terça-feira, 18 de maio de 2010

Fumódromo



Enquanto o país combate o tabagismo com uma lei anti-tabaco que limita fortemente o direito ao fumo em benefício daqueles que não fumam, pondo funcionários à porta do local de trabalho, professores no portão dos recintos escolares (reparem que não é à porta da escola, porque todo o recinto é considerado equipamento escolar), comensais à porta de restaurantes, enquanto tudo isto ocorre, eis que a ULS da Guarda decide insurgir-se contra este estado de coisas e mandou construir um fumódromo para os seus funcionários. Que importam as horas de trabalho que se perdem, os benefícios para a saúde de limitar o fumo? Que importa a lei que proíbe fumar no recinto do hospital ? Sim, porque da mesma forma que todo o pátio é considerado "escola", também toda a envolvente do hospital está certamente incluído no equipamento hospitalar...


É preciso é que a rapaziada possa fumar. E assim, lá se instalou mais um equipamento de inquestionável valor arquitectónico e funcional. Isto, meus amigos, é investimento público! É graças a ele e a outros como ele que somos "campeões do crescimento económico".


Enfim, a isto chegámos...




PS: ao lado do fumódromo, está um outro equipamento cuja função não consegui identificar sem margem para dúvidas; a mim parece-me uma sala de xuto; será...?

domingo, 16 de maio de 2010

Um Piano para o Conservatório


O Conservatório da Guarda luta há anos por conseguir ter um Piano de Cauda. O instrumento é caro e nunca houve disponibilidade para o poder adquirir. Mas a ideia nunca deixou de ser debatida e relembrada, pelo menos desde que sou representante dos Pais no Conselho Pedagógico, e já lá vão pelo menos 3 anos.
Recentemente a Direcção do Conservatório conseguiu negociar com um fabricante a aquisição do instrumento em condições muito vantajosas. Assim, foi elaborado um puzzle, que está afixado junto à secretaria do Conservatório; cada peça do puzzle represente 1/100 do piano; e a ideia é conseguir vender as peças para desta forma original financiar a aquisição do Piano.
Entretanto, as receitas com a participação de professores em concursos e outros eventos têm revertido para esta causa, pelo que já há bastantes peças "vendidas". Também as receitas que se vierem obter nas actividades de final de ano lectivo terão o mesmo destino.
No próximo sábado, realizar-se-á um Concerto de Gala pelos professores do Conservatório para o mesmo fim. Se puder, vá apreciar alguns momentos de boa música com gente da Guarda, que cá trabalha e assim contribui para a tornar maior e melhor.
E com tanto esforço e tantas iniciativas, lembrei-me que também todos aqueles que se interessam pelas actividades do Conservatório - nomeadamente os Encarregados de Educação dos Alunos - podem participar nesta iniciativa. Claro que com cada peça do puzzle a custar 250 Euros, não há muita gente que esteja actualmente em condições de adquirir uma...
Mas podemos recorrer ao nosso espirito mutualista e adquirir em conjunto uma peça - ou mais - em nome dos alunos do ano 2009/2010; esse seria um legado destes alunos à sua Escola de Música! Se cada Pai puder dispôr de 10 Euros, são necessárias apenas 25 contribuições para se adquirir a peça; ou mesmo no caso de querer apenas contribuir com 5 Euros, ainda assim não deveria ser muito difícil conseguir o objectivo, se pensarmos que existem actualmente mais de 300 alunos a frequentar o Conservatório.
Contactei a Direcção do Conservatório e os dados estão lançados: a partir de segunda-feira, na secretaria do Conservatório, a D. Isabel terá uma folha onde serão anotadas as participações, até se atingir o objectivo. Se por algum infortúnio o objectivo não fôr atingido, o compromisso é devolver o dinheiro, pelo que deve também ser deixado um contacto (email ou telemóvel).
No meu caso, ambos os meus filhos frequentam o Conservatório; nenhum deles á aluno de Piano. Mas ainda assim, vou contribuir para a sua aquisição, da mesma forma que gostaria que todos contribuissem se fossem alunos daquele instrumento! Mesmo aqueles que não têm filhos a estudar no Conservatório mas acharem a ideia interessante, contribuam se puderem.
Peço pois a todos os que puderem contribuir que o façam e que ajudem a divulgar esta mensagem enviando aos vossos contactos o link http://coisasnaguarda.blogspot.com/2010/05/um-piano-para-o-conservatorio.html

Vou tentar manter a situação actualizada, para se saber o nível de execução do objectivo.

Conto com a participação de todos. O objectivo é meritório e juntos podemos representar um passo importante no crescimento e afirmação do Conservatório da nossa cidade.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

E a alternativa é...

Ouvi há pouco na TSF Carvalho da Silva e João Proença, dizendo terem convocando os trabalhadores para uma grande manifestação nacional contra as medidas de austeridade anunciadas pelo Governo. Referiram depois que as medidas penalizam os trabalhadores e vão ter consequência sociais negativas. Nada que não se soubesse, portanto...
Só não os ouvi referir-se a qualquer alternativa a essas medidas. E assim o movimento sindical vai perdendo credibilidade, um activo não reprodutível e que, uma vez perdido dificilmente se recupera!

Crónica Diária - Rádio Altitude

No passado dia 5 de Maio a crónica foi:


"Fará no próximo dia 20 precisamente um ano que a minha crónica diária aqui no Altitude versou a crise. Estava-se nessa altura ainda no meio do turbilhão, mas os avisos já ecoavam, vindos de diversos quadrantes.
Cabe aqui recordar que nessa altura referi que apesar de muito se falar e escrever sobre a crise, me preocupava especialmente o período que se lhe sucederia, a ressaca – como então lhe chamei. Era expectável que a conta das medidas anti-crise fosse alta, que aliada a uma previsível subida das taxas de juro – sim porque até as medidas anti-crise serão pagas a crédito - conduziria a 2 ou 3 anos difíceis para todos nós. Não estava a ser pessimista; apenas, da leitura que fazia da situação e dos avisos dos especialistas, realista.
Pois bem, tenho uma confissão a fazer aos ouvintes: estava enganado! Muito enganado. Afinal, dou-me hoje conta, vai ser muito pior do que aquilo que esperava.
Daí que a minha preocupação seja que se comece o quanto antes a dar a volta à situação. Não se pode adiar por um ano; tem de se começar o quanto antes. É necessário que Orçamento de Estado seja revisto e que as medidas difíceis comecem o quanto antes a ser tomadas. Sabemos que, quando se cai nas malhas do crédito, adiar complica sempre, sempre, a situação.
É normal que todos queiramos mais do Estado, que achemos que chegou a nossa vez, que já esperámos demais. As notícias, porém, não podiam ser piores: não dá mais. O Estado está financeiramente asfixiado por anos e anos de concessões a corporações, a interesses mais ou menos claros e legítimos, a aspirações de todos quantos vêm nele uma forma de conseguirem aquilo que sozinhos não conseguem. É preciso parar o quanto antes e reduzir a despesa com tudo o que não é indispensável: um aeroporto que tem como pressuposto um aumento muito significativo no tráfego aéreo no qual não acredito; um comboio de alta velocidade que terá uma exploração deficitária por muitos anos, pelo que aos custos de construção temos de somar os custos com essa exploração para termos uma ideia do buraco que vamos estar a cavar; mais auto-estradas, no país da EU que mais km deste tipo de vias tem por habitante, algumas praticamente sem trânsito (veja-se o exemplo da auto-estrada Lisboa-Évora…); mais pontes que despejarão mais automóveis em cidades já congestionadas; os médicos, enfermeiros, professores, pilotos, etc., por muita razão que tenham nas suas reinvindicações, têm de mostrar o bom-senso de negociar um adiamento daquelas que implicarão mais despesa para o Estado. Mas também ao nível das autarquias, tem de haver um claro esforço de contenção nos custos. No caso da Guarda, se os custos com uma estrutura como o TMG podem ser considerados custos sociais – porque a iniciativa privada não dá resposta às necessidades que aquele equipamento veio colmatar – já no caso, por exemplo, do Hotel de Turismo, não se pode pedir aos cidadãos que encarem os sucessivos prejuízos como um custo social, sabendo-se que o alojamento turístico está hoje perfeitamente assegurado na cidade; e se mais necessidade se vier a revelar – e oxalá que assim seja – tenho a certeza que rapidamente surgirão novas unidades.
Termino com o desejo de que todos os sacrifícios que nos vão ser pedidos sejam antes de mais partilhados por aqueles que no-los vão pedir: gostava que os políticos, num gesto de humildade, abandonassem – pelo menos alguns – a pose de pessoa a quem todos devem e baixassem também os seus vencimentos e vissem as suas regalias reduzidas. Sei muito bem que essa poupança seria inexpressiva nas contas do Estado, mas daria um sinal a todos nós – que vamos passar a pagar mais impostos e ver os nossos rendimentos reais diminuir, talvez mesmo significativamente – nos próximos anos, de que desta vez vai doer a todos… "

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Para o ano é só lucros!!!


Ouvi hoje de manhã as palavras do Sr. Presidente do Conselho de Administração da ULS à TSF, a propósito do processo judicial que o opõe a 2 médicos do hospital de que é administrador.

Convém recordar que há cerca de 1 ano e meio, 2 médicos dirigiram ao 1º Ministro um abaixo assinado a propósito da Maternidade da Guarda.

A Administração decidiu então processá-los por terem usado papel timbrado da Instituição e lhe terem dado o tratamento que o restante correio oficial tem.

Questionado pela TSF, o Presidente do Conselho de Administração disse então que o assunto não era oficial da ULS, pelo que não poderiam ter usado papel timbrado nem incorrer na despesa com correio, porque os contribuintes não devem suportar este custo.

Ora, embora também ache que o assunto não deveria ter tido tratamento institucional - porque representa um exercício individual de cidadania, já que as suas funções no Hospital não se prendem com as questões que levantavam no abaixo-assinado e por outro lado uma instituição não apresenta abaixo-assinados ao 1º Ministro - acho que a questão pode ser vista no plano ético ou no plano moral; mas a última coisa que me passaria pela cabeça seria analisar a questão pelo plano económico. Mas pronto, admito que como administrador, as preocupações do Sr. Presidente do Conselho sejam outras... Aliás, a ser assim, nem deve conseguir dormir bem, já que a instituição que dirige apresentou em 2009 um resultado líquido de 4,4 milhões de Euros... que terão de ser cobertos por dinheiro dos contribuintes.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O Filho Pródigo... ou talvez não.


Se há coisa que detesto, que me deixa fora de mim, é perceber que me estão a subestimar. Acho uma enorme falta de respeito, um atentado à minha inteligência.

Falo do assunto porque foi precisamente o que senti ao ouvir hoje na Altitude as breves palavras do Sr. Director-Geral das Artes a propósito do financiamento do TMG. Interpelado pelos jornalistas sobre o atraso nesta matéria e de já há 2 anos, também numa deslocação à Guarda, ter prometido uma solução para o problema, lá fugiu à questão com os argumentos do costume: a política prosseguida pelo Ministério, a vontade da titular e o enorme trabalho que tem desenvolvido nesta área, etc. Na verdade, do que percebi, tudo se resume a isto: estamos hoje, relativamente a financiamento de equipamentos culturais descentralizados, no mesmo ponto em que estávamos há 2 anos atrás! E isto é inadmissível. Porque eu não quero ter de ir a Lisboa quando quero ver uma Ópera. Um um Bailado. Ou uma peça de Teatro. Esse centralismo é um disparate! Quero que seja o TMG a atrair gente para vir descansar do bulício à Guarda, e que à noite possa assistir a um bom espectáculo. Mas sabemos que os cérebrozinhos da Capital não pensam assim e querem tudo à porta de casa. E os outros que andem. É assim com os Teatros Municipais; mas é assim também com o ensino especializado: se viver em Lisboa, o meu filho pode frequentar o Conservatório gratuitamente; mas se morar na Guarda, tem de pagar propinas porque o Conservatório é privado.

Bem pode o Sr. Director-Geral exortar as empresas da região a financiar o TMG, na onda moderna do capitalismo, da responsabilidade social das empresas. Nessa altura, acrescento eu, alterem a lei orgânica do Ministério da Cultura e o Sr. pode passar a ser o Director-Geral das Artes de Lisboa, uma vez que aos outros têm de ser as empresas da região a valer-lhes!

Todos sabem - o Sr. Director-Geral incluído - que a Guarda recebe bem todos os que a visitam; e que tem um carinho especial pelos seus filhos, como boa Mãe. Mas se calhar está na hora de essa Mãe passar a ser mais justa e a premiar mais o mérito, em detrimento dos sentimentos maternais. E a fazer sentir aos governantes que a educação nos faz recebê-los bem, mas que estamos descontentes com a forma como somos tratados. Não queremos tratamento de excepção: apenas o nosso direito à Cultura como os portugueses de Lisboa.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Crónica Diária - Rádio Altitude

Na passada quarta-feira, a crónica foi assim:

"Ultimamente, sempre que ouvimos falar em Concursos Internacionais, vistos do Tribunal de Contas, ou outros mecanismos de controlo do Estado, estes são-nos apresentados quase como a própria personificação do mal. Algo que existe para nos atrapalhar, aos nossos planos, aos nossos desejos de realizar obra ou de ver obra realizada.
Assim, para escapar ao lançamento de concursos internacionais ou ao visto do Tribunal de Contas, inventam-se todo o tipo de artifícios, ou de esquemas se quiserem. E esses mesmos sistemas de controlo são usados como desculpa quando se falha em fazer o prometido, ou tão-só o desejado.
Mas vamos ser claros: estes mecanismos de controlo existem para assegurar que o Estado faz adjudicações em boas condições de concorrência, que as condições de mercado são as normais numa economia em concorrência, e que não há favorecimentos pessoais ou de outra índole que de alguma forma prejudiquem a coisa pública – o nosso património colectivo, enquanto nação soberana.
Por isso, não consigo compreender o argumento usado na semana passada pelo Sr. Presidente da Câmara da Guarda a propósito do chumbo do Tribunal de Contas à operação de permuta de terrenos no âmbito do projecto conhecido como GuardaMall. Não percebo quando nos diz que a proposta da empresa que é actualmente parceira da Câmara é a melhor e que lançando um concurso internacional podem não aparecer propostas tão boas. Então a proposta que existe é a melhor, mas se concorrer com outras deixa de o ser? Se o Tribunal de Contas chumbou, é porque a operação não estava conforme com os preceitos legais que obrigatoriamente têm de ser seguidos. Os Juízes do Tribunal de Contas não hão-de ter chumbado a operação por capricho, certamente…
Quanto a nós, cidadãos, cabe-nos exigir aos nossos governantes, que cumpram as leis que eles próprios criam; porque é disso que aqui se trata: foram criados mecanismos para assegurar transparência, para evitar a corrupção de que tanto se tem falado, mas qualquer agente, mesmo agindo em nome do Estado, evita alegremente e disso fazendo alarde, esses mesmos mecanismos. Deixando aberto o caminho a todo o tipo de suspeições, acima das quais deveriam colocar-se, e não simplesmente achar que estão. Fazendo lembrar aquele tipo de pessoas, que infelizmente todos conhecemos, que vivem dos esquemas lesivos do erário público - que somos nós.
Como em relação a todas as leis, o que digo e me acho no direito de exigir é: cumpra-se, ou revogue-se. Não vamos é estar de manhã a fazer leis e à tarde a passar por cima delas… "