quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Revistas de decoração

As revistas de decoração - pelo menos as que me têm passado pelas mãos - são revistas temáticas curiosas: publicidade, editorial, album fotográfico da nova sala da Pureza Teixeira da Silva, publicidade, album fotográfico da casa que a Zézinha Pitta e Cunha recuperou no Alentejo (em alternativa, a região do Oeste), publicidade, dossiê temático (que mais não é que um conjunto de publicidade sobre um tema comum), breves, antevisão do próximo número. E está feita. A minha última incursão neste mundo foi numa revista que prometia na capa um "Dossiê de Climatização". Como por cá, a climatização (pelo menos na vertente de aquecimento) vai importanto por estes dias, lá me dispus a dar uma vista de olhos pela revista. Depois de vencer as etapas iniciais - as tais publicidades e os tais albuns fotográficos - lá cheguei ao dito dossiê: 2 páginas, com uma foto minúscula de um recuperador de calor, um radiador de parede, uma pedra radiante e mais 2 ou 3 artefactos de género, marca e número de telefone do importador/comerciante. Belo dossiê!!! Eu chamar-lhe-ia, quando muito, album de recortes... Ou "pura perda de tempo".

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A equipa

O que se tem sabido nos últimos dias sobre a contenda que opõe Esmeraldo Carvalhinho a Lurdes Saavedra preocupa-me e deve preocupar todos aqueles que acompanham minimamente o que se vai passando na Guarda. Independentemente das leituras políticas que se possam fazer da situação - e várias têm aparecido nos últimos dias, na imprensa, na blogosfera e, não podemos ignorá-lo, pela vox populi - a situação desperta-me maior atenção do ponto de vista da gestão da Organização que é a Câmara Municipal.
Começo por dizer que, na minha opinião, na Gestão das Organizações um dos maiores desafios que se coloca ao gestor é a formação de equipas que funcionem como tal. Trata-se de compatibilizar e mobilizar para um fim comum, gente com diferentes perspectivas, finalidades, matrizes de valores, etc. Concordo em absoluto que a diversidade é uma das maiores riquezas das organizações, mas quando se trata de compatibilizar tantos aspectos, a tarefa pode ser complexa. Quando se alcança um situação equilibrada e a equipa é estabilizada, é altura de pedir resultados e de "colher" o mais possível dessa equipa.
Assim, não posso deixar de estranhar que, ao fim de quase 4 anos na mesma equipa, venha agora a público a existência desta situação, que para mim configura uma ruptura, sem que ninguém se sinta obrigado a dar aos cidadãos uma explicação. Nem os visados, nem o Gestor da equipa de que falo - o executivo camarário - que até prova em contrário é o Sr. Presidente da Câmara.
Com a importância que o Município tem na Guarda, preocupa-me se este não estiver a ser eficazmente gerido. E não tenho dúvida de que, se a equipa de gestão não funciona enquanto tal, não pode haver boa gestão, porque, se me permitem a metáfora, os remadores não estão todos a remar para o mesmo lado.
Legitimamente, podemos questionar-nos se a equipa continua a fazer sentido. Ou até se alguma vez o fez...
É preocupante que ninguém se sinta na obrigação de dar uma palavra sobre o que se passa. Ou sou só eu que acho isto estranho?

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Bandidos, TREMEI!!!


Leio no "Nova Guarda" desta semana que na madrugada do passado Domingo, em Vilar Formoso, foi levada a cabo aquilo que eu designaria por Mega-Operação de fiscalização por um conjunto de Forças de Segurança. Foram elas o SEF, GNR, PSP, Direcção-Geral das Alfândegas, PJ, em colaboração com a Guardia Civil e o Cuerpo Nacional de Policia, estes 2 últimos espanhóis, no âmbito dos recém-criados Centros de Cooperação Policial e Aduaneira (CCPA). Segundo a notícia, da meia-noite às 5 da manhã todos os veículos que passaram a fronteira (ou quase todos, como se verá) foram fiscalizados. No total, mais de 50 agentes estiveram envolvidos, em 5 postos de controlo. A notícia dá ainda conta das estatísticas que resultaram da operação, entre detidos, identificados, notificados para abandonar o território nacional, veículos apreendidos, etc.

Mas no que a notícia é verdadeiramente espectacular é no relato de um condutor que desrespeitou a ordem de paragem dos agentes. É descrito como uma carrinha "(...) Peugeot 504, com atrelado e cães no interior, atravessou a fronteira em direcção a Portugal, a alta velocidade, em sem parar." Dá-se ainda conta que "(...) apesar de se ter iniciado uma perseguição policial, as autoridades não conseguiram deter o infractor (...)"!

Devo dizer que nada melhor que uma notícia destas pela manhã para começar o dia com uma valente gargalhada. Não pude evitar imaginar uma cena típica do Taxi de Luc Besson, com a dita Peugeot 504 (fabricada entre 1968 e 1979, ou seja no mínimo com 29 anos) a passar a alta-velocidade pelo posto de controlo (lembro-me bem das altíssimas velocidades que atingíamos numa carrinha destas que um primo meu teve, às vezes quase 120 Km/h nas descidas!) e, depois, escapar com grande facilidade à perseguição movida pelos potentes BMW e Audi que equipam algumas forças de segurança. Só talvez um ou outro UMM da GNR tenha dado algum trabalho ao piloto da Peugeot, que mesmo com um atrelado e cães, escapou "nas calmas".

Assim, podemos estar descansados e colocar a nossa segurança nas mãos deste pessoal, que de certeza que os bandidos tremem só de ouvir falar deles...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Os móveis

Parece que a Câmara convidou para um concurso limitado 5 empresas a apresentarem propostas de fornecimento de mobiliário para a Biblioteca Eduardo Lourenço. Parece que das 5, nenhuma é da Guarda. Parece que, segundo o Vice-Presidente da Autarquia, foi o Arquitecto responsável pela obra que indicou as empresas.
Se calhar, o Arquitecto indicou empresas da terra dele...
Se calhar, não há empresas na Guarda capazes de fornecer mobiliário para a Biblioteca...
Se calhar, a cerca de um mês e meio da data prevista para a abertura, este assunto há muito devia estar resolvido...
Será!?

Magalhães



A iniciativa do nosso Governo denominada e-escolinhas tem sido amplamente divulgada e aplaudida, mesmo por figuras do meio internacional, passando por Steve Ballmer, CEO da todo-poderosa Microsoft, até Hugo Chavez (embora neste último caso pareça que é só "para inglês ver", ´já que o homem é forte adepto da filtragem de conteúdos a que cada um dos cidadãos do seu País pode aceder, bem ao jeito daqueles ditadores pequeninos que ocasionalmente emergem nos países da América Latina). Pela minha parte, confesso-me também rendido às virtudes do programa, embora concorde com alguma opinião publicada de que se poderia ter ido mais longe, instalando nas máquinas apenas software produzido em Portugal (por exemplo o Caixa Mágica), em código aberto; isto potenciaria o surgimento de mais aplicações desenvolvidas em Portugal, permitiria a cada utilizador desenvolver as suas próprias aplicações e - a cereja no cimo do bolo - inteiramente grátis, ao contrário do sistema operativo da Microsoft que vem instalado nas máquinas coexistindo com o Caixa Mágica.
Mas o que me faz escrever estas linhas é a forma como se acede à dita iniciativa. Fui confrontado, na quarta-feira passada e na qualidade de Pai de um aluno do 1º Ciclo do Ensino Básico, com um pedido urgente de cópia de declaração emitida pela Segurança Social indicando o escalão de abono de família em que se enquadra o educando, por forma a poderem ser emitidos os códigos de acesso à iniciativa e-escolinhas, nos termos da informação divulgada pelo Ministério da Educação. Ora, o que o Ministério da Educação tem divulgado sobre esta iniciativa, que de resto está no respectivo sítio é que o preço do computador será variável, em função do escalão de acção social escolar de que o aluno beneficia. Sendo assim, para quê agora uma declaração relativa ao abono de família? Porque a acção social escolar é atribuída de acordo com o escalão do abono de família? Então mas o Ministério não sabe a quem atribuiu Acção Social Escolar? Não pode pedir aos serviços da Segurança Social essa informação? É que das duas vezes que já me dirigi ao serviço de atendimento da Segurança Social na Guarda, a última das quais há algumas horas, havia à minha frente, para ser atendidas, mais de 20 pessoas, de acordo com o sistema de gestão; mesmo que cada pessoa demore apenas 5 minutos (o que não se verifica na maior parte dos casos), teria de esperar mais de uma hora e meia para ser atendido. Multiplicando isto pelo número de alunos só da escola do meu filho, seriam mais de 150 horas não trabalhadas para se poderem obter as tais declarações. E o mais ridículo é que se atendermos a que apenas uma pequena percentagem dos alunos beneficia dos escalões 1 e 2 da Acção Social escolar, então a maior parte das declarações não servirão para nada! E as horas que se perderam para as obter serão mero desperdício! Veja-se o meu caso: consultando o serviço Segurança Social Directa sei que o meu filho não se enquadra nos escalões 1 ou 2; sei portanto, que a declaração para nada servirá! Com que vontade é que vou esperar uma hora e meia numa fila para obter uma declaração absolutamente inútil?! Como dizia o outro, "Fico chateado, concerteza que fico chateado..."

PS: este post não é sobre a Guarda; infelizmente, a burocracia gerada pela malta dos gabinetes que não mede bem as consequências do que exige aos cidadãos, a quem devem servir, é um mal nacional... Mas pelo menos terão de ler e responder ao email que lhes enviei dando conta deste absurdo.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A estupidez

Foi hoje lida a sentença de Mário Machado, líder de um grupo de skinheads, acusado de professar ideologias de extrema-direita, xenofobia, anti-semitismo, de ter em seu poder armas proibidas, etc. A sentença não transitou ainda em julgado, pelo que, apesar de condenado a uma pena de prisão efectiva, o acusado saiu em liberdade, tendo agora uma prazo para acatar a sentença ou, pelo contrário, dela recorrer para instância superior.
Apesar de Mário Machado não ser uma companhia de todo recomendável, as afirmações do seu advogado à entrada para o Tribunal foram, essas sim, surpreendentes e desconcertantes. Declarou o brilhante causídico que numa época em que temos conhecido alguns picos de criminalidade violenta, acaba por ser um desperdício de recursos os tribunais ocuparem-se de casos como o de Mário Machado. Repito, isto foi o argumento de um advogado nos microfones da rádio. É espantoso como uma barbaridade destas é dita com tamanha naturalidade! Mostra como efectivamente, os limites da estupidez humana tendem para o infinito!!!
Provavelmente, dadas as manifestações de criminalidade violenta a que aludiu o sr advogado (as minúsculas são intencionais), os tribunais deveriam deixar de se ocupar com coisas menores, como professar o ódio baseado em raça ou côr de pele, talvez fugas ao fisco, pilhagem de galinhas, etc. Como se isso resolvesse o problema da criminalidade violenta!
A Ordem dos Advogados não terá por lá ninguém que impeça estes palermas de usarem o título sem o mínimo respeito por ele...?

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Augusto Gil

Há pouco, antes de se deitar, o meu filho leu-nos um excerto da "Balada da Neve", de Augusto Gil, que consta do livro escolar que vai utilizar este ano.
Há já algum tempo que não lia aquele belíssimo texto e não pude evitar uma sensação de deja vu no breve arrepio que senti. Lembro-me que a primeira vez que ouvi esse texto, lido pela minha professora primária, senti o mesmo. Trata-se de uma poesia belíssima na sua simplicidade, enternecedora, doce.
E dei por mim a pensar que só foi possível a Augusto Gil deixar-nos uma poesia tão bela porque viveu na Guarda. Só quem já presenciou a queda da neve na nossa cidade pode descrevê-la tão bem. É certo que cada vez são menos os nevões que vão caindo, mas é sempre um acontecimento mágico quando neva meia dúzia de horas seguidas.
Mais uma vez, apesar de tão belo cartão de visita, pouco ou nada se faz em relação a isso. Passa-me pela cabeça que a Covilhã, aqui ao lado, usa na divulgação turística o epíteto de "Cidade-Neve", apesar de nos 5 anos que lá morei nunca ter visto nevar!
A balada da neve, por ser uma poesia tão conhecida, devia estar inequivocamente associada à Guarda. Por mim, penso que criaria na mente dos potenciais turistas ideias associadas a calma, beleza natural, simplicidade. A minha ideia seria levar as pessoas a pensar na Guarda de cada vez que se fala na "Balada da Neve". Tal como se pensa na Mealhada quando se fala em leitão, apesar de ser possível comê-lo em qualquer sítio do País. Mas para isso, há muito trabalho de Marketing a fazer. Eu acho que valeria o investimento...