quarta-feira, 15 de julho de 2009

Empreendedorismo (II)

A propósito do que referi no meu post anterior, lembrei-me de um artigo que escrevi publicado no Jornal O Interior em Julho de 2007 sobre o mesmo tema. Acho interessante reproduzi-lo aqui, com o devido enquadramento: foi na sequência de uma sessão de trabalho entre empresários da região e representantes do Governo, nomeadamente o Secretário de Estado do Emprego e o Secretário de Estado da Indústria e Inovação (cito de memória). Aqui fica:
"Na semana passada, reuniram na Guarda com empresários da região, representantes do Governo, numa sessão de trabalho subordinada ao tema “Investimentos e Empreendedorismo no Distrito da Guarda”. Nesta reunião, foram auscultadas as opiniões de todos quantos quiseram contribuir com a sua intervenção e foram ainda anunciadas medidas que o Governo se propõe tomar, das quais destaco o envelope financeiro que vai (finalmente) ser disponibilizado para a PLIE e o apoio a um Centro de Incubação de Empresas, ambos projectos em que a Câmara Municipal é entidade Promotora.
Se a primeira revela o reconhecimento da valia para a região em particular, e para o País em geral, de uma estrutura que permitirá a implantação de um conjunto de empresas que pretendam beneficiar de serviços de apoio, numa lógica de localização centrada na competitividade logística, já a segunda vem na sequência de um conjunto de medidas que o Governo tem vindo a adoptar para a promoção do empreendedorismo, que só peca por tardia.
A criação na Guarda de uma Incubadora de Empresas (de base tecnológica) constitui para a região uma excelente oportunidade de ver surgir aqui um conjunto de empresas geradoras de valor e capazes de fixar e atrair quadros qualificados, numa lógica de ciclo virtuoso , no qual há muito se deveria ter apostado como motor do desenvolvimento regional.
Todavia, se para alguns, a obtenção dos apoios disponibilizados e a capacidade de colocar os projectos em funcionamento é o fim de um ciclo, outro mais desafiante se inicia: o de com estas estruturas recuperar algum do atraso da região, arrepiando caminho, numa lógica de comparação com os melhores ou, se quisermos, de benchmarking, e de adopção das melhores práticas em matéria de apoio ao empreendedorismo. E aqui, todos temos responsabilidades a assumir: entidades oficiais, instituições de ensino superior – com destaque para o IPG – mas também os empresários da região.
Em Março passado participei no “Unispin Winter Workshop” da TII (uma associação europeia para a transferência de tecnologia, inovação e informação industrial, disponível em
www.tii.org), em Lausanne; das comunicações a que assistimos, destaco 2, sobre os programas de apoio ao empreendedorismo de 2 Universidades do Norte da Europa (Linköping, na Suécia e Twente, na Holanda) especialmente bem sucedidos. Tanto, que esses programas têm sido “vendidos” a outra Universidades, da Europa e dos Estados Unidos. E se houve um ponto comum às 2 comunicações que imediatamente foi possível identificar foi o envolvimento de empresários sénior, com experiência no lançamento de novas empresas e em novos mercados, como factor crítico para o sucesso destes programas.
Resulta daqui que, para além da instalação das empresas, o apoio aos empreendedores passa necessariamente por uma conjugação de instrumentos e ferramentas de gestão, onde obrigatoriamente pontificam o coaching e a tutoria.
Mas o desafio pode e deve ir ainda mais longe: fugir ao estereótipo criado à volta do empreendedor (como sendo os quadros recém-formados e professores envolvidos em spin-offs académicos) e fazer uma clara aposta na promoção de spin-offs empresariais, partilhando o risco e capitalizando a experiência e cultura empresarial destes actores, criando-se assim um ambiente dinâmico, propício ao aparecimento de novas empresas, aproveitando todas as potencialidades existentes.
Em suma, muitas portas podem ter sido abertas com os compromissos assumidos na semana passada; mas atravessá-las e ocupar os lugares disponíveis cabe a todos nós, que insistimos em viver, trabalhar e desenvolver a região da Guarda.

Por: Rui Ribeiro, P.G. Gestão de Empresas
rui.ribeiro.0@gmail.com
"

Centro de Negócios Transfronteirço


Por uma questão de justiça, não posso deixar de falar do tema, apesar do atraso com que o faço (justificado no meu post anterior).

No Soito, foi inaugurado, no passado dia 20 de Junho, o Centro de Negócios Transfronteiriço. Trata-se de uma Incubadora de Empresas/Negócios, com assumida vocação transfronteiriça, que deverá servir a população do Soito e localidades vizinhas.

Tive a oportunidade de assistir à inauguração e de visitar as instalações, que decorreram em simultâneo com a Gala das Empresas do Jornal Nova Guarda e fiquei muitíssimo bem impressionado.

Pegou-se num problema existente há já algum tempo - uma fábrica de refrigerantes encerrada, num local privilegiado da localidade - e com planeamento e imaginação criou-se uma potencialidade enorme para os empreendedores de toda aquela zona, que passaram a contar com uma estrutura que lhes vai facilitar imenso o arranque de novos projectos de negócio! Estão pois de Parabéns!

A distribuição do espaço disponível permite albergar comercio, serviços e pequenas indústrias, com acessos próprios para cargas/descargas e permite a partilha de serviços de apoio, libertando as empresas instaladas de alguns custos.

Pena tenho eu que a Guarda não disponha até hoje de uma estrutura semelhante, apesar de aqui existirem outros serviços que têm todo o interesse numa estrutura como aquela: IPG, Associações Empresariais, Câmara...

Já tive oportunidade de referir que há cerca de 2 anos surgiram notícias dando conta dessa intenção, mas até hoje não conheci qualquer desenvolvimento no que seria uma infra-estrutura essencial para a Guarda fixar empreendedores e transformar potencialidades (que por si só não trazem o desenvolvimento que queremos para a Guarda) em negócios, em criação de riqueza.

Francamente, e aproveitando a "onda" eleitoral que se avizinha, gostava de ver os candidatos comprometerem-se nesse sentido.

Trabalhos suspensos...


Quem por aqui tenha passado nas últimas 3 semanas deve ter reparado que nada mudou. Isto porque as 2 últimas semanas foram de férias (com acesso muito condicionado á net) e a que as antecedeu foi muito exigente em termos de trabalho, fazendo com que não tivesse tido tempo nenhum para aqui deixar as ideias do costume. Conto fazê-lo nos próximos posts, para repôr o atraso!

Por outro lado, reparei hoje que o blog ultrapassou as 5000 visitas. Tudo bem que 4500 foram minhas e da minha mulher; mas mesmo assim, aos restantes, gostava de pedir para participarem mais, enviando-me os seus comentários, tornando o espaço mais plural e reflectindo mais pontos de vista.

Novos posts seguem dentro de momentos.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Banco de Portugal


Desde que estalou a crise financeira e as 2 maiores "bolhas" especulativas rebentaram no nosso sistema financeiro - leia-se o BPN e o BPP - que o Banco de Portugal tem estado sob fogo cerrado, principalmente o seu governador Vitor Constâncio.

O Dr. Constâncio é uma dessas eminências que todos reverenciam mas do qual não se conhece obra de vulto.

Atacado por uns, defendido por outros, é certo que o supervisor não é de facto um superpolícia, não lhe cabendo a ele investigar fraudes. Mas competir-lhe-ia certamente denunciar os indícios que foram surgindo ao longo dos últimos 5 ou 6 anos de que algo não estava bem no BPN, começando pela sua governação. Admito que no caso do BPP as coisas fossem mais difíceis...

Independentemente de agora se dizer que casos destes há por todo o mundo e que a supervisão não os detectou é atirar areia para os olhos dos cidadãos. Nós exigimos mais: por que é do nosso Estado que se trata, e porque, pelo que consta, o Dr. Constâncio é o terceiro governador de banco central nacional mais bem pago, no mundo, ganhando por exemplo quase o dobro do presidente da reserva federal americana!

Independentemente de o Dr. Constâncio ter ou não responsabilidade no arrastar da situação do BPN, de dever ou não demitir-se, o que fica nos cidadãos é a ideia de impunidade de quem tem cargos de elevada responsabilidade e que depois, quando é necessário assumi-la, não o faz...

Resta-nos o consolo, uma vez que não vai abandonar as sua funções tão depressa, de termos no lugar um homem que segundo ele próprio confessou à Comissão de Inquérito Parlamentar está hoje muito mais atento e preparado para lidar com situações destas.

Esperemos bem que sim, Dr. Constâncio...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Crónica Diária - Rádio Altitude


A última da temporada foi assim, na quarta-feira passada:


"Celebra-se hoje o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Começou por ser o Dia de Camões, em que a pretexto do tributo à data do falecimento do poeta, se enaltecia o génio da Pátria e se relembravam os feitos passados do povo lusitano, ainda durante a I República. Inicialmente celebrado apenas em Lisboa, passou a celebração nacional durante a vigência do Estado Novo.
A estas celebrações veio juntar-se a das Comunidades Portuguesas, celebrando-se assim também os milhões de portugueses que vivem fora do seu País Natal.
Este ano, o calendário foi generoso ao ponto de nos presentear com 2 feriados consecutivos, já que amanhã se celebrará o Corpo de Deus, este um feriado móvel.
Para quem possa gozar férias na próxima sexta-feira, fica assim aberta a porta ao gozo de umas belíssimas mini-férias, que de certeza só não mobilizarão mais gente porque a meteorologia não ajuda…
Ainda assim, aproveitando a paragem para descansar, deixo aqui um convite: durante o dia de hoje, celebrando Portugal, tiremos 10 ou 15 minutos para reflectirmos o que queremos realmente do nosso País; ou, se quisermos, o exercício será igualmente válido e pensarmos na nossa cidade. O que gostaríamos de ter, que herança queremos deixar para aqueles que vierem depois de nós. Ao nível da paisagem, das infra-estruturas, mas, mais fundamental ainda, que laços queremos construir uns com os outros, que relacionamento deveremos ter com quem conhecemos, com quem não conhecemos, com quem sabemos que de alguma forma precisa de nós. E a seguir, que reflictamos sobre o nosso papel na cidade, ou no país; o que podemos fazer para ajudar a construir essa realidade que queremos ter, que queremos oferecer às gerações que aí vêm…
É obviamente mais fácil esperarmos que “alguém” dê o primeiro passo, que comece a fazer aquilo que esperamos que seja feito. Tão fácil que muitos vezes caímos nessa tentação, a de esperar que “façam”, que “construam”, que “digam”…, sem percebermos que se todos esperamos dos outros, cria-se um imobilismo quase medieval. Devemos honrar o nosso espírito empreendedor, de navegadores que deram novos mundos ao mundo, e fazer parte da mudança que desejamos que aconteça. Para isso, basta muitas vezes participarmos nas várias estruturas de cidadania que se nos oferecem, que precisam de gente: associações, fundações, que actuam em diversas áreas da sociedade. Não é preciso estar na política para se ter uma palavra nas mudanças da sociedade, já que cada vez mais são as entidades na sociedade civil que actuam numa lógica de proximidade.
A participação de todos na construção da sociedade que idealizamos leva-me, a título de nota final, a uma outra questão: a abstenção que se verificou nas eleições de Domingo passado. Já muitos analistas ou com pretensões a tal discorreram sobre as suas razões. Não é sobre isso que me interessa falar; mas sim sobre a atitude em si. O direito a votar e a ver o voto reconhecido é uma conquista não muito longínqua em Portugal. Muitos estiveram presos e sofreram todo o tipo de sevícias para que hoje possamos votar em inteira liberdade, para que possamos escolher quem nos governa. Deixarmos esse poder a uma minoria, como aconteceu no Domingo passado, é grave; nenhum de nós aceitaria que agora nos viessem dizer que só um em cada 3 portugueses pode votar. Todos podemos e todos devemos fazê-lo. Há inclusivamente formas de protestar votando, que o exercício do direito pode ser feito de diversas formas. O que acho importante é demonstrar que estamos atentos aos comportamentos dos políticos e que temos na mão o instrumento para os premiar ou castigar; e que além do direito que temos de o usar, exercemos esse direito.
Termino desejando a todos um bom feriado e que Portugal cresça à medida dos nossos sonhos.
"

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Mais títulos...


No Jornal "O Interior" da semana passada li uma notícia que me deixou surpreendido e ao mesmo tempo com uma dúvida.
A notícia dava conta de alguns técnicos de Diagnóstico do Hospital que fizeram greve, porque, ao que dizem, "são os únicos técnicos superiores da função pública que não são pagos como tal"... (cito de memória).
Começo por dizer que acho muito bem que as pessoas lutem pelos seus direitos e o façam de uma forma aberta e frontal. Mas, no caso vertente, trata-se de técnicos que entretanto concluíram estudos superiores, com a obtenção do respectivo grau académico, pelo que querem equivalência em termos de remuneração com os chamados "técnicos superiores". Assim mesmo.
Não querem candidatar-se a técnicos superiores. Não querem mudar de carreira. Querem apenas que administrativamente sejam reclassificados para passarem a ganhar mais.
Como já aqui tive oportunidade de escrever, este tipo de reinvindicação faz-me alguma confusão.
E isso leva-me à tal dúvida que referi no início: será que quando a rapariga que vem cá a casa passar a roupa a ferro concluir o seu curso superior, que eu acho muitíssimo bem que ela faça, terei de a reclassificar para "técnico superior", com a consequente actualização de salário? E o mais grave: quem passará nessa altura a roupa...?

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Nome de Rua




Há cerca de 2 meses mudei de casa: a família a crescer e o desejo de mais espaço para todos ditou aquela que foi uma enorma revolução durante quase meio ano: entre o empacotar, mudar e desempacotar alguns anos de vida, o (pouco) tempo livre foi todo consumido.


Feita a mudança, passou-se para o plano burocrático: comunicar a mudança de residência. E não tem sido tarefa fácil: bancos, seguros, finanças, segurança social, entidades patronais, registo civil, registo automóvel, etc, são inúmeras as entidades com que nos relacionamos; tantas que nem damos conta, senão nestas alturas.


Assim se têm consumido muitos minutos - que somados dão horas - e gasto muito dinheiro, que a coisa também não fica barata: 12 Euros aqui, 33 ali, tudo somado acaba por ser quantia relevante...


Só que entretanto surgiu outro problema: a rua para onde mudei não tem (ainda) nome! A urbanização tem 3 ou 4 anos e até agora não foi atribuído qualquer nome à rua. Mas como eu - e outros que cá moramos - precisamos de um domicílio postal, vamos usando o nome da urbanização e os números de lote. Um dia destes, a Câmara vai-se lembrar que existe por aí uma rua sem nome, reune-se a Comissão de Toponímia e atribui-se-lhe o famigerado nome.


E depois: volto a começar tudo de novo? A perder horas e a gastar dezenas de Euros para nova mudança? Não me parece...!


Não seria mais fácil, ao atribuir uma licença de loteamento que dará origem a nova Rua, atribuir-se-lhe logo o nome? No mínimo, facilitaria imenso a vida a quem se vê numa situação como a minha.




PS: um "muito obrigado" aos senhores dos supermercados: não foi preciso comunicar-lhes a minha mudança de residência; eles descobriram sozinhos a minha nova morada...