Pensamentos, gostos e desgostos sobre a cidade onde nasci e escolhi morar. E outras coisas que por vezes me passam pela ideia...
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Correcção
Para que conste: no meu post anterior, referi discordar com com o sentido do trânsito na Rua Dr. Lopo de Carvalho. Afinal, parece que o problema foi corrigido hoje ao final da tarde, podendo agora circular-se nos dois sentidos. Parece-me efectivamente uma boa solução e uma correcção que dignifica quem a fez.
Resumo da semana
Tantas novidades nos últimos dias e eu sem tempo para as absorver...!
A título de resumo, da prestação de Abílio Curto na Rádio Altitude, a montanha pariu um rato. Comentários generalistas, trivialidades, e pouco mais. Bom para uma conversa no café, claramente deficitário para um programa de análise política. Do que lhe ouvi, apenas um reparo: quando diz que a Guarda lhe deve o Mercado Municipal e a Central de Camionagem, está claramente enganado; a Guarda não lhos deve porque não fez mais do que era sua obrigação, já que foi eleito após se ter disponibilizado (candidatado) para zelar pelo Município; ainda que assim não fosse, segundo julgo saber, ficou provado nas devidas instâncias que se fez pagar muito bem enquanto desempenhou as funções de Presidente da Autarquia. Além de que desconheço que alguma vez tenha manifestado qualquer arrependimento pelos factos pelos quais foi condenado e cumpriu pena. No que toca ao Vivaci, confesso que gostei. Não é perfeito, podia ter mais "isto" ou "aquilo", mas na generalidade acho agradável. Pela minha parte, desejo ao Promotor/Investidor e a todos os lojistas as maiores felicidades e sucesso! A única coisa que não gostei nem é directamente ligado ao Centro Comercial: é da responsabilidade da autarquia e tem a ver com os arranjos dos arruamentos envolventes. A Rua Almirante Gago Coutinho ganhou uma parede no meio da estrada absolutamente inexplicável. No sec. XXI, com o estado da engenharia, aquilo é o melhor que se consegue...? Na Rua Dr. Lopo de Carvalho, o trânsito de sentido único, ainda por cima ascendente, só serve os interesses do Centro Comercial. Aos utilizadores da cidade, deixou-os sem saídas para a zona norte da cidade. Por outro lado, aquelas rampas do pavimento elevado (já agora: qual é a ideia...?) são um atentado aos nossos automóveis. Só hoje, vi lá arrastar uma boa meia dúzia de carros; e não eram propriamente fórmula 1's... Da minha parte, se tiver a infelicidade de danificar o meu carro naquelas rampas (ou lá o que raio são), saibam que vou participar a ocorrência às autoridades e responsabilizar a autarquia por a via não apresentar boas condições de circulação. Imagino que também devem ser óptimas para as ambulâncias que por lá tiverem de passar...
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
É a arte, estúpido!
Eu devo ser mesmo muito insensível nestas coisas das artes performativas! Saí para ver o prometido desfile de noite das bruxas que, como fiquei hoje a saber, é uma tradição destas terras (descobri que afinal tenho uns belos amigos: têm andado todos estes anos a festejar o Haloween e nunca ninguém me disse nada!!!). Mas aquilo que vi soou-me, apenas e só, a mais do mesmo. Os mesmos fatos esquisitos, o mesmo triciclo com um monstro (hoje, oportunamente era uma bruxa), a mesma música, as mesmas luzinhas, e manifestações dos artistas para envolver quem assiste. Foi giro da primeira vez. A segunda também não foi mal. E mesmo aquela em que depois o Rei falou ao povo na Praça Velha teve um impacto visual forte. Mas hoje cansei-me: chega. A única diferença que vi foi a queima do esqueleto de um carro, talvez uma tentativa de exorcismo de alguns medos, talvez apenas o espectáculo da destruição (ou, como se diz no meio, da desconstrução...). O meu filho perguntou porque destruiram o carro. Só fui capaz de lhe responder que porque é mais fácil destruí-lo que repará-lo. Já não há pachorra! Justiça seja feita, a organização teve pelo menos a virtude de ter trazido à rua muita gente. Mas de uma coisa fiquei certo: não serão muitas mais as vezes; ouvi muitos comentários do tipo "isto agora também é sempre a mesma coisa!". O formato é giro, tem resultado, mas é altura de mudar um pouco o figurino senão qualquer dia só aparecem "os do costume" para a inauguração.
PS: apesar do impacto da coisa, não fiquei seguro que um carro em chamas no meio de tanta gente e uma retroescavadora em manobras sejam seguros... já para não falar na nuvem de fumo e do cheiro que ficou no local.
O Trânsito
O trânsito na Guarda, salvas as devidas proporções, é parecido ao de qualquer outra pequena/média cidade: tem dias melhores e dias piores, sendo em que dias como o de hoje, com chuva, frio e nevoeiro, é pior...
Mas mesmo em filas, demorando mais a percorrer pequenas distâncias do que é usual, tenho notado um fenómeno que muito me apraz aqui sublinhar: quase não se ouve uma buzina, um protesto, e quando necessário "facilita-se" e "dá-se um desconto". Poderão dizer-me que isso é porque somos acomodados, não reagimos, etc. Não concordo! Não encontrei até hoje qualquer evidência que relacione protestos no trânsito (nomeadamente buzinadelas) com a respectiva fluidez. Acredito mesmo que possa ter um efeito contrário, ao colocar toda a gente sob pressão.
Para mim, é um sinal de civismo e de descontração, devido ao tipo de vida que por cá podemos levar: mais descontraída, sem termos de pensar em percorrer 30 ou 40 Km para voltar para casa, por pontes ou vias congestionadas. E o frio ajuda definitivamente a "arrefecer" os nervos. E além de gostar de viver neste ambiente, gosto ainda mais de cá criar os meus filhos. Depois, logo se vê...
terça-feira, 28 de outubro de 2008
A imagem da Guarda
Pela minha parte, a imagem da Guarda que levo sempre na memória quando me afasto por algum tempo e que constitui quase a "imagem de marca" da nossa cidade é a de noites como a de hoje. A chuva miudinha, o ligeiro nevoeiro, o ar fresco.
Acho estas noites verdadeiramente mágicas: a forma como a luz se projecta pela folhagem amarelada das árvores, os vultos que fazem as (poucas) pessoas que caminham pelas ruas, o relativo silêncio que se "ouve" e o cheiro fresco do ar. Tem o seu quê de noite londrina em cenário de Conan Doyle; talvez seja por isso, pelo muito que essa imagem esteve presente na minha adolescência... não sei.
Mas em noites como esta, sinto-me cá muito bem e não trocaria a cidade por nenhuma outra!
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
A confusão
Partida: Alameda de Santo André. Descendo a Av. Rainha D. Amélia, passsamos a fábrica de iogurtes da Gelgurte (um exemplo de uma indústria de excelência localizada na Guarda, a provar que por cá temos tão bom ou melhor que noutras cidades, apenas em menor quantidade...) até à rotunda do G. Nesta, a segunda saída dá acesso à Urbanização Encosta do Sol. E aqui começa a minha confusão: que tipo de via é esta? Via dupla nos 2 sentidos, com separador central? Via única em 2 sentidos com separador central? Ou via única nos 2 sentidos sem separador central, com metade da via fechada? Se não percebe o porquê destas perguntas aparentemente sem qualquer sentido, dê lá um pulo e observe o trânsito durante 15 ou 20 minutos. Eu já vi todas estas possibilidades. E continuo sem perceber quem está bem. Mas tenho um palpite sobre quem está mal: e entidade que gere as vias de comunicação na cidade. Porque não existe qualquer sinalização vertical ou horizontal, porque a via não tem as condições exigidas para uma circulação segura (reparem na altura das tampas dos colectores de esgotos), e porque na verdade o que lá se passa gera insegurança para quem utiliza aquela via de acesso ao Bairro do Torrão. Independentemente das vicissitudes do processo de urbanização (do qual muito se especula mas provavelmente pouco se sabe), existe uma autoridade que tem de intervir para regular ali o trânsito. Ou aquilo é terra de ninguém? E se eu tiver ali um acidente por embater numa daquelas tampas tão elevadas relativamente ao pavimento, quem é responsável? Francamente, prefiro não saber, mas aquela degradação mesmo às portas da cidade dá um aspecto de se ter chegado ao terceiro mundo. Há tantos anos que aquilo assim está, parece-me que já é hora de alguém tratar do assunto...
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