segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Acabou!



Terminou o ano eleitoral! Após 3 campanhas para outras tantas eleições, enfrentadas com maior ou menor indiferença (consoante a percepção que cada um tem da medida em que afectará a sua vida), em que todos os pormenores foram comentados antes e depois de cada uma delas, eis que agora é tempo de voltar à velocidade de cruzeiro.

São sempre dias intensos, estes das campanhas. E todos aqueles que estão atentos àquilo que se passa à sua volta acabam por se envolver.
No que toca a eleições, optei por não incluir as minhas opiniões (que, como cidadão, evidentemente tenho) aqui no Blog. Não acho que sirva qualquer dos propósitos com que o criei.
Mas agora que acabaram, é hora de deitar mãos à obra. Há muito para fazer na Guarda para a tornarmos melhor, e nunca seremos demais a contribuir para esse desígnio.
Hoje inicia-se um novo ciclo (agora há ciclos para tudo) na gestão da cidade; em face dos resultados das eleições, inicia-se a segunda etapa de uma maratona. Faço votos para que a chegada à meta seja coroada de glória: é a nossa vitória colectiva que se joga.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Turismo


Após o regresso de um breve período de férias, tive hoje a oportunidade de ouvir alguns excertos do debate na Rádio Altitude, com elementos de algumas das candidaturas à Câmara da Guarda, sobre o tema do Turismo. Confesso que não ouvi na íntegra, porque geralmente só tenho oportunidade de ouvir rádio enquanto ando de carro.

Do que ouvi, existem coisas com as quais concordo e outras que nem tanto.

A ideia do Parque, confesso que me deixa um bocado confuso: não sei exactamente o que se pretende. Além de que, do que ouvi a Rui Quinaz, se trata de uma ideia numa fase muito embrionária. Dizer-se que tem de se procurar um parceiro é estar numa fase prévia ao pré-projecto! Não me parece adequado trazer um tema destes para uma campanha na fase em que está. Trata-se de um mercado muito restrito a nível mundial, com 4 ou 5 players de peso. E trata-se de um mercado que está inteiramente nas mãos de privados...

Nas acessibilidades à Serra da Estrela, cujas potencialidades todos reconheceram que a Guarda não está a aproveitar, existe a ideia que o que a Guarda precisa é uma estrada de acesso à Serra - presumo que se queiram referir ao maciço central - para não termos de depender dos acessos por Gouveia ou pela Covilhã. E aqui, devo dizer que discordo completamente desta ideia. Só num País com os hábitos de rico como o nosso esta ideia continua a vingar! Ainda não se percebeu que as acessibilidades são commodities, ou seja, algo que qualquer um pode ter, e que por si só não consituem factores diferenciadores. Acho que é mais uma questão de orgulho em termos a "nossa" própria estrada. Um orgulho que custa muito caro! E que faz com que qualquer dia, com o rumo que as coisas estão a tomar, os turistas que sobem ao maciço central apenas consigam ver... alcatrão! Estradas e mais estradas, por todo o lado, para todo o lado. Com os impactos negativos que isso traz a uma reserva com as características da da Serra da Estrela. Sou mesmo dos que acha que nas zonas mais elevadas, o trânsito automóvel deveria ter fortes restrições, e não ser encorajado. Por que é que em vez de estradas, não pensamos em aproveitar as tais potencialidades da Serra? É que isso faz-se transformando essas oportunidades em negócios rentáveis; as potencialidades, por si sós, não sendo exploradas, não têm qualquer utilidade. O papel da Câmara aqui deve ser o de implementar uma estratégia de comunicação que faça da Guarda uma porta de entrada na Serra; o de afirmar a cidade como uma cidade de montanha, oferecendo serviços nesse cluster. A mim não me interessa por que estrada é que as pessoas vêm e vão, se passam em Gouveia ou na Covilhã; interessa-me que seja criado um ambiente favorável aos negócios em torno do montanhismo, da natureza, da Gastronomia, etc.

O papel da Câmara deve ser aquele que indicou no debate Leopoldo Mesquita a propósito do Hotel de Turismo: o de fazer com que haja turistas - eu seria ainda mais abrangente: que haja gente! - na Guarda. Depois disso, tudo o resto virá pelas mãos de quem deve: os empresários. Virão hoteis, empresas de transporte, de animação, etc.

A vocação da Câmara não é de empresário; é de fazer com que estes tenham as melhores condições para aqui se fixarem e aqui desenvolverem os seus negócios, criando e distribuindo riqueza.




PS: no jornal da hora do almoço, a propósito da Campanha da candidatura do PSD, ouvi um dos elementos da lista dizer qualquer coisa como "aderi a este projecto sem reservas, e por isso convido-vos a aderir também..."; esta falta de concordância entre verbo e sujeito fica mal a todos os que são (ou pretendem vir a ser) figuras públicas; mas fica ainda pior a um professor de literatura...!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Onde pára o Canil...?


As coisas têm andado relativamente sossegadas por cá; deve ser de estarmos na fase final da campanha eleitoral para as legislativas: diz respeito a toda a gente, o País atravessa um momento delicado, e o Governo que sair das eleições do próximo Domingo terá uma tarefa complicada, quer para fazer Portugal sair definitivamente da crise, quer para continuar as reformas necessárias para que o estado seja mais eficiente - e o País mais competitivo.

Mas nas últimas semanas tem vindo a público um caso com contornos curiosos: a reestruturação do Canil Municipal.

Desde há cerca de 3 anos (mais ou menos), o Canil conheceu uma dinâmica muito interessante: de mero serviço municipal que se limita a cumprir "os mínimos", ou seja, a sua missão de recolha de animais abandonados ou doentes, na maior parte das vezes para serem abatidos (a palavra geralmente usada é occisão), passou a ser um serviço com uma componente educativa, ambiental e de respeito pela vida animal exemplar. Foi criada uma página numa rede social onde disponibilizadava muita informação sobre o canil (regras, localização, etc.), mas também apelos, com fotos, de animais que ao invés de ser abatidos poderiam muito bem ser adoptados.

Pelo que sei, enquanto tal página esteve online, foram muitos os casos de sucesso.

Retirando alguns casos de comentários desadequados (nalguns casos a raiar o mal-educados), aquela página representava um óptimo trabalho em prol dos animais e no fomento de uma cultura ambientalmente responsável. Só que, como muitas vezes nestas coisas, tudo isto era fruto de um enorme voluntarismo - neste caso, de uma única pessoa. Falei com essa pessoa 2 ou 3 vezes e, francamente, não fiquei com qualquer simpatia por ela. O que não me impede de reconhecer o bom trabalho que vinha desenvolvendo. Embora a necessitar de alguma "netiquette", o princípio era bom.

Só que, há algumas semanas, algo deve ter ocorrido: a Câmara decidiu fazer com que a referida página deixasse de ser representativa do Canil, passando a ter uma página própria, num processo a que chamou de reestruturação.

Entretanto, essa página já viu a luz do dia. E só apetece perguntar como Ricardo Araújo Pereira e Manuela Ferreira Leite: "Mas que brincadeira vem a ser esta?".

O responsável pela mudança, certamente, nada entende de comunicação sobre canais web! Arrisco mesmo dizer que nunca viu a anterior página nem a dinâmica que ela tinha! E que isto só pode ser para desviar atenções no momento particular que vivemos... Trata-se de uma página estática, com 4 fotos (pequenas), sem qualquer informação complementar sobre os animais. Quase anedótico, não fora o facto de estas manobras terem repercussões ... na suas vidas. Circulam alguns emails sobre este assunto, o Sr. Presidente da Câmara já fez algumas declarações aos jornalistas, mas de concreto, apenas vejo que se deitou por terra um bom trabalho, sem qualquer intenção de o manter, quanto mais de o melhorar! Triste, muito triste.
Já se sabe que é sempre mais fácil destruir que construir; mas que há nesta história muita incompetência, mesquinhez e interesses pouco claros, disso não tenho dúvida.

Deixo o desafio: se descobrirem a página do Canil Municipal, digam o que vos parece.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

QREN - Mitos e Factos


Esta tem a sido a campanha eleitoral das PME. Não há candidato, apoiante ou simples militante que não tenha uma proposta, que não queira saber, que não critique, a política de apoio às PME. Parece que os nossos políticos se lembraram agora que mais de 90% das empresas em Portugal são PME e que, destas, uma grande maioria são micro-empresas, ou seja, votos!

À boleia das PME, também muito se tem falado do QREN, das suas verbas, do seu nível de execução, etc.

Como é uma área que conheço relativamente bem - trabalho com ela diariamente - resolvi desfazer alguns mitos sobre o assunto.

Assim, começo por dizer que em matéria de apoio público ás PME, existem enormes restrições comunitárias: Direcção-Geral da Concorrência e Direcção-Geral da Empresa, entre outras instância, produzem imensos regulamentos, normas, etc. que, para salvaguardar condições de concorrência e tratamento igual no espaço comum na União Europeia, limitam a intervenção dos diferentes estados-membro no que toca a políticas públicas de apoio às PME.

No que toca ao QREN, a principal crítica que tem sido feita diz respeito ao baixo nível de execução; todavia, convém não perder de vista que mais de 80% das verbas do QREN estão destinadas à modernização administrativa, e à construção de infra-estruturas. Destas últimas, existem 2, que também têm sido muito comentadas, que absorvem a fatia principal: Rede Ferroviária de Alta Velocidade (que tem sido chamada de TGV) e o Novo Aeroporto de Lisboa.

Daqui resulta que, se as obras forem realmente suspensas, o nível de execução final do QREN será baixíssimo; se, por outro lado, estas verbas e respectivos prazos para aplicação forem renegociadas, as coisas podem melhorar substancialmente. Mas o facto é que qualquer delas ainda não passou da fase de estudos, pelo que nesta altura o nível de execução do QREN não poderia ser senão muito baixo!

No que à parte do QREN que é injectada nas PME, sob a forma de sistemas de incentivos a investimentos produtivos, em factores de competitividade ou à Investigação e Desenvolvimento, bem como na criação de ambientes mais favoráveis para os negócios, a aplicação das verbas tem estado a ser feita de acordo com o previsto. E o nível de execução está dentro daquilo que estava programado. De resto, já na segunda metade do anterior Quadro Comunitário de Apoio (QCA III, o equivalente ao QREN que vigorou ente 2000 e 2007) foi esta boa programação e aplicação de verbas que permitiu que Portugal visse reforçadas as suas verbas através daquilo que outros Estados-Membros não conseguiram aplicar, a chamada regra N+2.

Mas para as empresas, não interessam níveis de execução nem a programação das verbas: interessa-lhes contar com os apoios e que estes cheguem em tempo útil. E neste campo, quem está nas empresas, percebe que as coisas evoluiram imenso: se durante o período de vigência do QCA III (2000-2007) foram apresentados menos de 20.000 projectos de investimento, nos 2 anos de vigência do QREN são já mais de 8.000 os projectos apresentados, isto apesar de os critérios de selecção serem exigentes e as tipologias de investimento apoiadas se centrarem mais em factores dinâmicos de competitividade do que em investimentos produtivos. Isto revela o enorme progresso que ocorreu no tecido empresarial. Mas há mais: se no anterior Quadro Comunitário, a aprovação de uma candidatura demorava mais de 6 meses, no actual não chega a 3; nunca, como hoje, foi possível um empresário apresentar um pedido de pagamento e passadas 2 semanas ter o dinheiro na sua conta; nunca, como hoje, teve tantas facilidades no relacionamento com a Administração Pública, nomeadamente recorrendo aos Portais Web.

As coisas podiam ser melhores? Claro que sim. Há sempre margem para fazer melhor, para ser mais eficiente. Mas eu, que trabalho há mais de 10 anos no apoio a empresas, tenho de reconhecer que têm sido feitos enomes progressos, reconhecidos de resto ao nível das instâncias comunitárias e das consultoras internacionais. Há talvez uma área que tenha ainda de evoluir substancialmente, com impacto relevante no ambiente para os negócios: o licenciamento. Aqui, Câmaras, Ministério da Economia e demais entidades intervenientes devem fazer um esforço no sentido de aligeirar procedimentos e definir claramente procedimentos e requisitos para o licenciamento das unidades de produção, para que ele não seja quase um jogo da "cabra-cega"...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Greve... já!


O direito à Greve é uma forma de os trabalhadores mostrarem aos seus empregadores que algo está muito mal. Pessoalmente, como alguém que vive do seu trabalho e que por isso tem por ele um enorme respeito, sinto-me confortável por existir este recurso, que no entanto só usaria em casos realmente importantes, justificadamente graves.
Por isso me custa a compreender uma notícia que hoje ouvi de manhã: até às eleições legislativas estão, para já, marcadas 8 Greves. O que esperam estes profissionais obter de um Governo que estará em funções mais 3 ou 4 semanas? Que tome agora as decisões que em 4 anos não tomou? Ou que mude agora de opinião sobre determinada reinvindicação, quando nos 4 anos anteriores não teve essa sensibilidade?
Não julgando os méritos ou deméritos dos objectivos establecidos para estas Greves, parece-me francamente que se trata mais de um caso de interferência eleitoral - ou motivos eleitoralistas - do que propriamente de manifestar desagrado, saindo à rua. Tanto mais que os sindicatos em Portugal continuam, na minha opinião, demasiado politizados.
Estamos na fase final de um ciclo, com outro a iniciar-se muito brevemente; faça-se dos 4 anos de Governo o Balanço que há a fazer, que será diferente para cada um de nós, e vote-se de acordo quer com esse balanço quer com as propostas que nos são feitas pelos candidatos. Agora greves, nesta altura, parecem-me uma falta de respeito pelas regras democráticas e uma falta de respeito quer pelos anseios - legítimos ou não - dos profissionais, quer pelo direito à greve em si mesmo.

domingo, 13 de setembro de 2009

Livros - "O rastro do jaguar"


Da autoria de Murilo Carvalho, jornalista brasileiro, é uma estória feita de estórias belíssimas.
Apesar de a beleza por vezes emergir do horror que sempre existe em cenários de guerra. Ainda assim, ancorado na busca da identidade de um Homem que sabe que é mais do que aquilo que conhece de si, é uma narrativa que prende desde o primeiro capítulo. A escrita, embora por vezes algo densa, beneficia imenso do "calor" transmitido pelo autor.
O livro encerra ainda uma perspectiva histórica importante - as guerras pela independência na América do Sul em finais do séc. XIX - que para mim era praticamente desconhecida, apesar de nalguns pontos de cruzar com a nossa própria história.
Para temperar todos estes ingredientes, a mística associada aos povos nativos que foram dizimados por sucessivas ondas de ocupação dos seus territórios.
Apesar de exigir algum tempo para a sua leitura (são quase 600 páginas), que ainda por cima não pode (ou pelo menos não deve) ser apressada, vale bem a pena o tempo dispendido ou, se quisermos, o tempo que passaremos na sua companhia.

Foi ao lado...


Judite de Sousa, em entrevista ao Expresso, diz que acha que Sócrates "emprenha pelos ouvidos", recorrendo a uma expressão popular para caracterizar aqueles que acreditam em tudo o que lhes dizem, sem procurar validar essa informação.
Só que, apesar da boa intenção, a senhora errou o tiro: a expressão é "emprenha pelas orelhas". E nestas coisas do emprenhar, a precisão faz toda a diferença...