dias como os que vivemos na semana passada.
Mas da minha experiência, posso assegurar que um mínimo de planeamento faz toda a diferença; se terça-feira o início do dia foi complicado pela falta de planeamento a que me referi, tendo passado os 2 dias seguintes a pensar qual a melhor solução para dar resposta aos cenários que se adivinhavam para quinta e sexta feira, estes correram muito melhor por culpa do planeamento antecipado. Ou seja, como eram previsíveis vários cenários, foi fácil no início de cada dia decidir em função das condições que encontrámos. E assim desapareceu boa parte das dificuldades que costumo ter em dias de nevão e, mais importante, as angústias que com elas vêm! Transformando esses 2 dias em dias quase-normais; permitindo-nos melhor aproveitar a beleza que nos rodeou! E tudo porque em casa eu e a minha mulher dedicámos pouco mais de meia hora a traçar cenários previsíveis e respectivas formas de actuação! Estou pois convencido que este é o caminho para enfrentarmos com crescente normalidade os nevões com que a natureza nos vai presenteando. E, já agora, o caminho para cada vez mais os podermos apreciar na sua beleza e tirarmos deles o máximo partido.
A neve não é uma novidade para a Guarda; há que saber enfrentá-la tranquilamente, naturalmente. Das entidades oficiais, espero uma actuação cada vez mais atempada, profissional e fiável, na medida em que me permita antecipar quais os recursos de que vou dispor em dias de neve. Os transportes públicos são um deles; a interdição da circulação a veículos pesados sem equipamento adequado para circular com neve é outra. Mas neste campo, a fazer fé nas últimas notícias conhecidas, as coisas vão melhorar.
A seguir, é connosco. É a nossa atitude que tem de ser diferente e essa passa por cada um de nós individualmente.
Porque no dia em que, estando sob nevão, a Guarda seja notícia porque as pessoas tiram partido da neve, da sua beleza, com um mínimo de perturbação das suas vidas, passaremos a dispor de um Activo importantíssimo: uma capacidade de atracção cujos frutos a Guarda merece. Um activo que em vez de ser um mero “Cidade Neve” oco e sem qualquer aderência à realidade possa ser um “Cidade com Neve” que projecte a imagem de bela Cidade de Montanha que sempre fomos."
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Empreender - JÁ!

Crónica Diária - Rádio Altitude
Na ressaca de mais uma grande realização nacional, dessas que é suposto encherem-nos de orgulho por levarem o nome de Portugal mais longe e demonstrarem aquilo de que somos capazes, cabe aqui deixar algumas reflexões sobre o mundo em que vivemos, e que ajudamos a construir.
Não perdendo de vista que estiveram em Lisboa, durante os 2 dias em que decorreu a recente Cimeira da Nato, os líderes de alguns dos maiores países (leia-se economicamente mais influentes) do mundo ocidental, não posso deixar de lamentar as restrições às liberdades individuais impostas pelos dispositivos de segurança criados para o evento. Que originaram, por exemplo, o fecho das fronteiras – algo que considerávamos parte de um passado já distante, pois que os cerca de 18 anos que decorreram desde que Portugal assinou a Convenção de Schengen nos permitiram habituar-nos a viver sem fronteiras físicas. Assim, voltámos a ter, por estes dias, notícias dos controlos de entrada no país e, nalguns casos, da recusa de autorização dessa entrada. Em casos de indocumentados ou pessoas que estão no espaço comum de Schengen ilegalmente; mas também, e era aqui que queria chegar, de pessoas que vinham a Portugal para se manifestar contra a cimeira, contra a própria NATO, aquilo que ela representa e os seus líderes. Não foi dito que eram perigosos; que colocavam problemas à segurança interna; ou sequer que lhes eram conhecidas ligações a grupos com historial de violência ou similares. Foi apenas dito, justificada a recusa em deixá-los entrar, que traziam umas t-shirts e umas tarjas e que portanto vinham manifestar-se. Cabe-nos pois reflectir sobre a capacidade que hoje os líderes têm em lidar com a crítica daqueles a quem as suas decisões tantas vezes alteram o rumo da vida. Daqueles que devem ser beneficiários de políticas que muitas vezes mais não fazem do que limitar-lhes a sua liberdade individual. A sua liberdade de expressar discordância com o modelo de pensamento que lhes é imposto.
Daqui resulta que o tal evento que é supostos dar-nos notoriedade aos olhos do mundo, promovendo a nossa capacidade de realização, é ele próprio realizado à custa da supressão de valores tão elementares como a liberdade de expressão, de manifestação da nossa discordância. Não de forma clara, mas a coberto de “razões de segurança interna” e outras expressões similares, cujo único objectivo é dar uma cobertura respeitável a um acto unanimemente considerado reprovável. E justificar despesas que dificilmente terão uma explicação racional, como a recente aquisição dos famosos blindados para a PSP cuja anunciada indispensabilidade ficou bem provada com a chegada da encomenda depois de terminada a cimeira.
Gente que não lida bem com a crítica, com a contestação às suas decisões, não se sente obviamente obrigada a responder por elas, ainda que essas decisões influam tantas vezes de forma decisiva nas vidas de milhares, ou milhões, de pessoas.
A segurança não pode pois dar desculpa a tudo. Portugal é, sob muitos pontos de vista, um país moderno, com capacidade de realização que nada fica a dever a outros tantos países do mundo desenvolvido. Fazemos bem em evidenciar essa capacidade como forma de nos promovermos no mundo. Promover-nos é multiplicarmos as nossas hipóteses de ver os frutos do nosso trabalho, num mercado sem fronteiras como o que vem sendo construído. Mas devemos ser mais exigentes com a imagem de respeito das liberdades individuais que projectamos. E desta vez, parece-me que a imagem poderia ter sido melhor.
Tudo aquilo que mencionei, sobre a capacidade daqueles que têm o poder lidarem com a crítica, foi numa óptica nacional. Mas pode perfeitamente aplicar-se à escala regional. Pois também por cá existem aqueles que gostam de aparecer, quando há festa na aldeia, mas na hora de serem confrontados com a crítica, exercem o seu poderzinho por forma a intimidar, a calar aquele que ousa confrontá-los com os esqueletos no armário. É preciso portanto não deixar que esta forma de actuação vingue, permitir àqueles que querem opinar o direito de o fazerem, independentemente da razão que lhes possa assistir. Como alguém dizia na semana passada aqui aos microfones da rádio, “ninguém deve trabalhar na cozinha, se não tiver resistência ao calor…”
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Transportes Públicos - actualização
Foram reformuladas as linhas, que passam a ser 6; antes não sei quantas eram, nem sei se alguém sabia... Foram apresentados também os respectivos horários, que estão disponíveis aqui.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Transportes Públicos - Breaking News

Nota: imagem retirada do blog "Sol da Guarda".