quinta-feira, 11 de junho de 2009

Mais títulos...


No Jornal "O Interior" da semana passada li uma notícia que me deixou surpreendido e ao mesmo tempo com uma dúvida.
A notícia dava conta de alguns técnicos de Diagnóstico do Hospital que fizeram greve, porque, ao que dizem, "são os únicos técnicos superiores da função pública que não são pagos como tal"... (cito de memória).
Começo por dizer que acho muito bem que as pessoas lutem pelos seus direitos e o façam de uma forma aberta e frontal. Mas, no caso vertente, trata-se de técnicos que entretanto concluíram estudos superiores, com a obtenção do respectivo grau académico, pelo que querem equivalência em termos de remuneração com os chamados "técnicos superiores". Assim mesmo.
Não querem candidatar-se a técnicos superiores. Não querem mudar de carreira. Querem apenas que administrativamente sejam reclassificados para passarem a ganhar mais.
Como já aqui tive oportunidade de escrever, este tipo de reinvindicação faz-me alguma confusão.
E isso leva-me à tal dúvida que referi no início: será que quando a rapariga que vem cá a casa passar a roupa a ferro concluir o seu curso superior, que eu acho muitíssimo bem que ela faça, terei de a reclassificar para "técnico superior", com a consequente actualização de salário? E o mais grave: quem passará nessa altura a roupa...?

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Nome de Rua




Há cerca de 2 meses mudei de casa: a família a crescer e o desejo de mais espaço para todos ditou aquela que foi uma enorma revolução durante quase meio ano: entre o empacotar, mudar e desempacotar alguns anos de vida, o (pouco) tempo livre foi todo consumido.


Feita a mudança, passou-se para o plano burocrático: comunicar a mudança de residência. E não tem sido tarefa fácil: bancos, seguros, finanças, segurança social, entidades patronais, registo civil, registo automóvel, etc, são inúmeras as entidades com que nos relacionamos; tantas que nem damos conta, senão nestas alturas.


Assim se têm consumido muitos minutos - que somados dão horas - e gasto muito dinheiro, que a coisa também não fica barata: 12 Euros aqui, 33 ali, tudo somado acaba por ser quantia relevante...


Só que entretanto surgiu outro problema: a rua para onde mudei não tem (ainda) nome! A urbanização tem 3 ou 4 anos e até agora não foi atribuído qualquer nome à rua. Mas como eu - e outros que cá moramos - precisamos de um domicílio postal, vamos usando o nome da urbanização e os números de lote. Um dia destes, a Câmara vai-se lembrar que existe por aí uma rua sem nome, reune-se a Comissão de Toponímia e atribui-se-lhe o famigerado nome.


E depois: volto a começar tudo de novo? A perder horas e a gastar dezenas de Euros para nova mudança? Não me parece...!


Não seria mais fácil, ao atribuir uma licença de loteamento que dará origem a nova Rua, atribuir-se-lhe logo o nome? No mínimo, facilitaria imenso a vida a quem se vê numa situação como a minha.




PS: um "muito obrigado" aos senhores dos supermercados: não foi preciso comunicar-lhes a minha mudança de residência; eles descobriram sozinhos a minha nova morada...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A escola



Podia ter-se criado um corredor de acesso. Podia ter-se colocado sinalização na obra. Podia ter-se feito a obra de forma a não abrir e fechar valas à porta da escola dia-sim dia-não. Podia ter-se planeado a obra para as férias escolares, que não tardam um mês a chegar. Mas não!



Optou-se por fazer à antiga: faz-se já, de qualquer maneira, e logo se vê. E está à vista: rua rasgada, à porta da escola, e os miúdos a passarem entre o reboque do tractor e o braço da escavadora para acederem ao portão da escola.
Isto num dia seco; na semana passada foi muito mais divertido porque além de tudo isto havia a lama.
Claro que as obras são necessárias e causam sempre incómodos. Claro que não vamos cair em exageros super-protectores em relação às crianças.
Mas que diabo: se eu para fazer uma obra numa rua onde passa uma pessoa a cada 2 horas (porque se trata de uma rua sem saída, de construção relativamente recente) tive de colocar vedações, sinalizações e um Plano de Segurança, também exijo que se faça mais num caso destes! No mínimo, criar um corredor de acesso devidamente sinalizado e protegido para os miúdos chegarem com as mínimas condições de segurança - e já agora higiene - ao portão da escola. E não sou o único, que hoje de manhã lá estavam outros pais queixando-se deste espectáculo degradante que por ali se instalou e promete ficar...

Crónica Diária - Rádio Altitude


Quem me conhece sabe que não sou pessimista. Pelo contrário, sou optimista por natureza. Mas ser optimista não é o mesmo que ser inconsciente; nem o mesmo que "enterrar a cabeça na areia"... Sou um optimista consciente das dificuldades que se avizinham; são muitas, vão durar muito tempo. Mas não tenho dúvidas que as vamos ultrapassar e sair da actual crise mais fortes! A este propósito, na quarta-feira da semana passada na Rádio Altitude foi assim:


"Sobre a crise, que começou por ser financeira e agora se estende a praticamente todos os sectores de actividade económica, já se disse quase tudo o que há a dizer. Já se dissecaram as causas, já se discutiram os previsíveis efeitos, já foram apontadas as receitas para se lhe escapar ou mesmo apenas sobreviver.
Esta crise afecta de forma diferente diferentes classes profissionais: as ameaças não são iguais para empresários e empregados por conta de outrém, para trabalhadores qualificados ou indiferenciados. Por outro lado, tem/terá também diferentes implicações de acordo com o nível salarial de cada um de nós. Tudo isto foi dito, repisado, desmontado até à exaustão em rádios, jornais, canais de televisão e restantes canais de media, em excepcionalmente longos jornais, reportagens ou debates.
Há no entanto um aspecto da crise de que tenho ouvido falar pouco e que cada vez mais me preocupa: o período após o fim ou, utilizando a gíria marítima, a ressaca.
Se é certo que existirão ajustamentos – metáfora dos economistas para falências, desemprego e consequente redistribuição dos inúmeros recursos nos mercados – de que forma podemos esperar que nos venham ter às mãos os efeitos desses ajustamentos?
Por outro lado, penso que ninguém terá a ilusão de que, mais cedo ou mais tarde, não teremos de começar a pagar os milhões das medidas anti-crise que têm sido anunciadas e que se destinam a minorar os seus efeitos mais nefastos, numa óptica de solidariedade social…
Vejamos: Potugal tem tido, nos últimos anos – quase 10 – um crescimento abaixo da média dos países da Comunidade; tem sido, no clube europeu, um crónico incumpridor em matéria de défice das contas públicas e endividamento externo. Um caso claro de um País que tem vivido acima das suas reais possibilidades, comprometendon desta forma o seu futuro. E isto quando tudo estava bem! Independentemente da côr política dos governantes, que iam alegremente assobiando para o lado.
Basta pensarmos que se a este estado de coisas juntarmos o esforço que vai ser feito com os tais pacotes de medidas anti-crise, para famílias e empresas, tudo a crédito como habitualmente, no final vamos ficar com uma bela conta por pagar. E a cereja no cimo do bolo é que, basta olharmos para o estado actual das taxas de juro que percebermos que elas, mais cedo ou mais tarde, só poderão evoluir num único sentido…
A conta será grande e provavelmente muitos de nós não viverão o suficiente para a ver saldada, ficando a incerteza sobre se o País que construímos e deixaremos aos nossos filhos lhes compensará aquilo que terão de pagar por ele…
Que a crise acabará lá para finais de 2010 – princípios de 2011 é o menos, como costuma dizer-se; os nossos problemas não acabarão certamente aí e os avisos só ainda não foram mais claros, em minha opinião, por estarmos em ano de múltiplas eleições e ninguém – do país político – desejar agora dar azo à veia pessimista do povo.Por mim, não tenho dúvida que vamos ter pela frente anos – e não serão 2 nem 3 – muito exigentes, em que a nossa capacidade de resistência vai ser posta à prova e em que socialmente muitos focos de conflito acabarão por se tornar explosivos. Se é certo que, como dizem os macro-economistas, depois da crise teremos necessariamente uma nova ordem mundial, temos de estar preparados para uma travessia no deserto e para encararmos o mundo e a nossa forma de nele viver de uma maneira diferente, que ainda por cima ninguém sabe muito bem explicar-nos qual é. Mas sabemos que as travessias no deserto são tanto menos difíceis quanto mais cedo se iniciarem os preparativos para a jornada. E esta vais concerteza ser longa…"

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Debate



Só há dias tive oportunidade de ouvir o debate entre os Presidentes das Comissões Concelhias do PS e do PSD.


Do que ouvi, achei o debate pouco interessante, demasiado morno... Foi essencialmente um debate político, em que se falou muito do passado e pouco do futuro, que é o que a mim me interessa, já que sobre o passado nada há a fazer excepto talvez manter o bom e aprender com o mau.


Mas houve uma coisa que foi dita que me soou a enormidade: referiu Virgílio Bento que, com o empréstimo do Ministério das Finanças para restruturação da dívida da autarquia, transformando dívida de curto prazo em dívida de médio/longo prazo, se iria "injectar" dinheiro na economia local e, dessa forma, dinamizar o meio empresarial. Ora dizer uma coisa destas é brincar com os empresários a quem a Câmara deve dinheiro por fornecimentos, nalguns casos há vários anos! Ou seja, dívidas que deveriam ser pagas no máximo 30 dias após o fornecimento e que se mantêm por pagar há imenso tempo. Obrigando desta forma os fornecedores a sustentar a falta de rigor de gestão da Autarquia.


Eu até percebo que os empresários não queiram fazer grande eco desta questão: a Câmara é um grande consumidor, com um peso relativo muito elevado no mercado local, e poucas empresas estão em posição de abdicar de ser fornecedoras de uma entidade com tanto peso. Já não compreendo que o líder da Concelhia do PSD deixa passar esta questão em branco...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Alameda




Agora que a dignidade foi devolvida à Alameda de Santo André - um espaço belíssimo que não merece os maus-tratos a que tem sido sujeita - para quando poderemos contar com a remoção da "barraca" que serviu de bilheteira para a pista de gelo?


É que manter aquele mamarracho num espaço público é um atentado ao Património...

terça-feira, 12 de maio de 2009

Títulos...


Portugal é, a muitos títulos, um País singular.

Uma dessas singularidades reside no uso intensivo (e ostensivo) dos títulos, nalguns casos académicos, noutros meramente reverenciais, mas sempre caindo no "Doutor" ou "Engenheiro".

E quantos de nós não conhecem pelo menos meia-dúzia de "doutores" que nunca concluíram qualquer curso superior? Alguns até que nunca puseram os pés numa Universidade?

Lembrei-me desta questão a propósito de umas breves palavras de Guadalupe Simões, do Sindicato de Enfermeiros, que ouvi hoje na TSF a propósito da greve que hoje decorreu. A páginas tantas, a Sra. enumerou os motivos pelos quais os Enfermeiros estão em luta, um dos quais é qualquer coisa como "ser reconhecido na remuneração que os enfermeiros são hoje licenciados e não bacharéis".

Esta (para mim) surpreendente declaração caiu como pedrada num charco. Bem sei que ainda há por aí muito quem tenha este tipo de mentalidade; mas não esperava que uma dirigente nacional desse eco a este tipo de argumento.

A profissão de enfermeiro - como muitas outras, mesmo no sector da saúde - evoluiu imenso ao longo dos últimos anos. Qualquer um de nós reconhecerá que temos hoje na enfermagem pessoal muito mais competente e especializado que há 20 ou 30 anos; mas isso é o caminho natural, de maior exigência e capacidade de formação que um pouco por todo o País e num grande número de profissões tem vindo a ser feito!

Agora no essencial, parece-me que um enfermeiro hoje tem funções semelhantes - e não digo iguais porque todas as profissões evoluem - às do enfermeiro de há alguns anos atrás; o que tem é formação para as desempenhar de forma mais eficiente, informada e consciente. O que é bom para os utentes, mas é bom também para os próprios profissionais. Achar que o facto de o nível médio de formação destes profissionais ter subido nos últimos anos é por si só motivo suficiente para progressão na carreira ou aumento de retribuição deita por terra todo o conceito de meritocracia. Além do que, tratando-se de uma classe profissional maioritariamente ao serviço do Estado, abriria um grave precedente noutras carreiras técnicas, onde o grau de qualificação também subiu. E este subiu em quase todas as profissões; basta pensarmos que ainda não há muitos anos, a escolaridade obrigatória era até ao 6º ano, actualmente é até ao 9º e já se fala de a aumentar até ao 12º...

Já pensaram o que sucederá no sector imobiliário quando os pedreiros fizerem grave reinvindicando aumento de retribuição porque são hoje mais qualificados do que os seus pares de há 10 ou 15 anos atrás? É que o facto de dominarem o teorema de Pitágoras facilita-lhes imenso os cálculos das esquadrias...