terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Nobel da Paz

Não mencionei aqui o tema apenas por falta de disponibilidade. Mas mesmo com 3 dias de atraso, é demasiado importante para ficar esquecido.
Na sexta-feira passada decorreu em Oslo (Noruega) a cerimónia de entrega dos prémios Nobel. Tratando-se de uma distinção de amplo reconhecimento em todo o mundo, é transmitida pelos canais de televisão com presença global e, salvo raras excepções, contam sempre com a presença dos distinguidos.
Em Outubro passado ficámos a saber que este ano o Prémio Nobel da Paz iria ser entregue a Liu Xiaobo, um cidadão Chinês que tem dedicado uma boa parte da sua vida a reinivndicar, de modo pacífico, a democratização do seu país. E que por isso, a coberto de uma acusação de "subversão ao poder do Estado" está a cumprir uma pena de prisão de 11 anos, não tendo sido autorizada a sua deslocação a Oslo para receber o prémio. Nem a de nenhum dos seus familiares em sua representação.
Na cerimónia tivémos pois uma cadeira vazia - mas cheia de significado.
Segundo tem sido noticiado pelas agências internacionais, também a sua mulher está incontactável, presumivelmente em prisão domiciliária, provavelmente sem culpa formada.
E perante estes factos, o meu pensamento vai para um homem que está preso por um delito de opinião. Num mundo que tantas vezes parece civilizado.
Nestas ocasiões, temos de ver para lá da soleira da nossa porta e lembrar-nos que apesar do conforto com que vivemos, há gente que nada tem - nem o direito a uma opinião, a uma ideia sua. Que apesar de todos os direitos e garantias que conquistámos e de que nos orgulhamos, há homens que nada valem aos olhos de quem os governa. Sim, porque há Governos que prendem os seus cidadãos por professarem pacificamente um ideal.
Mas é também a hora de repensarmos o papel que queremos dar à China. De percebermos que o nosso conforto está cada vez mais a ser assegurado à custa de direitos básicos de cidadãos como os chineses.
Querem um exemplo? Pensem na visibilidade que por estes dias tem sido dada pelos nossos governantes ao facto de a a China se ter comprometido a comprar dívida portuguesa...
Mais sobre este assunto na edição do Público.

Crónica Diária - Rádio Altitude

No dia 8 de Dezembro, a minha crónica no Altitude foi assim:

"Durante toda a semana passada, a Guarda vestiu-se de branco! De segunda a sexta, a semana inteirinha. Apareceu, aos olhos de quem cá vive e de quem a visitou, radiante na sua alvura, transformando os dias sombrios que vínhamos vivendo sob a ameaça da vinda do FMI – que é o lobo-mau dos nossos dias – em dias luminosos, que encantaram todos aqueles que se permitiram olhar a paisagem através de uma janela, aqueles que saíram de casa para comungar com a Natureza que nos presenteou com tanta generosidade. A neve tem o condão de sempre “amaciar” a paisagem agreste desta nossa zona serrana, de arredondar as arestas dos rochedos, de disfarçar o cinzento que no inverno a domina.
Acredito que nem toda a gente a tenha admirado desta forma, mas se há coisa sobre a qual já não tenho ilusões é a capacidade de a nossa sociedade gerar consensos; mais ainda quando se trata de bens públicos.
Que a neve também traz transtornos; atrasos; nervos que vêm da nossa recorrente incapacidade em lidar com um fenómeno ele próprio recorrente na nossa cidade. Mas ainda assim, há quem, como eu, insista em dar ao lado mais belo e positivo do fenómeno a relevância que ele merece e que aqui me permito sublinhar.
Do lado negativo, temos de reflectir sobre ele para podermos mitigar os seus efeitos. Em dias como os da semana passada, tudo o que faz parte da rotina nos falha: os transportes, as escolas dos nossos filhos, a nossa mobilidade dentro da cidade, para citar os mais óbvios. Se do lado das entidades competentes em matéria de protecção civil, todo o esforço físico dispendido por muitos homens e mulheres o é por vezes em vão, essencialmente por falta de um planeamento que permita mais rapidez na detecção e actuação de casos previsíveis, o mesmo se pode dizer de cada um de nós, cidadãos. A maior parte das pessoas que conheço, eu próprio incluído, sente-se por vezes perdido nas decisões que tem de tomar em dias como os que vivemos na semana passada.
Mas da minha experiência, posso assegurar que um mínimo de planeamento faz toda a diferença; se terça-feira o início do dia foi complicado pela falta de planeamento a que me referi, tendo passado os 2 dias seguintes a pensar qual a melhor solução para dar resposta aos cenários que se adivinhavam para quinta e sexta feira, estes correram muito melhor por culpa do planeamento antecipado. Ou seja, como eram previsíveis vários cenários, foi fácil no início de cada dia decidir em função das condições que encontrámos. E assim desapareceu boa parte das dificuldades que costumo ter em dias de nevão e, mais importante, as angústias que com elas vêm! Transformando esses 2 dias em dias quase-normais; permitindo-nos melhor aproveitar a beleza que nos rodeou! E tudo porque em casa eu e a minha mulher dedicámos pouco mais de meia hora a traçar cenários previsíveis e respectivas formas de actuação! Estou pois convencido que este é o caminho para enfrentarmos com crescente normalidade os nevões com que a natureza nos vai presenteando. E, já agora, o caminho para cada vez mais os podermos apreciar na sua beleza e tirarmos deles o máximo partido.
A neve não é uma novidade para a Guarda; há que saber enfrentá-la tranquilamente, naturalmente. Das entidades oficiais, espero uma actuação cada vez mais atempada, profissional e fiável, na medida em que me permita antecipar quais os recursos de que vou dispor em dias de neve. Os transportes públicos são um deles; a interdição da circulação a veículos pesados sem equipamento adequado para circular com neve é outra. Mas neste campo, a fazer fé nas últimas notícias conhecidas, as coisas vão melhorar.
A seguir, é connosco. É a nossa atitude que tem de ser diferente e essa passa por cada um de nós individualmente.
Porque no dia em que, estando sob nevão, a Guarda seja notícia porque as pessoas tiram partido da neve, da sua beleza, com um mínimo de perturbação das suas vidas, passaremos a dispor de um Activo importantíssimo: uma capacidade de atracção cujos frutos a Guarda merece. Um activo que em vez de ser um mero “Cidade Neve” oco e sem qualquer aderência à realidade possa ser um “Cidade com Neve” que projecte a imagem de bela Cidade de Montanha que sempre fomos."


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Empreender - JÁ!


De acordo com informações hoje divulgadas pela Rádio Altitude, o IPG decidiu não esperar mais pela colaboração da Câmara Municipal para a criação de uma incubadora de empresas! E decidiu, em consequência, avançar sozinho para esse projecto.
Pela minha parte, que tanto tenho falado do assunto, congratulo-me com com mais este contributo do IPG para a cidade. Ouvi as palavras do vice-Presidente onde, com sentido diplomático, explicou a decisão pela demora em obter da Câmara um compromisso palpável, que se traduzisse nalguma realização. Compreende-se que a Câmara tenha outras prioridades; não se compreende que ciclicamente traga o assunto à praça pública, anunciando locais para a sua localização, parceiros para a sua implementação, mas nunca até hoje se tenha visto uma acção concreta. Espero, como o vice-Presidente do IPG, que se possa associar ao projecto, tornando-o maior.
Outra das instituições que deveria estar num projecto deste tipo seria o NERGA; as evidências na área da dinamização de empresas inovadoras revelam que a tutoria é fundamental como factor crítico de sucesso nas empresas nascentes. E essa tutoria, nos países nórdicos, é da responsabilidade de empresários, gente que conhece o mercado e a realidade do mundo dos negócios para além daquilo que consta dos manuais de gestão. São modelos de promoção do empreendedorismo com taxas de sucesso interessantes, cujo modelo tem sido replicado um pouco por todo o mundo.
O primeiro passo está dado. Os meus Parabéns à Direcção do IPG. Espero que o projecto possa ser cada vez maior com o contributo de todos os que têm responsabilidade na área. A Guarda precisa, e há muito que merecia!

Crónica Diária - Rádio Altitude

No dia 24 de Novembro, a minha crónica:

Na ressaca de mais uma grande realização nacional, dessas que é suposto encherem-nos de orgulho por levarem o nome de Portugal mais longe e demonstrarem aquilo de que somos capazes, cabe aqui deixar algumas reflexões sobre o mundo em que vivemos, e que ajudamos a construir.

Não perdendo de vista que estiveram em Lisboa, durante os 2 dias em que decorreu a recente Cimeira da Nato, os líderes de alguns dos maiores países (leia-se economicamente mais influentes) do mundo ocidental, não posso deixar de lamentar as restrições às liberdades individuais impostas pelos dispositivos de segurança criados para o evento. Que originaram, por exemplo, o fecho das fronteiras – algo que considerávamos parte de um passado já distante, pois que os cerca de 18 anos que decorreram desde que Portugal assinou a Convenção de Schengen nos permitiram habituar-nos a viver sem fronteiras físicas. Assim, voltámos a ter, por estes dias, notícias dos controlos de entrada no país e, nalguns casos, da recusa de autorização dessa entrada. Em casos de indocumentados ou pessoas que estão no espaço comum de Schengen ilegalmente; mas também, e era aqui que queria chegar, de pessoas que vinham a Portugal para se manifestar contra a cimeira, contra a própria NATO, aquilo que ela representa e os seus líderes. Não foi dito que eram perigosos; que colocavam problemas à segurança interna; ou sequer que lhes eram conhecidas ligações a grupos com historial de violência ou similares. Foi apenas dito, justificada a recusa em deixá-los entrar, que traziam umas t-shirts e umas tarjas e que portanto vinham manifestar-se. Cabe-nos pois reflectir sobre a capacidade que hoje os líderes têm em lidar com a crítica daqueles a quem as suas decisões tantas vezes alteram o rumo da vida. Daqueles que devem ser beneficiários de políticas que muitas vezes mais não fazem do que limitar-lhes a sua liberdade individual. A sua liberdade de expressar discordância com o modelo de pensamento que lhes é imposto.

Daqui resulta que o tal evento que é supostos dar-nos notoriedade aos olhos do mundo, promovendo a nossa capacidade de realização, é ele próprio realizado à custa da supressão de valores tão elementares como a liberdade de expressão, de manifestação da nossa discordância. Não de forma clara, mas a coberto de “razões de segurança interna” e outras expressões similares, cujo único objectivo é dar uma cobertura respeitável a um acto unanimemente considerado reprovável. E justificar despesas que dificilmente terão uma explicação racional, como a recente aquisição dos famosos blindados para a PSP cuja anunciada indispensabilidade ficou bem provada com a chegada da encomenda depois de terminada a cimeira.

Gente que não lida bem com a crítica, com a contestação às suas decisões, não se sente obviamente obrigada a responder por elas, ainda que essas decisões influam tantas vezes de forma decisiva nas vidas de milhares, ou milhões, de pessoas.

A segurança não pode pois dar desculpa a tudo. Portugal é, sob muitos pontos de vista, um país moderno, com capacidade de realização que nada fica a dever a outros tantos países do mundo desenvolvido. Fazemos bem em evidenciar essa capacidade como forma de nos promovermos no mundo. Promover-nos é multiplicarmos as nossas hipóteses de ver os frutos do nosso trabalho, num mercado sem fronteiras como o que vem sendo construído. Mas devemos ser mais exigentes com a imagem de respeito das liberdades individuais que projectamos. E desta vez, parece-me que a imagem poderia ter sido melhor.

Tudo aquilo que mencionei, sobre a capacidade daqueles que têm o poder lidarem com a crítica, foi numa óptica nacional. Mas pode perfeitamente aplicar-se à escala regional. Pois também por cá existem aqueles que gostam de aparecer, quando há festa na aldeia, mas na hora de serem confrontados com a crítica, exercem o seu poderzinho por forma a intimidar, a calar aquele que ousa confrontá-los com os esqueletos no armário. É preciso portanto não deixar que esta forma de actuação vingue, permitir àqueles que querem opinar o direito de o fazerem, independentemente da razão que lhes possa assistir. Como alguém dizia na semana passada aqui aos microfones da rádio, “ninguém deve trabalhar na cozinha, se não tiver resistência ao calor…”

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Transportes Públicos - actualização

Decorreu ontem na Câmara Municipal a apresentação, como previsto, da reformulação da rede de autocarros urbanos da Guarda - ou Rede de Transportes da Cidade da Guarda. Não estive presente mas já tive acesso a alguma informação.
Foram reformuladas as linhas, que passam a ser 6; antes não sei quantas eram, nem sei se alguém sabia... Foram apresentados também os respectivos horários, que estão disponíveis aqui.
Ainda não tive muito tempo para me debruçar sobre eles ou sobre as linhas, pelo que não tenho outra opinião que não seja "Pelo menos alguém dedicou tempo e energia para encontrar uma solução para um problema que, de tão óbvio, vinha sendo esquecido há anos!".
Depois de analisar melhor, verei se vale a pena ou não comentar.
Para já, do que vi do mini-site dos transportes, há neste capítulo muita margem para melhorar...
Mas pelo menos, horários já há!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Transportes Públicos - Breaking News


Há cerca de 2 meses queixava-me por aqui por ser difícil saber quais os horários dos autocarros urbanos da Guarda, por nem um simples horário estar afixado em qualquer uma das paragens espalhadas pela cidade.

Pois bem, hoje a Câmara da Guarda fez chegar aos destinatários da sua mailing-list um convite para a apresentação pública da denominada "Rede de Transportes da Cidade da Guarda", que segundo julgo saber é a nova denominação dada aos autocarros urbanos - esqueçam lá interfaces modais, hubs e outras modernices do género.

Segundo informações não confirmadas, em causa estará a apresentação de uma nova imagem, uma reorganização total das carreiras urbanas e horários mais convenientes. Se fôr assim, a notícia, de tão boa, só peca por tardia. Mais do que nunca, faz falta à Guarda um sistema de transportes urbanos moderno, que pode aliviar muitos do uso obrigatório de viatura própria com um passageiro apenas, com os custos - económico, mas também ambiental - que isso acarreta. É uma medida muito mais eficaz do que a reserva de lugares no centro da cidade para carregamento de carros movidos a electricidade, por exemplo.

Aguardo pois, com expectativa, as novidades que vamos ter nesta matéria. E espero que se tenham lembrado de afixar os itinerários das carreiras e respectivos horários nas paragens...


Nota: imagem retirada do blog "Sol da Guarda".

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Crónica Diária - Rádio Altitude

Na passada quarta-feira, o meu regresso fez-se assim:

"Iniciou-se, na passada segunda-feira, a 6ª Temporada de Programação da Rádio Altitude. A sua simpática equipa distinguiu-me de novo com um convite para aqui deixar, periodicamente, a minha opinião.
As minhas primeiras palavras vão pois para esta equipa, que ao longo dos últimos anos tem sabido manter viva e dinâmica uma rádio que, pelas suas características, tem na sobrevivência um desafio redobrado; um projecto editorial aberto, com uma capacidade de se regenerar e chegar aos ouvintes que nos faz confiar na capacidade que a Guarda tem em ombrear com os melhores. Uma rádio que conta com 63 anos de existência mas mantém a frescura da juventude.
Iniciei a minha colaboração em 2008 e durante este tempo foram vários os temas sobre os quais aqui deixei opinião; o objectivo foi sempre dar o meu contributo para que a Guarda possa oferecer mais a quem cá mora, a quem a visita, a quem com ela tem laços.
Houve durante este período realizações importantes; a cidade evoluiu, embora nem sempre no melhor sentido. Há no entanto problemas que se arrastam há anos, que são conhecidos por todos, de que periodicamente se vai falando, mas sem solução definitiva à vista. O primeiro que aqui gostaria de lembrar – e que foi precisamente o tema da minha primeira crónica aos microfones da rádio – é o do Parque Industrial. Quando há pouco mais de um ano um jornal inglês se referiu a um conjunto de países, entre os quais Portugal, com o acrónimo de PIGS – as iniciais de cada um desses 4 países, Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha, o país indignou-se. Como eu me indigno com a crescente degradação do parque industrial da Guarda – ou PIG, se quisermos usar também aqui um acrónimo. As condições das vias, os passeios, o ar de abandono, tudo contribui para esta minha indignação. Dá a ideia que, entrados ali, chegamos a terra de ninguém, tal a imagem com que nos deparamos. E no entanto, ali se localizam cerca de 3 dezenas de empresas, que representam muitos postos de trabalho e uma importante contribuição para a economia local. É pois para mim incompreensível o abandono a que se encontra votada de há largos anos e a falta de soluções para um problema urbanístico que não me parece de todo complicado de ser resolvido, ainda que faseadamente.
Outro dos problemas, com solução tantas vezes prometida, é o de uma incubadora de empresas. Anunciada em parcerias, candidatada a fundos comunitários, com espaço destinado, nunca passou das palavras. Se cada empresa que vê facilitado o seu nascimento é uma aposta no nosso futuro, no caso da Guarda podemos falar apenas da sua ausência…
Estou absolutamente convencido que a falta deste equipamento tem afectado muito negativamente a criação de empresas na Guarda, tem afastado empreendedores. E apesar disso, acho que não se tem dado ao assunto a importância que ele merece.
Apesar destes constrangimentos, há contudo quem teimosamente continue a investir na criação de empresas, na sua modernização, no seu crescimento. Há quem continue, a partir da Guarda, a aumentar a sua influência no mercado, através de exemplos inspiradores que me fazem acreditar que a nossa cidade tem futuro. Um futuro que está nas nossas mãos, nas mãos de todos os cidadãos, que não podem ficar à espera que outros resolvam os seus problemas, que sejam sempre outros a caminhar por eles. A recente traição que foi feita à Guarda, com a anunciada introdução de portagens em vias que não foram construídas de raiz, mas antes resultam do melhoramento de vias estruturantes e absolutamente fundamentais para a nossa mobilidade, deixando-nos sem alternativas para as nossas deslocações inter-regionais, é disso prova cabal.
O meu desejo para a Guarda é que cada vez mais sejam os cidadãos, numa base alargada, a influenciar as decisões que têm peso no desenvolvimento do Distrito. Inverter a lógica da concentração de poderes em 2 ou 3 grupos de interesses que tem dominado os nossos destinos. O meu desejo para a Guarda, é que os responsáveis directos pelos seus destinos aspirem a criar uma cidade que seja Mãe para os seus habitantes. E já agora, que possa contar com o Altitude pelo menos durante os seus próximos 63 anos…"