Há pouco, antes de se deitar, o meu filho leu-nos um excerto da "Balada da Neve", de Augusto Gil, que consta do livro escolar que vai utilizar este ano.
Há já algum tempo que não lia aquele belíssimo texto e não pude evitar uma sensação de deja vu no breve arrepio que senti. Lembro-me que a primeira vez que ouvi esse texto, lido pela minha professora primária, senti o mesmo. Trata-se de uma poesia belíssima na sua simplicidade, enternecedora, doce.
E dei por mim a pensar que só foi possível a Augusto Gil deixar-nos uma poesia tão bela porque viveu na Guarda. Só quem já presenciou a queda da neve na nossa cidade pode descrevê-la tão bem. É certo que cada vez são menos os nevões que vão caindo, mas é sempre um acontecimento mágico quando neva meia dúzia de horas seguidas.
Mais uma vez, apesar de tão belo cartão de visita, pouco ou nada se faz em relação a isso. Passa-me pela cabeça que a Covilhã, aqui ao lado, usa na divulgação turística o epíteto de "Cidade-Neve", apesar de nos 5 anos que lá morei nunca ter visto nevar!
A balada da neve, por ser uma poesia tão conhecida, devia estar inequivocamente associada à Guarda. Por mim, penso que criaria na mente dos potenciais turistas ideias associadas a calma, beleza natural, simplicidade. A minha ideia seria levar as pessoas a pensar na Guarda de cada vez que se fala na "Balada da Neve". Tal como se pensa na Mealhada quando se fala em leitão, apesar de ser possível comê-lo em qualquer sítio do País. Mas para isso, há muito trabalho de Marketing a fazer. Eu acho que valeria o investimento...
