quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Crónica Diária - Rádio Altitude

Em 4 de Fevereiro, foi assim:

Muito se tem dito e escrito sobre a crise que tem varrido o mundo dos negócios. São mais ou menos conhecidos os motivos que estiveram na sua origem e alguns dos seus principais protagonistas – quer tenham sido causadores quer visados. O seu epicentro foi nos EEUU, mas rapidamente alastrou a todas as regiões do Globo, com particular incidência naquelas que têm maior grau de desenvolvimento que, paradoxalmente, são também aquelas que mais dependência vieram a revelar dos sistemas financeiros. Veja-se o caso da Islândia.
Sabe-se tudo isto, mas não se sabe ainda a verdadeira dimensão da crise – quer a sua extensão, quer a sua duração. Esta dependerá em parte do sucesso das políticas que têm vindo a ser implementadas em diversas áreas.
Portugal, como Economia periférica e aberta que é, começou cedo a sofrer as agruras da crise, e a procissão ainda vai no adro, como costuma dizer-se por cá.
Independentemente do sucesso das medidas governamentais, não podemos ter ilusões: é certo que o desemprego vai subir, é certo que muitas empresas vão fechar e é certo que teremos de abdicar de uma parte – mais ou menos significativa, consoante a situação individual de cada um – do nível de vida a que nos temos habituado. Em situações como esta, a rapidez de resposta é decisiva; não é o momento de esperar para ver, é o momento de agir. Os que ficarem a ver, verão provavelmente o seu infortúnio.
Em momentos como o actual, acaba por ser evidente aquilo que todos os manuais de gestão e economia nos dizem, mas que não é visível em épocas de prosperidade: que os agentes económicos mais bem preparados continuarão a sua actividade e a sua progressão na cadeia de criação de valor, tendo os restantes tendência para acabarem por desaparecer. Na verdade, em épocas de prosperidade as economias tendem a ser menos eficientes.
Na crise a que assistimos, será decisiva a rapidez e a capacidade de resposta. Mas, inevitavelmente, alguns ficarão pelo caminho. Para estes, é preciso promover o insucesso responsável, um conceito pouco cultivado entre nós. Porque gostamos de apregoar sucessos aos quatro ventos, mas preferimos varrer os insucessos para baixo do tapete.
Todos os que estão no mundo dos negócios, sabem que uma actividade empresarial comporta riscos. Um deles, o risco de o projecto de negócio ser mal-sucedido. O insucesso responsável visa, nestes casos, que por um lado este insucesso não tenha repercussões na envolvente da empresa – clientes, fornecedores, colaboradores, etc – e por outra que desse insucesso se retirem ensinamentos que possam ser utilizados em futuros projectos. É com este conceito em mente que algumas empresas de capital de risco valorizam, na análise do perfil do candidato a operações de financiamento, o seu passado de insucessos. Porque é previsível que não se voltem a cometer erros passados. E porque só o verdadeiro empreendedor arrisca nova aventura empresarial depois de ter conhecido o insucesso.
Penso portanto que este é o tempo indicado para dar eco a este interessante conceito, por um lado porque se adivinham para os tempos mais próximos alguns insucessos, por outro porque precisamos da experiência e do espírito empreendedor daqueles que têm boas ideias de negócio, audácia e vontade para as levar à prática.
Do lado das políticas públicas, este é um momento que dificilmente se repetirá no futuro: estão hoje à disposição dos empresários – actuais ou futuros – um conjunto de instrumentos de financiamento, com uma amplitude e intensidade de incentivos que poucos pensaram voltar algum dia ver. De linhas de crédito com juro bonificado, a incentivos com ou sem reembolso, até incentivos que chegam nalguns casos a 50% do investimento, os apoios públicos actualmente em vigor abrangem a grande maioria dos sectores de actividade e necessidades de investimento das empresas. Não chegará para todos, porque muitos destes apoios estão sujeitos a regras de selectividade, ou seja, projectos mais competitivos, com maior incidência em factores dinâmicos de competitividade, apresentados por empresas financeiramente mais sólidas estarão à partida mais bem colocados para a obtenção de apoios. Convém não esquecer que quando falamos de apoios públicos, é de dinheiro dos contribuintes – que somos todos nós – que estamos a falar. E naturalmente, todos exigimos que o nosso dinheiro seja aplicado da melhor forma possível. Também não serão extensíveis a todas as necessidades, de todas as empresas. Quanto a isso, não podemos ter ilusões: não haverá nunca um sistema de apoios a empresas (ou outras entidades) perfeito, que se aplique a todas as situações, até pelo simples facto de existirem nalguns sectores restrições que nos são impostas.
O momento é de agir, de aproveitar financiamentos e fortalecer as empresas. A maior parte, senão todas, passarão por dificuldades. Mas as que estiverem mais bem preparadas sobreviverão, e tenho a certeza que sairão desta crise mais fortes. Das outras, ainda que tenham de se extinguir, tenho também a certeza de que algo se poderá aproveitar; assim todos o queiramos…


Para ouvir, clique aqui.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Balão

Por que é que os agentes policiais, antes de nos pedirem para fazer o teste de alcoolemia, nos perguntam se bebemos? Já experimentei as duas variantes possíveis de resposta - a menos que alguma me esteja a escapar - e invariavelmente a seguir vem qualquer coisa como "Vamos lá então ver isso...".
Será uma pergunta retórica?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A política de Nuestros Hermanos

Acabo de ver um programa muito interessante na RTVE: o Presidente do Governo, Rodriguez Zapatero, respondeu a perguntas de uma vasta audiência de cidadãos comuns, ou seja, perante uma plateia de representantes do Povo. Ouvi perguntas de todo o tipo de cidadãos, funcionários públicos, pequenos empresários, secretárias, padres, reformados, desempregados - enfim uma amostra da sociedade. Sem papas na língua - o que não implicou de modo nenhum qualquer falta de respeito - colocaram àquele que mandataram para dirigir o destino da Nação as perguntas que de alguma forma todos nos colocamos nos dias que correm. Sobre o que o Governo tem feito, o que pretende fazer, o que os cidadãos acham que deve ser feito. Algumas perguntas exigiram de Zapatero toda a sua habilidade política. Foi bom de ver.
Acho assinalável que um governante eleito há cerca de um ano - portanto ainda nem a meio está do seu mandato - se disponibilize para prestar contas, publicamente, a uma amostra de cidadãos do seu País.
Por cá, gostava também de ver José Sócrates ter a mesma disponibilidade!

As razões

O tempo tem sido pouco e as actualizações ainda menos. Mas ainda assim vale a pena deixar aqui as (poucas) informações que foi possível recolher, a propósito do meu anterior Post, sobre as razões da suspensão das aulas.
Em relação ao Agrupamento Escolar da Área Urbana da Guarda - aquele com quem tenho uma relação próxima - a principal razão invocada pelo respectivo Presidente do Conselho Executivo para a suspensão das actividades lectivas foi a segurança das crianças. Porque as instalações escolares estavam cheias de neve, escorregadias, o que propiciava acidentes. E porque não havia, logo no início da manhã, funcionários e professores suficientes para assegurar a vigilância dos alunos. Concordo inteiramente com o facto de a segurança dos alunos estar no topo das prioridades dos responsáveis das escolas. Mas os argumentos são, na minha opinião, algo tíbios. A segurança dos nossos filhos passa menos por tê-los numa "redoma", protegidos de todas as agressões exteriores, e mais por lhes dar a capacidade de avaliarem riscos, e tomarem decisões conscientes. Eu faço questão que o meu filho brinque na neve. Claro que deve fazê-lo afastado de escadarias. Se calhar vai cair algumas vezes; mas isso faz parte do necessário processo de aprendizagem. Por outro lado, também não compreendo como não havia pessoal suficiente nas escolas mas no ATL que o meu filho frequenta, às 9:10 estavam todas as funcionárias. Acho francamente que há aqui um efeito da "tradição" bastante traiçoeiro: como é costume suspender as actividades quando neva, as pessoas nem se dão a grandes trabalhos para comparecer nos seus locais de trabalho; e depois as actividades são suspensas porque não há funcionários suficientes...
Mas houve, na ocasião que originou estes meus Posts, grandes responsabilidades da Autarquia: se, como referiu a Protecção Civil, as estradas estavam circuláveis, porque não houve transportes escolares? Porque ficaram os autocarros da Câmara no Centro Coordenador de Transportes, sem terem cumprido a sua função? Porque não assegurou a Câmara o transporte das refeições que diariamente faz chegar aos diversos establecimentos? Como era suposto as crianças comerem nesse dia? Tudo isto acaba por me chocar mais do que algum "laxismo" que possa ter existido por parte de alguns - não todos, nem provavelmente a maior parte - dos professores e funcionários das escolas. É urgente que o planeamento das prioridades de actuação das autoridades de protecção civil, nomeadamente a municipal, passe a abordar estas questões.
Aproveito para dar eco a uma boa ideia, pedindo desculpas ao autor por não colocar aqui o seu nome, que não retive: no Terras da Beira da semana passada, numa crónica foi sugerido um "Dia da Neve". Com tantas celebrações que há ao longo do ano, algumas só para "encher chouriços", a ideia seria dedicar um dia aos aspectos da neve: o melhor calçado e vestuário. A melhor forma de circular de carro. Como montar umas correntes. Enfim, a ideia seria pôr toda a gente a colaborar para minorar alguns dos aspectos negativos de um nevão. Francamente, gostei da ideia.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Por quê?

Por que é que as escolas têm as actividades suspensas?
Sei que hoje de manhã nevou bastante; que algumas estradas ficaram quase sem condições de circulação, apesar da protecção civil ter dito, sem ninguém ter desmentido, que os acessos à cidade estavam todos abertos, nomeadamente utilizando a VICEG. Eu próprio saí de casa, deixei os meus filhos na escola e na creche, a minha mulher no respectivo local de trabalho e fui também trabalhar. No meu serviço, houve apenas ligeiros atrasos, mas toda a gente compareceu; no da minha mulher, em mais de 30 pessoas faltou uma. Os bancos estão a funcionar, os restaurantes, o comércio... todos os establecimentos por onde passei. Excepto as escolas!
Do caso que conheço com mais detalhe - a escola do meu filho -faltaram 3 professores (às 10.00H). Estava na escola a Directora - que mora na rua da Escola - e uma professora auxiliar (aposto que com contrato a prazo...). A meio da manhã mandaram os alunos para o ATL!!! Neste, não faltou ninguém e serviram-se 50 almoços. Ou seja, dizerem que suspenderam as aulas por causa dos alunos é uma enorme falácia: naquela escola, estavam mais de 50 alunos (porque alguns não têm ATL) dos 80 que frequentam a escola, mas os professores não compareceram. Não foi por falta de condições de circulação, porque eu estive lá sem grandes dificuldades. Foi por quê, então?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Crónica Diária - Rádio Altitude

A minha primeira Crónica Diária de 2009 foi assim:

"Aproveito esta minha primeira crónica de 2009 para apresentar a minha lista de desejos para a Guarda. Alguns são pequenos equipamentos que tornarão certamente a nossa vivência na cidade mais agradável, dando-lhe até um toque de urbanidade, outros serão estruturantes para toda a envolvente; uns serão novos, outros desejos já muitas vezes repetidos, mesmo aqui nos microfones da Rádio Altitude. Mas começar uma etapa – de um projecto, da vida – sem objectivos bem definidos, faz com que possamos perder o rumo ou mesmo com que não saibamos quando realmente chegámos ao fim dessa etapa – daí a importância de fixarmos objectivos ou, no caso vertente, de formularmos desejos. Neste caso, num exercício meramente individual.
Começo por um bem simples: uma rampa para skates ou patins. È um equipamento relativamente barato e que inegavelmente faz falta aos jovens da Guarda. Seria uma forma interessante de criar nas zonas verdes do centro da cidade algo que atraísse os jovens, já que os nossos jardins manifestamente não têm capacidade para atrair quem quer que seja. Ou alguém consegue descortinar um bom motivo para passar uma hora ou duas no Jardim José de Lemos, por exemplo? Por outro lado, também todos concordarão que o passeio e acesso principal à Câmara Municipal não é o local mais digno para os nossos jovens darem largas às suas habilidades no skate… Seria pois uma forma de promover estilos de vida saudáveis, tirando os nossos jovens de frente das televisões, dando-lhes um bom pretexto para passar mais tempo ao ar livre.
Em segundo lugar, uma estrutura de que eu tenho falado muito, mas da qual tenho ouvido falar muito pouco ou nada: uma incubadora de empresas. Apresentada ainda em 2007, está até hoje por concretizar. É um equipamento de apoio à criação e fixação de empresas na Guarda que não podemos de todo dispensar por mais tempo. É necessário estimular projectos empresariais nos técnicos que todos os anos concluem a sua formação no IPG e nas escolas profissionais; é necessário dar-lhes uma estrutura de apoio, altamente profissionalizada, que faça com que seja mais fácil ficar na Guarda do que regressarem aos seus locais de origem – precisamente o contrário do que hoje se verifica. Uma incubadora é tanto mais importante quanto se confirmou, há cerca de 2 meses, através de um estudo realizado por uma docente da Universidade do Porto, que os alunos que frequentam o IPG são dos que reúnem mais características de “empreendedores” de todos quantos estudam em estabelecimentos de ensino no interior do País. A Guarda não se pode dar ao luxo de continuar a ignorar este enorme potencial e de ter um IPG a formar técnicos para engrandecer outras regiões, sendo nós meros espectadores do sucesso dos outros.
O terceiro é uma requalificação do actual Parque Industrial. Arranjo de arruamentos e passeios, ordenamento do trânsito tendo em atenção que a largura das ruas não permite que se estacione e se circule nos 2 sentidos e limpeza e vedação dos lotes devolutos são medidas urgentes para devolver àquela zona da cidade um ar minimamente urbano; ainda mais agora, que uma nova superfície comercial se prepara para abrir e a zona vais ser muito mais frequentada, é necessário dar atenção a uma zona da cidade que vai ser a porta de entrada para gente de fora da Guarda.
Em quarto lugar, desejo um verdadeiro compromisso com a requalificação do centro histórico. Que vá além de promessas vagas e se comprometa com datas. Não posso deixar de lamentar que não se tenha voltado a ouvir falar dos audio-guias; que a prometida sinalética comum para monumentos e establecimentos não exista senão no campo da fantasia; que a requalificação do centro histórico não tenha sido, nos últimos dez anos, mais do que repetidos ciclos de tira-e-põe de contentores de lixo, a renovação das infra-estruturas básicas de saneamento e electricidade, a pavimentação de 2 ou 3 ruas e a recuperação de algumas casas. Não que estes não tenham sido investimentos importantes, mas quando se fala em requalificação, espera-se algo mais. E não se espera certamente que se privatize uma parte da muralha…
Por último, desejo que 2009 seja o ano em que os empresários da Guarda vejam também satisfeitas as suas necessidades de crescimento. Falo da PLIE e da ideia que fica quando dela se fala, de que se trata de uma estrutura apenas para captar investidores no exterior. É necessário também olharmos pelos empresários da Guarda, alguns há muitos anos à espera de uma oportunidade de investimento na Região. Desejo pois, que além das 3 empresas recentemente anunciadas para se irem localizar na PLIE, se lá venham a localizar durante 2009 empresas da Guarda que, mercê do seu crescimento, necessitam hoje uma infra-estrutura industrial que contemple as diversas actividades de suporte que as modernas áreas de localização empresarial colocam ao dispor das empresas. Desejo no fundo que fique claramente demonstrado que os motivos para as críticas dos empresários da Guarda relativamente à ausência de condições para o desenvolvimento dos seus negócios possam ser finalmente eliminados e estes cumpram agora o seu papel de criadores de riqueza e emprego na região.
A Guarda precisa de muito mais do que estes equipamentos que enumerei – disso não tenho também grandes dúvidas. Mas este será certamente um bom começo…
"

Pode ser ouvida aqui.

A cerca

O espaço a que chamamos "Cerca do Sanatório" é um dos mais belos recantos da cidade. Além de representar um enorme privilégio termos uma mancha com aquelas características praticamente no centro da cidade. Só que a cerca tem um grave problema: o seu dono!
Só o Estado, esse ente sem rosto que tudo tem e tudo pode, seria capaz de tratar tão mal um Património (com maísculas, notem) com aquela riqueza. Em termos florestais, porque representa um verdadeiro "pulmão" para a cidade aquela mancha de arvoredo; em termos de biótopo, porque se trata do único parque de sequóias da Europa, com 54 árvores plantadas, com menos de cem anos. Se pensarmos que não atingiram ainda metade da altura com que vão ficar e vivieram menos de um décimo daquilo que é norma entre estas coníferas, temos necessariamente de as encarar com enorme respeito! Nós, cidadãos da Guarda, já que o dono não parece muito preocupado em fazê-lo... Já para não falar dos pavilhões que por lá tem a cair de podres há tantos anos, sem que ninguém se preocupe em os requalificar, pelo menos ao nível de consolidação da estrutura e arranjo de fachadas.
Temos de reconhecer a visão inspiradora de todos os que contribuíram para a cerca seja aquilo que hoje conhecemos.
A semana passada dei conta de alguns funcionários municipais (pelo menos foi o que me pareceu) andarem "de volta" de uma árvore na Av. Rainha D. Amélia. Cortando ramos e vedando o trânsito à volta do local onde estava plantada. No final, restou pouco mais que as raizes, uma vez que foi cortada pela base do tronco. E não me pareceu, pelo que vi dos restos do tronco, que a árvore estivesse podre ao ponto de representar uma ameaça para os transeuntes.
Esta semana, ao ouvir na Rádio Altitude a crónica de Adelaide Campos, fiquei a pensar: "ó Rui, terás ouvido bem? Aquela árvore já lá estava quando construiram o muro da cerca?" E voltei então ao local do crime, para confirmar a ideia. O que acabou por acontecer. Aquele é de facto o único "nicho" existente no muro para albergar uma árvore. Em toda a sua extensão, não existe mais nenhum, o que é um forte indício que o nicho não foi planeado antes para depois ali ser plantada uma árvore, foi antes um artifício usado pelos construtores para poderem manter a árvore que já lá devia estar. Isto demonstra o enorme respeito que existia, em tempos idos, pela Natureza. Hoje, não tenho dúvida que a opção seria arrancar a árvore, construir o muro e, na melhor das hipóteses, plantar outra árvore... Sem respeito nenhum pelo património que uma árvore adulta representa!
E agora: alguém vai voltar a plantar uma árvore naquele local? É que é o mínimo que o respeito impõe...