segunda-feira, 11 de maio de 2009

Valhelhas - Bandeira Azul


Foi com gosto que soube há dias que a Praia Fluvial de Valhelhas foi distinguida com a conhecida bandeira azul. Esta distinção segue-se a uma boa classificação obtida há cerca de 1 mês numa análise da DECO. Ambas são garantias, para todos os que visitam Valhelhas, de que podem contar com um espaço com todas as comodidades e condições para um dia bem passado naquela Praia Fluvial, aqui mesmo às portas da Guarda.

Tenho raízes em Valhelhas e desde muito novo me habituei às tardes de Verão passadas no Rio, em pic-nics com a família - no tempo em que as famílias faziam pic-nics - ou simplesmente para um refrescante e revigorante mergulho. Assisti pois ao nascimento e evolução daquilo que é hoje a Praia Fluvial: primeiro um local onde se ia no Verão, pelo meio dos milheirais, dar um mergulho; depois, o voluntarista Sr. João Pais, empresário com máquinas de carga e movimentação de terras, durante alguns anos no início do Verão lá fazia uma pequena parede de pedras que retinham alguma água, formando assim uma albufeira que se começava a assemelhar com a estrutura que hoje vemos; mais tarde, a Junta de Freguesia construiu o Parque de Merendas e institucionalizou-se aquela parede de pedras todos os Verões; com o Parque de Campismo e a evolução dos tempos, chegámos à estrutura de betão que hoje existe. E a coisa não vai ficar por aqui. O Presidente da Junta, Paulo Carvalho - que conheço e que é um Homem empreendedor, como de resto é visível no seu percurso profissional - tem planos para a melhoria do espaço, para poder dar mais a todos os que visitam Valhelhas.
Nos próximos anos, Valhelhas deverá assim receber avultados investimentos na estrutura de apoio ao turismo que hoje tem, que espero que sejam um sucesso e dinamizem aquela pequena aldeia perdida no coração da Estrela, mas de uma grande beleza.
Confesso que gosto mais de Valhelhas nesta altura do ano: no início da Primavera, com pouca gente, com muita calma... Experimentem ir por lá um dia destes, almoçar no Restaurante "Vallecula" do inefável Luís Castro ou no "Soadro do Zêzere" do dinâmico e empreendedor Paulo Carvalho; em qualquer dos dois, poderão provar os sabores antigos em receitas absolutamente originais. Depois, para ajudar à digestão, nada melhor que um passeio no espaço da Praia Fluvial, ouvindo o cantar da água e o trinado dos pássaros.
Num quadro destes, qualquer um de nós vem de lá a sentir-se melhor pessoa!

domingo, 10 de maio de 2009

Outra Crónica Diária - Rádio Altitude


Esta foi a crónica que passou na rádio a 29 de Abril; dada a data, o tema era praticamente incontornável e tem a minha visão muito particular sobre as celebrações que, ano após ano, nos é dado assistir. Foi assim:


No fim-de-semana passado celebrou-se mais um aniversário sobre a data em que uma coluna militar saiu das Caldas da Rainha em direcção a Lisboa, acção que culminou com a rendição de Marcelo Caetano – à data Presidente do Conselho de Ministros – e a entrega do poder aos Militares. Nesse dia 25 de Abril de 1974 terminou o Estado Novo, o período mais negro e degradante da nossa história recente enquanto Nação.
Nos últimos anos, a celebração desta data tem sido mais ou menos repetitiva, com as cerimónias solenes na Assembleia da República a darem azo, uns dias antes, a todo tipo de especulações sobre o que os vários intervenientes dirão, e nos dias que se seguem, às análises do que se disse, o seu significado, o que se queria dizer e o que se deveria ter dito. E com isto, um cada vez maior número de cidadãos vai-se alheando destas comemorações, ao ponto de parecer uma reunião de amigos, os do costume - em Belém e não uma data em que todos devemos lembrar o significado daquele dia que tanto contribuiu para mudar Portugal e o seu impacto nas nossas vidas, mesmo hoje passados que são 35 anos.
O Portugal de então – magnificamente retratado por António Barreto numa série de programas produzidos para a RTP – está hoje distante e certamente não deixou saudades a ninguém, excepto talvez a meia-dúzia de medíocres…
Mas ainda hoje subsiste a ideia de que, com o 25 de Abril e a instauração do regime democrático que se lhe seguiu, todos ganhámos muitos direitos e nenhuns deveres. E esta é uma ideia perigosa, que está a afastar cada vez mais as pessoas da própria Democracia.
Porque em Democracia, o poder é das pessoas, no pressuposto de que estas cumpram com as suas obrigações de cidadania. E que manifestem as suas opiniões, anseios, mas também as suas críticas nos locais próprios. E não é isso que se verifica. O que se verifica é que é crescente o nível de abstenção nas diversas eleições a que somos convocados para votar; é que num Universo de mais de 800 Pais apenas apareçam na Assembleia Geral da respectiva Associação 20 ou 30; ou que Assembleias Gerais de Associações sem fins lucrativos estejam sistematicamente desertas – à excepção de uns quantos que, por carolice, lá vão mantendo a coisa em funcionamento. Claro que tudo isto acontece quando tudo está bem; porque quando há problemas, lá estão os envolvidos a clamar por que o Governo os ajude, a Associação defenda os seus direitos e que os eleitos cumpram com a sua obrigação e trabalhem em prol de todos os associados. Como se pertencer a uma Sociedade ou Associação apenas confira direitos e não deveres; como se só alguns tenham obrigações, enquanto os restantes apenas gozam de direitos; como se pertencer a uma Associação seja uma espécie de seguro que accionamos quando temos um sinistro…
Como muito bem referiu Ramalho Eanes na semana passada, a verdade é que temos o País que merecemos; aquele para que contribuímos. Não vale a pena culpar apenas os outros; a culpa é de todos. Só quando todos nos dispusermos a dar alguma do nosso tempo a favor do bem comum, a cumprirmos com a nossa parte na vivência de um regime democrático, teremos a legitimidade moral de exigir dos outros. Até lá, somos uma espécie de parasitas da Democracia, que em nada contribuem para a tornar mais forte.


sexta-feira, 8 de maio de 2009

Crónica Diária - Rádio Altitude


Esta já tem mesmo muito tempo! Mas no último mês, o tempo tem sido muito pouco para os pequenos prazeres da vida.

Por outro lado, tem havido alguns problemas com o arquivo de podcasts da Radio Altitude, pelo que nem todas as crónicas diárias estão disponíveis naquele suporte.

De qualquer forma, aqui fica a crónica que passou em 8 de Abril:



Entre amigos, costumo dizer que este é um tempo fantástico para se viver, no sentido em que vemos o mundo evoluir perante nós e sentimo-nos parte dessa mudança. A evolução é tal que, se olharmos 5 anos para trás, vemos o quão diferente o mundo é hoje, nos seus múltiplos domínios…
Uma das dimensões que mais me fascina é a evolução tecnológica: quase todos os dias me espanto com o que a arte e engenho de alguns nos permitem. A título de exemplo, é hoje mais complexa, tecnologicamente, a chave de um automóvel, que o automóvel inteiro há uns meros 20 ou 30 anos atrás!
Esta evolução - ou revolução, se quisermos – tecnológica tem porém um efeito perverso: por vezes, facilita-nos tanto a vida, substitui a nossa intervenção de tal ordem, que nos esquecemos do nosso papel, de que não podemos abdicar.
Um bom exemplo do que acabo de referir é o que se passa com a segurança nos establecimentos de ensino, com maior relevância em creches e jardins de infância. Em muitos casos têm sido instalados modernos sistemas de detecção de incêndio e alarme. Que vêm complementar os obrigatórios extintores. Portanto, a parte tecnológica da questão está tratada: os equipamentos estão montados e presumo que testados e a funcionar. Então e o resto? Nos casos que conheço, não existe pura e simplesmente qualquer plano de emergência, na verdadeira acepção do termo. Não me refiro obviamente à clássica planta do edifício com as clássicas marcações da localização dos extintores e das saídas de emergência, para as quais se olhou o primeiro dia que lá foram colocadas por mera curiosidade. Falo sim de um Plano que defina as competências das várias pessoas em caso de ser declarada uma emergência. Por isso referi que as creches e os jardins de infância são os que mais me preocupam: porque os seus utilizadores – crianças que nalguns casos nem caminham autonomamente – são extremamente vulneráveis numa situação de emergência.
Questões como a escolha do percurso para a saída, contagem de crianças, definição de responsáveis pela verificação dos locais que não são de permanência habitual – por exemplo as casas-de-banho – treinar as crianças para em caso de soar o alarme se dirigirem para a porta e aguardarem um responsável, entre outras, deveriam constar de um Plano de Emergência em cada establecimento de ensino e ser do conhecimento de todos os funcionários, de forma a que cada um conhecesse o seu papel, as suas responsabilidades.
A concepção deste tipo de planeamento deve ser feita naturalmente em colaboração com as entidades oficiais com competência em matéria de protecção civil, nomeadamente o gabinete de protecção civil municipal e a autoridade nacional de protecção civil. A sua implementação deve ser iniciada nos establecimentos de ensino com utilizadores mais novos e passar gradualmente aos restantes, por forma a cobrir toda a rede.
Este planeamento deveria ainda ser complementado, como indicam as boas práticas, com um calendário de simulacros onde se possam aferir os aspectos onde podem ser introduzidas correcções, como forma de possibilitar a melhoria contínua destes planos, que podem e devem ser instrumentos dinâmicos, que se adaptem à realidade em evolução, e não o mero cumprimento de uma obrigação que passado um ano ou dois mais ninguém se lembra que existe.
Já tive oportunidade de formular esta sugestão nalgumas reuniões de Pais, ao que foi respondido que embora importante, não era oportuno dar andamento à questão. Por isso me parece que manter a ideia em discussão pode ser útil, para despertar consciências. Ou, no limite, estamos perante mais um caso em que só se avançará quando for obrigatório este planeamento, como tantas vezes acontece? Espero que não seja o caso…

Mais logo deixo aqui a outra crónica entretanto difundida.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Justiça


Um dos sectores da sociedade que repetidamente ouvimos dizer que funciona mal é o da Justiça. A questão é tanto mais grave quanto a Justiça é importante enquanto pilar fundamental do Estado de Direito; este, inegavelmente, não existe sem que o acesso à Justiça seja garantido a todos os cidadãos. É, por outro lado, uma das funções do Estado garantir justiça a todos os cidadãos.

A face mais visível da justiça são os tribunais; e da minha experiência pessoal, devo confessar que não tenho apreço pela forma de funcionamento destes serviços.

Mas a verdade é que todo o sector e operadores da justiça têm características muito peculiares... Quem já teve oportunidade de ler algumas sentenças, sabe do que falo.

Aqui há uns dias, fui presenteado com outra destas pérolas "legais". Eu explico: no ano passado, necesitei de uma cópia da Licença de Utilização da casa onde vivia, que por acaso estava em nome da minha mulher. Dirigi-me à Câmara, onde fiz o pedido de tal documento. Foi-me respondido que só a pessoa em nome de quem estava a casa a podia pedir. Lá argumentei que somos casados, regime de casamento, etc, e nada. Teve mesmo de ser ela a formalizar o pedido. Como achei demasiada exigência para um documento que por um lado é obrigatório e por outro não contém qualquer informação que possa ser considerada sesnível, quanto mais confidencial - a lista telefónica dá tanta ou mais informação - apresentei uma reclamação. A minha ideia era, tão somente, que o assunto fosse estudado, avaliado e pudesse eventualmente ser alterado o procedimento para, em casos futuros, o acesso ser mais fácil. Engano meu!

Deram-me há dias conhecimento do caminho que o assunto levou: foi solicitado a um jurista um Parecer, que tiveram a amabilidade de me remeter. Dez páginas, 4 partes e 22 pontos apresentados. Mais 16 folhas de anexos, a maior parte delas com frente e verso.

O Parecer propriamente dito tem os seguintes pontos:

1. Do direito de acesso procedimental e do direito de acesso não procedimental;

2. Dos documentos nominativos;

3. Formas de exercício do direito de acesso não procedimental;

4. Conclusão.

Este último termina assim: "Sugerir-se-á o deferimento da pretensão concretamente formulada no requerimento."

E é aqui que reside a minha dúvida: sugerir-se-á quando ou em que circunstância?

É certo que a justiça é (deve ser) cega; mas eu também não estou a ver a coisa lá assim muito clara...

terça-feira, 7 de abril de 2009

Mais Ilustres Guardenses

Hoje, pela manhã, recebi notícias de mais ilustres Guardenses: o Prof. Dr. João Queiroz foi eleito Reitor da Universidade da Beira Interior, numa eleição entre ele e o anterior Reitor. O Prof. Queiroz já era Presidente da Faculdade de Ciências da Saúde daquela Universidade, pelo que tem provas dadas na Direcção de Organismos e equipas; para quem não sabe, é natural da Guarda.
Também vários jovens, representando o Polo da Guarda da Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas, venceram ontem numa das categorias de um concurso mundial de robótica realizado nos Estados Unidos.
Parabéns a ambos, que com o seu trabalho e dedicação honram o nome da sua terra!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Voluntariado

Começo por dizer que, por princípio, sou a favor do voluntariado. Sou da opinião que estamos a tornar-nos uma sociedade muito egoísta e que damos pouco de nós a esta sociedade em que, afinal escolhemos viver... O voluntariado torna-se ainda mais importante quando pode aportar a experiência de quem já viveu e trabalhou muito e é uma forma generosa de devolver à sociedade aquilo que ela nos permitiu ao longo da nossa vida passada.

Dito isto, a recentemente anunciada autorização concedida aos professores para, após a sua aposentação, prestar trabalho voluntário nas escolas parece-me, em princípio, uma boa ideia, louvável até. A minha única reticência tem a ver com o tipo de trabalho que se espera ou autoriza que esses professores venham a realizar nas escolas, que ainda ninguém me conseguiu explicar qual é.

Mas hoje, no jornal da hora do almoço do Altitude, ouvi uma representante do Sindicato dos Professores da Zona Centro que me deixou um bocado baralhado. Dizia a senhora que o Sindicato que representa é contra esta medida por 2 razões: primeiro pela forma como o Governo tem tratado os professores e porque não acredita que, pela primeira razão, haja docentes que se disponibilizem para o tal voluntariado; em segundo lugar porque, havendo muitos professores desempregados, acha que os voluntários vão ocupar os lugares que poderiam ser atribuídos a professores desempregados.

Então mas isto são razões que se apresentem para discordar da medida anunciada? O que é que uma coisa tem a ver com outra? Os professores vão fazer voluntariado pelas escolas e pelos alunos, ou em sinal de gratidão pelo Governo? Que sentido de oportunidade é este? Que visão tão corporativista!

Quem trabalhe como voluntário ou usufrua deste tipo de trabalho tem a noção que este tipo de ajuda não substitui, naturalmente, a força de trabalho efectiva com que se pode contar na planificação das actividades. É um complemento, que pela sua natureza tem uma exigência muito menor do que a força de trabalho normal. E sendo a profissão de professor uma função técnica qualificada, é normal que a exigência seja crescente, e não o oposto...

É por estas e por outras que os sindicatos - e não os professores, como às vezes "interessa" fazer crer - são cada vez mais incompreendidos...

Mais turismo

Um bom exemplo de empresas do sector da animação turística de que falei na anterior Crónica Diária (no meu post anterior) é a "Quebra-Águas": tem um produto inovador, que valoriza os recursos naturais de que dispomos na região, é formada por gente nova com vontade de fazer bem (diferenciando-se das demais ofertas) e é um claro - pelo menos para mim - caso de empreendedores que arriscam naquilo em que acreditam. Além do mais, tem uma óptima imagem, a começar pelo logotipo!
Desejo naturalmente que a empresa cresça e seja um sucesso dentro de pouco tempo. Quando tiverem um bocadinho livre, passem por lá...